Estado possui 2,3 milhões de hectares aptos para novos plantios florestais, segundo a Florestar São Paulo, e vê espaço para crescer com madeira, celulose, biomateriais e exportações
São Paulo pode praticamente triplicar sua área de florestas plantadas ao usar terras degradadas ou de baixa aptidão agrícola. Com isso, o estado ampliaria a produção sem avançar sobre vegetação nativa.
A diretora-executiva da Florestar São Paulo, Fernanda Abilio, apresentou essa avaliação em entrevista à CNN Agro, publicada em 18 de junho de 2026. Segundo ela, o estado combina produtividade, infraestrutura, indústria e mercado consumidor.
Atualmente, São Paulo soma cerca de 1,3 milhão de hectares de florestas plantadas. O eucalipto ocupa 77% dessa área. Esse cenário mostra uma base produtiva já consolidada.
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Potencial está em áreas já degradadas
De acordo com a Florestar São Paulo, o estado reúne cerca de 2,3 milhões de hectares de áreas degradadas ou de baixa aptidão agrícola. Essas terras podem receber novos plantios florestais.
A expansão deve ocorrer principalmente em áreas já antropizadas. Na prática, o setor não precisaria abrir novas áreas nem retirar vegetação nativa.
Esse potencial pode fortalecer a produção de:
- madeira;
- celulose;
- papel;
- resinas de pinus;
- painéis de madeira;
- biomassa para energia;
- biomateriais.

São Paulo une produtividade, indústria e logística
São Paulo ocupa a terceira posição nacional em área cultivada, atrás de Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Ainda assim, o estado se destaca pela produtividade, infraestrutura e agregação de valor industrial.
Fernanda Abilio afirma que o diferencial paulista está na combinação entre produtividade, indústria consolidada, logística e mercado consumidor.
A presença dos principais clientes do setor também favorece o estado. A proximidade com o Porto de Santos reforça essa vantagem para o comércio exterior.
Setor movimenta bilhões e cresce no estado
O setor florestal paulista movimenta aproximadamente R$ 5 bilhões por ano. A atividade representa cerca de 13% do valor bruto da produção florestal brasileira.
Nos últimos anos, o segmento cresceu perto de 19%. A demanda aquecida, as exportações, os ganhos de produtividade e a maior industrialização da madeira puxaram esse avanço.
O Brasil aparece entre os maiores produtores e exportadores florestais do mundo. Nesse mercado, China e Estados Unidos estão entre os principais destinos.
Exportações reforçam peso do agronegócio paulista
Os produtos florestais ocupam a terceira posição na pauta exportadora do agronegócio paulista. São Paulo exporta cerca de US$ 3 bilhões por ano nesse segmento.
Esse volume representa aproximadamente 19% das exportações nacionais do setor. O resultado mantém o estado em posição relevante na cadeia florestal brasileira.
A pauta exportadora vai além da celulose. O estado também vende papel, resinas, painéis, biomassa e outros produtos industrializados de maior valor agregado.
Polos florestais consolidam a cadeia produtiva
Regiões como Botucatu e Itapetininga já se consolidaram como polos florestais importantes. Essas áreas concentram viveiros, plantio, colheita, transporte e processamento industrial.
A estrutura integrada fortalece a presença paulista na bioeconomia de base florestal. Esse avanço também amplia o peso do estado em produtos renováveis.
Segundo a Florestar São Paulo, as condições locais viabilizam investimentos contínuos. Portanto, São Paulo pode ampliar sua produção florestal com foco em áreas já degradadas, exportações e maior valor agregado.

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