Estudo internacional acompanha dados de torcedores durante a Copa para entender como emoções do futebol afetam o organismo.
Uma iniciativa liderada pela Universidade de Bielefeld, na Alemanha, está mobilizando torcedores de diferentes países para uma investigação que pretende observar algo pouco explorado em larga escala: as alterações físicas provocadas pelas emoções do futebol. Utilizando informações registradas por relógios inteligentes e outros dispositivos vestíveis, o estudo busca acompanhar, durante a Copa, como o organismo reage diante de momentos de tensão, comemoração ou frustração vividos ao longo das partidas.
A proposta é reunir dados de fãs de todas as seleções envolvidas no torneio para identificar padrões relacionados ao comportamento do corpo em situações de forte envolvimento emocional. Os registros analisados incluem indicadores ligados ao funcionamento do organismo e aos hábitos diários dos participantes.
Como o estudo transforma emoções em dados?
Em vez de depender apenas de entrevistas ou relatos dos torcedores, os pesquisadores optaram por uma abordagem baseada em informações coletadas automaticamente pelos dispositivos utilizados pelos voluntários.
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A partir desses equipamentos, a equipe consegue acessar registros relacionados a diferentes aspectos da rotina dos participantes. O objetivo é observar como determinadas situações dentro de campo podem provocar mudanças mensuráveis no corpo.
Entre os dados utilizados na pesquisa estão:
- Batimentos cardíacos;
- Índices de estresse calculados pelos dispositivos;
- Informações sobre o sono;
- Níveis de atividade física.
Os registros são utilizados de forma anônima e seguem as exigências relacionadas à proteção de dados pessoais.

Estudo amplia participação para alcançar mais torcedores
Desde o lançamento da iniciativa, em 28 de maio, os pesquisadores vêm ampliando as possibilidades de participação. Inicialmente, apenas usuários de dispositivos Garmin podiam contribuir com informações.
Com o avanço do projeto, outras plataformas passaram a integrar a pesquisa. A mudança permitiu aumentar o número potencial de participantes e diversificar os perfis presentes na base de dados.
Atualmente, são aceitos dispositivos das seguintes marcas:
- Apple Watch;
- Google Pixel Watch;
- Samsung Health;
- Withings;
- Fitbit;
- Oura;
- Polar;
- Amazfit;
- Coros;
- Whoop;
- Xiaomi Mi Fitness;
- Wahoo;
- Garmin.
A expectativa é que a ampliação ajude a construir um panorama mais representativo dos torcedores que acompanham a competição.
O que os pesquisadores pretendem descobrir?
Embora seja comum associar o futebol a sentimentos intensos, os cientistas querem ir além da percepção subjetiva. A meta é compreender com mais precisão como diferentes acontecimentos dentro de uma partida se refletem nos indicadores fisiológicos dos espectadores.
Situações como gols, chances claras de marcação, cobranças de pênaltis e resultados inesperados estão entre os eventos que podem gerar reações relevantes para a análise.

Em comunicado divulgado na terça-feira (16), o professor Christian Deutscher, que divide a coordenação do projeto, destacou a importância de ampliar a participação do público.
Segundo ele, a pesquisa busca reunir o maior número possível de torcedores, independentemente da seleção apoiada ou da marca de smartwatch utilizada. O pesquisador ressaltou que uma base mais ampla fortalece a qualidade das análises realizadas.
Participação continua aberta durante a competição
Os organizadores afirmam que ainda é possível ingressar na pesquisa mesmo após o início do torneio. A contribuição não exige que o participante acompanhe todos os confrontos da competição. Assistir a apenas algumas partidas já pode fornecer informações relevantes para o banco de dados.
A professora Christiane Fuchs, co-líder do projeto, explicou que até mesmo registros obtidos durante jogos isolados têm utilidade para os pesquisadores.
A universidade informou ainda que torcedores de qualquer nacionalidade podem participar. No entanto, algumas regiões apresentam menor representação entre os voluntários cadastrados até o momento. É o caso do Leste Europeu, do Sul da Europa e da Turquia.
Os interessados podem se inscrever neste link
Pesquisa anterior apontou diferenças entre estádio e televisão
A atual investigação surgiu apoiada em resultados observados anteriormente por pesquisadores ligados ao mesmo grupo.
Durante a final da Copa da Alemanha de 2025, um trabalho envolvendo 229 torcedores do DSC Arminia Bielefeld identificou mudanças significativas nos sinais vitais dos participantes.
Os dados mostraram que quem acompanhou a decisão diretamente no estádio apresentou, em média, 94 batimentos cardíacos por minuto. Entre aqueles que assistiram à partida pela televisão, a média registrada foi de 79 batimentos por minuto.
As maiores alterações ocorreram nos momentos mais emocionantes do confronto. Após os gols, o aumento da frequência cardíaca entre os torcedores presentes na arena chegou a atingir 36%.
Estudo busca compreender reações em escala global
Diferentemente da pesquisa realizada em 2025, limitada a um grupo específico de torcedores e a uma única partida, a nova iniciativa pretende trabalhar com uma quantidade muito maior de informações.
O projeto integra a área de pesquisa QUAMU, vinculada à Universidade de Bielefeld e dedicada à análise e quantificação de incertezas em diferentes contextos.
Ao reunir dados de torcedores espalhados por diversos países, os pesquisadores esperam aprofundar o entendimento sobre a relação entre emoções intensas e respostas fisiológicas.

Os primeiros resultados deverão ser apresentados ao longo da competição, com divulgações previstas especialmente após os compromissos da seleção alemã.
A expectativa é que o volume de informações obtido permita identificar tendências capazes de mostrar, com maior clareza, como o futebol influencia o organismo humano durante momentos de grande envolvimento emocional.
Fonte: Revista Galileu

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