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Cientistas analisaram o DNA de 1.200 pessoas vivas e acreditam ter encontrado o lugar exato onde a humanidade nasceu há 200 mil anos: um lago gigante no norte de Botsuana que hoje é deserto

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 14/04/2026 às 17:45
Atualizado em 22/04/2026 às 23:41
Região do antigo lago Makgadikgadi em Botsuana onde o Homo sapiens pode ter surgido há 200 mil anos
O antigo lago Makgadikgadi tinha o dobro da área do atual lago Vitória e sustentou os primeiros Homo sapiens por 70 mil anos
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Cientistas rastrearam o DNA de 1.200 pessoas vivas e concluíram que o Homo sapiens nasceu no norte de Botsuana há 200 mil anos, em um lago que hoje é deserto

A pergunta sobre onde a humanidade surgiu é uma das mais antigas da ciência. Em outubro de 2019, um estudo publicado na revista Nature ofereceu uma resposta surpreendente.

Segundo a pesquisa, os primeiros Homo sapiens de Botsuana surgiram há 200 mil anos na região do antigo Lago Makgadikgadi, no norte do país africano.

A conclusão veio da análise do DNA mitocondrial de mais de 1.200 indivíduos vivos de povos khoisan do sul da África.

Essa região, que hoje é dominada pelo deserto de Kalahari e salinas, era há 200 mil anos uma área úmida e fértil.

O lago tinha o dobro da área do atual Lago Vitória, cerca de 130 mil quilômetros quadrados.

A linhagem L0 encontrada no DNA do Homo sapiens de Botsuana é o tronco ancestral de toda a humanidade viva

O estudo identificou a linhagem mitocondrial L0, também chamada de “linhagem zero”.

Esse marcador genético é transmitido exclusivamente de mãe para filho e funciona como um mapa do tempo biológico.

Todos os 7,7 bilhões de seres humanos vivos hoje descendem dessa linhagem, rastreada até o norte de Botsuana.

A pesquisa identificou cerca de 200 sub-ramificações raras dessa linhagem entre os povos khoisan.

Vanessa Hayes, geneticista do Instituto de Pesquisa Médica Garvan em Sydney e líder do estudo, afirmou que “agora está claro que nossos ancestrais devem ter se dispersado de uma região ao sul do rio Zambeze”.

Laboratório de genética onde cientistas analisaram DNA mitocondrial de Homo sapiens de Botsuana

O Homo sapiens de Botsuana viveu 70 mil anos na mesma região antes de se dividir em três ondas de migração que povoaram o planeta

Os dados genéticos revelam que a população ancestral prosperou por 70 mil anos na região pantanosa do Makgadikgadi-Okavango.

Entre 200 mil e 130 mil anos atrás, os primeiros humanos viviam como caçadores-coletores sustentados pelo clima fértil.

Há 130 mil anos, mudanças na órbita e no eixo da Terra causaram secas que abriram “corredores verdes” de terras férteis.

A primeira onda de migração seguiu para o nordeste da África, originando populações que eventualmente se tornaram agricultoras.

Uma segunda onda, entre 130 mil e 110 mil anos atrás, seguiu para o sudoeste, formando comunidades de caçadores-coletores costeiros.

A terceira dispersão povoou o resto da África e, eventualmente, todo o planeta.

“Tudo virou uma loucura. Todas essas novas linhagens humanas simplesmente começam a aparecer”, descreveu Hayes sobre o período das migrações.

Axel Timmermann, coautor responsável pela modelagem climática, descreveu a região como “uma extensão massiva do atual Delta do Okavango”.

Delta do Okavango em Botsuana perto da região onde o Homo sapiens surgiu

O estudo do Homo sapiens de Botsuana é polêmico e nem todos os cientistas concordam com as conclusões

Apesar da publicação na Nature, o estudo gerou controvérsia significativa na comunidade científica.

Críticos apontam que o uso exclusivo de DNA mitocondrial moderno, de pessoas vivas, tem limitações.

Não há fósseis de Homo sapiens datados de 200 mil anos na região de Botsuana para confirmar a tese.

O calor africano degrada o DNA antigo, impedindo análises diretas de material fóssil.

Além disso, as populações khoisan atuais podem não representar fielmente os ancestrais de 200 mil anos.

  • A favor: análise de 1.200 amostras, 200 sub-ramificações raras, modelagem climática consistente
  • Contra: sem fósseis na região, DNA mitocondrial rastreia apenas linhagem materna, possível viés de seleção
  • Consenso: origem africana é unânime, mas local exato permanece debatido

Fósseis comparativos existem em outros pontos da África: Jebel Irhoud no Marrocos tem 315 mil anos, Florisbad na África do Sul tem 260 mil anos e Omo na Etiópia tem 195 mil anos.

Outras descobertas sobre nosso passado, como estruturas gigantes escondidas nas profundezas da Terra, mostram que a ciência continua revelando segredos sobre o planeta e sobre nós mesmos.

Povo khoisan cujo DNA mitocondrial carrega a linhagem L0 ancestral de toda a humanidade

De Botsuana para o mundo: o que significa saber que toda a humanidade descende de um único lago africano

Independentemente das controvérsias, o estudo reforça um fato cientificamente aceito: toda a humanidade surgiu na África.

A pesquisa adiciona uma camada de precisão geográfica ao apontar o norte de Botsuana como candidato a berço específico.

A ideia de que 7,7 bilhões de pessoas descendem de um grupo que viveu às margens de um lago hoje desaparecido conecta toda a humanidade a uma origem comum.

Segundo a Superinteressante, o estudo expandiu a árvore genética humana mas ainda precisa de validação arqueológica.

A National Geographic contextualizou a polêmica e as limitações metodológicas.

O que permanece é a mensagem central: migração e miscigenação são traços fundamentais do que significa ser humano.

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Jeferson
Jeferson
21/04/2026 20:44

Só uma dúvida o homo sapiens quando “surgiu” era um casal?

Renato Bittencourt
Renato Bittencourt
15/04/2026 10:11

Pena que isso não diminua o preconceito que ainda insiste em existir, impregnado em muitos.

Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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