Decisão de juíza autoriza Trump a manter taxa de US$ 100 mil em vistos de tecnologia, afetando empresas e trabalho estrangeiro.
Uma juíza federal dos Estados Unidos decidiu manter a taxa de US$ 100.000 para determinados vistos de tecnologia, autorizada pelo governo Trump, reforçando uma política migratória que afeta diretamente o trabalho de profissionais estrangeiros no país.
A decisão foi proferida nesta terça-feira (24/12/2025), em Washington, e envolve os vistos H-1B, amplamente utilizados por empresas do setor tecnológico.
A medida, anunciada em setembro, busca, segundo o governo, proteger a segurança econômica e nacional dos Estados Unidos.
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A responsável pela decisão foi a Beryl Howell, que concluiu que o então presidente Donald Trump possui autoridade legal para impor a cobrança, mesmo diante dos impactos econômicos gerados para empresas e universidades.
Juíza aponta autoridade legal do presidente
Em uma decisão de 56 páginas, a juíza afirmou que o presidente tem “ampla autoridade legal” para lidar com o tema migratório quando o enxerga como uma questão estratégica.
Segundo o entendimento da magistrada, a política atende aos limites da lei e não viola normas administrativas vigentes.
“A decisão e sua aplicação são legais e, portanto, resistem aos recursos dos demandantes”, acrescentou a magistrada.
Apesar disso, Howell reconheceu que a medida pode gerar efeitos colaterais relevantes.
Ela destacou que a cobrança elevada pode “infligir um dano significativo às empresas americanas e às instituições de ensino superior”, sobretudo aquelas que dependem de mão de obra altamente qualificada.
Taxa surpreendeu empresas e gerou incertezas
Quando o governo Trump anunciou a nova taxa para os vistos de tecnologia, as empresas tiveram apenas 36 horas de aviso antes da entrada em vigor da medida.
Como resultado, houve confusão generalizada sobre quem seria afetado, como o pagamento deveria ocorrer e quais contratos seriam impactados.
Esse curto prazo de adaptação aumentou a insegurança jurídica, principalmente no Vale do Silício, região fortemente dependente de profissionais estrangeiros especializados em tecnologia, ciência e engenharia.
Medida faz parte de ofensiva migratória mais ampla
A taxa de US$ 100 mil para o visto H-1B integra uma ofensiva migratória mais ampla adotada por Trump desde seu retorno à Casa Branca.
O presidente republicano intensificou o discurso contra a imigração e defendeu mudanças estruturais no sistema de concessão de vistos de trabalho.
Trump já afirmou publicamente que o sistema H-1B estaria sendo utilizado de forma abusiva por empresas para substituir trabalhadores americanos por estrangeiros dispostos a aceitar salários mais baixos, o que, segundo ele, prejudicaria o mercado interno.
Como funciona o visto H-1B de trabalho
O governo dos Estados Unidos concede atualmente 85.000 vistos H-1B por ano, distribuídos por meio de um sistema de sorteio.
A Índia responde por aproximadamente 75% dos beneficiários, o que reforça a presença de profissionais indianos no setor de tecnologia americano.
O visto é concedido inicialmente por três anos e pode ser prorrogado por até seis anos. Ele permite que empresas contratem profissionais estrangeiros com qualificações específicas, como cientistas, engenheiros e programadores, considerados essenciais para áreas estratégicas da economia.
Setor de tecnologia alerta para falta de mão de obra
Empresários e representantes da indústria de tecnologia reagiram com preocupação à manutenção da taxa.
Para eles, os Estados Unidos não possuem atualmente talento local suficiente para preencher todas as vagas altamente qualificadas disponíveis no setor.
Além disso, o aumento expressivo no custo do visto pode afastar profissionais estrangeiros e tornar empresas americanas menos competitivas no cenário global.
Enquanto isso, universidades também temem impactos negativos em pesquisas, inovação e formação de novos profissionais.
Debate segue aberto no mercado de trabalho
Embora a juíza tenha mantido a taxa, o debate sobre os vistos de tecnologia, o trabalho estrangeiro e os efeitos da política migratória de Trump continua em evidência.
Empresas, instituições de ensino e especialistas acompanham de perto os próximos passos do governo e possíveis novos questionamentos judiciais.
A decisão reforça a complexidade do tema e evidencia o desafio de equilibrar proteção ao mercado interno com a necessidade de inovação e competitividade global.

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