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Funeral do aiatolá Ali Khamenei reúne entre 15 e 20 milhões de pessoas em Teerã com gritos de vingança contra Trump, quatro meses após sua morte em ataque conjunto de Israel e Estados Unidos

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Escrito por Felipe Alves da Silva Publicado em 05/07/2026 às 10:54 Atualizado em 05/07/2026 às 10:56
Multidão vestida de preto reunida em complexo religioso ao ar livre durante o dia em Teerã
Multidão se reúne em Teerã para o funeral de Estado do ex-líder supremo do Irã, Ali Khamenei
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Cerimônias fúnebres de seis dias transformam a capital iraniana em uma fortaleza de segurança e reúnem líderes de dezenas de países em meio a negociações diplomáticas ainda em curso entre Teerã e Washington

O funeral de Estado do ex-líder supremo do Irã, Ali Khamenei, começou neste sábado (4), em Teerã, sob forte esquema de segurança e marcado por manifestações de hostilidade contra os Estados Unidos, Israel e o presidente americano Donald Trump. Segundo informações divulgadas pela Gazeta do Povo, milhares de pessoas lotaram o complexo religioso Grande Mosalla, onde o caixão do aiatolá foi colocado em câmara ardente, quatro meses após sua morte em bombardeios realizados por Israel e pelos Estados Unidos, no dia 28 de fevereiro de 2026.

Nesse sentido, as autoridades iranianas estimam uma participação massiva, projetando entre 15 e 20 milhões de pessoas apenas na capital — número que, se confirmado, tornaria essas as maiores homenagens fúnebres já registradas na história do país. O evento, que se estende por seis dias, é visto por analistas como uma demonstração de força em plena negociação diplomática entre Estados Unidos e Irã, já que um acordo-quadro para encerrar o conflito havia sido assinado no mês anterior.

Bandeiras vermelhas, gritos de vingança e cartazes contra Trump

Vestidos majoritariamente de preto, os participantes começaram a chegar à Grande Mosalla ainda antes do amanhecer deste sábado, mesmo antes de a televisão estatal iraniana anunciar, por volta das 6h locais, o início oficial dos ritos. Muitos carregavam bandeiras vermelhas xiitas com a inscrição “Mártir” — símbolo de martírio e vingança na tradição xiita — enquanto entoavam palavras de ordem como “Vingança!”, “Morte aos Estados Unidos” e “Morte a Israel”. Segundo relato de um jornalista da agência AFP, também foram exibidos cartazes vermelhos com mensagens pedindo a morte de Trump, coincidindo com o dia em que os Estados Unidos celebravam o 250º aniversário de sua independência.

Por outro lado, o clima de emoção também marcou as primeiras horas da cerimônia: muitos participantes choravam enquanto aguardavam a entrada no complexo religioso, ao som de poemas recitados e cânticos religiosos. Ao lado do caixão de Khamenei, coberto por seu tradicional turbante preto, estavam também os caixões de familiares mortos no mesmo ataque de fevereiro — entre eles uma filha, um genro, uma nora e uma neta de apenas 14 meses, segundo informações das autoridades iranianas. Para dar suporte à multidão, mais de 400 tendas do Crescente Vermelho iraniano foram montadas em um grande parque da cidade.

Uma capital transformada em fortaleza e a ausência do sucessor

Enquanto isso, Teerã foi convertida em uma verdadeira fortaleza para viabilizar o funeral: ruas foram bloqueadas, o espaço aéreo foi fechado e empresas suspenderam suas atividades. Desde o início da manhã de sexta-feira, um cortejo de líderes internacionais desfilou diante dos caixões para prestar homenagens, incluindo os primeiros-ministros do Paquistão e da Armênia, os presidentes do Iraque, do Tadjiquistão e da Geórgia, além de representantes da Rússia, China, Síria, Líbano, Afeganistão, Marrocos, Catar, Omã, Arábia Saudita, Nicarágua e Cuba. Familiares de Hassan Nasrallah, ex-líder do Hezbollah morto em um ataque israelense, também estiveram presentes, assim como delegações do Hamas e do próprio Hezbollah, que se reuniram com o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, durante a estadia em Teerã.

Contudo, uma ausência chamou atenção: Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá e atual líder supremo do Irã desde março, não teve sua participação confirmada nas cerimônias. Segundo relatos, ele teria ficado ferido no mesmo ataque que matou o pai e, desde então, não voltou a aparecer publicamente, limitando-se a divulgar mensagens escritas. Já o general Ahmad Vahidi, comandante da Guarda Revolucionária do Irã, fez sua primeira aparição pública desde o início da guerra, após assumir o cargo em março, quando seu antecessor morreu nos mesmos bombardeios de fevereiro.

O corpo de Ali Khamenei permanecerá exposto ao público até esta segunda-feira (6), quando terá início uma procissão pelas ruas de Teerã. Em seguida, o cortejo seguirá para a cidade sagrada de Qom e depois percorrerá outras cidades iranianas e importantes centros religiosos xiitas no Iraque, como Najaf e Karbala. O sepultamento está previsto para o dia 9 de julho, em Mashhad, cidade natal de Khamenei, no nordeste do Irã. Ali Khamenei governou o país por 37 anos, período marcado por crescente isolamento internacional, sanções econômicas, protestos internos e sucessivas crises políticas, enquanto as tensões com Estados Unidos e Israel se aprofundavam ao longo de décadas.

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Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com

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