Sustentabilidade virou lucro na logística. Frota verde, biometano e eletrificação impulsionam margens e novos contratos no transporte.
A logística sustentável passou de discurso ambiental para motor de crescimento econômico no Brasil.Quem lidera esse movimento é a Reiter Log, empresa gaúcha que, nos últimos anos, transformou descarbonização do transporte, eletrificação e biometano em diferenciais competitivos.
A estratégia ganhou força a partir da virada da década de 2020, no Rio Grande do Sul e em São Paulo, quando a companhia decidiu investir pesado em frota verde para atender grandes empresas com metas globais de redução de emissões.
Com mais de 1.900 caminhões próprios, 2.265 funcionários e contratos que adicionaram R$ 5 milhões mensais ao faturamento, a empresa mostra como sustentabilidade, quando bem estruturada, gera retorno financeiro.
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Então o avanço ocorre em um setor marcado por margens apertadas, alta pulverização e pouca diferenciação, onde a maior operadora não chega a 1% do mercado.
Logística sustentável como estratégia de crescimento
A decisão de apostar em logística sustentável não foi reativa.
Segundo Vanessa Pilz, diretora de negócios e ESG da empresa, a escolha foi estratégica e antecipada.
“O transporte é responsável por 25% das emissões globais de gás carbônico.
A gente escolheu não esperar o mercado se mover, decidimos liderar”, afirma Vanessa Pilz.
Hoje, a companhia opera a maior frota sustentável do país, com 290 veículos movidos a gás, além de caminhões elétricos leves e pesados, atraindo clientes comprometidos com a descarbonização do transporte.
Frota verde atrai grandes multinacionais
O avanço da frota verde abriu portas para contratos com empresas globais.
Assim, um dos marcos recentes foi a parceria com a Beiersdorf, dona das marcas Nívea e Eucerin, que se tornou a primeira empresa do setor de beleza no Brasil a operar com caminhão elétrico pesado.
Outro exemplo é a L’Oréal, que escolheu a Reiter Log como parceira estratégica para reduzir emissões no transporte.
“A adoção da logística sustentável impulsiona nosso negócio e traz retorno direto para os clientes”, reforça Vanessa.
Eletrificação avança apesar dos custos elevados
A eletrificação da frota ainda enfrenta barreiras financeiras. Caminhões elétricos podem custar até três vezes mais que modelos convencionais.
Ainda assim, a estratégia se mostra viável em operações dedicadas.
“O custo por quilômetro rodado compensa em rotas fechadas e circuitos dedicados”, explica Vanessa.
A empresa opera veículos elétricos de fabricantes como Volvo, XCMG, JAC e Volkswagen, ampliando a diversificação tecnológica da frota.
Biometano integra logística e agronegócio
Assim um dos pilares mais inovadores da logística sustentável da Reiter Log está no uso de biometano.
A família Pilz também controla a Estância Del Sur, operação de pecuária intensiva que, apenas em 2024, exportou cerca de 240 mil cabeças de gado.
Então os resíduos orgânicos do confinamento são convertidos em combustível renovável, já utilizado por parte da frota.
“Fechamos um contrato com a Geo Energética, fizemos três pontos de abastecimento e criamos um corredor 100% verde entre São Paulo e o Sul”, diz Vanessa.
Hoje, a empresa soma 290 veículos a gás, incluindo o maior pedido individual da Scania no mundo: 124 caminhões adquiridos em uma única compra.
Clientes pagam mais por operações sustentáveis
Então os contratos baseados em descarbonização do transporte permitem margens superiores.
“Tem cliente que paga de 10% a 15% a mais por esse tipo de operação”, afirma Vanessa.
Segundo Hermes Lopes, head de logística da Beiersdorf, os resultados ambientais são mensuráveis:
“Movimentamos 1,6 tonelada de produto por ano com biometano, evitando 106 toneladas de CO₂.”
Governança profissional sustenta resultados
Mesmo sem investidores externos, a Reiter Log cresce com reinvestimento e dívida estruturada. Em 2024, a empresa contratou um CFO para reforçar a governança.
O resultado foi um EBITDA societário de R$ 165 milhões, com margem de 27,3%.
“A gestão é profissional. Não é porque somos uma empresa familiar que a gestão precisa ser familiar”, destaca Vanessa.
Desafios: enchentes e falta de motoristas
Assim, a empresa enfrentou dificuldades severas durante as enchentes no Rio Grande do Sul, em maio de 2024.
Estradas bloqueadas exigiram redirecionamento rápido das rotas, com apoio direto dos clientes.
Então outro desafio está na formação de motoristas.
Para enfrentar a escassez de mão de obra, a Reiter Log criou um programa exclusivo para mulheres. Doze foram formadas, e três seguem na estrada.
“Ainda é um mercado duro, mas vamos insistir”, conclui Vanessa.

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