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Homem constrói casa de 100 m² com 11 mil garrafas PET em Minas Gerais e emociona ao revelar que o pai recolheu quase todo o material pela cidade antes que virasse lixo comum

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 13/06/2026 às 19:06
Atualizado em 13/06/2026 às 19:08
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Em vez de seguir apenas o caminho da construção tradicional, um pedreiro apostou em uma solução alternativa e usou embalagens plásticas preenchidas com terra para levantar paredes, economizar recursos e chamar atenção para o descarte urbano.
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Em vez de seguir apenas o caminho da construção tradicional, um pedreiro apostou em uma solução alternativa e usou embalagens plásticas preenchidas com terra para levantar paredes, economizar recursos e chamar atenção para o descarte urbano.

Uma casa erguida com 11 mil garrafas PET parece ideia saída de um experimento escolar, mas virou moradia real em Minas Gerais. O detalhe que transforma a história em algo ainda mais impressionante é familiar: o pai do construtor teria recolhido 90% das garrafas pela cidade, antes que aquele material virasse lixo esquecido nas ruas ou fosse parar no descarte comum.

O caso aconteceu em Extrema, no sul de Minas Gerais, e envolve o pedreiro Ed Mauro Aparecido Morbidelli, que decidiu transformar um terreno em uma casa própria usando criatividade, trabalho manual e uma quantidade gigantesca de embalagens plásticas.

Mais do que uma curiosidade sustentável, a obra virou exemplo de como resíduos urbanos podem ganhar função prática quando há técnica, paciência e disposição para fazer diferente.

A casa que começou com uma imagem e virou projeto de vida

Imagem mostra a casa de aproximadamente 100 m² construída por Ed Mauro Morbidelli em Extrema, Minas Gerais, com cerca de 11 mil garrafas PET preenchidas, material que teve participação decisiva do pai, responsável por recolher quase todas as embalagens pela cidade.
Imagem mostra a casa de aproximadamente 100 m² construída por Ed Mauro Morbidelli em Extrema, Minas Gerais, com cerca de 11 mil garrafas PET preenchidas, material que teve participação decisiva do pai, responsável por recolher quase todas as embalagens pela cidade.

A história registrada pelo Pensamento Verde mostra que Ed Mauro decidiu iniciar a construção em 2010, depois de conhecer experiências de casas feitas com garrafas PET em outros lugares. A ideia não era apenas economizar. Ele queria erguer uma moradia sustentável e provar que um material visto como problema ambiental poderia fazer parte de uma solução.

A casa foi planejada com aproximadamente 100 m², usando as garrafas como parte das paredes. Em vez de simplesmente empilhar plástico vazio, o pedreiro encheu as embalagens com terra, transformando cada garrafa em uma espécie de bloco alternativo.

O trabalho exigiu tempo. Só o preenchimento das garrafas levou cerca de três meses, em um processo cansativo e dependente do clima. Com chuva, a terra ficava mais difícil de manusear. Com sol, o serviço avançava melhor, mas o esforço físico continuava enorme.

O pai que virou peça chave da obra

Casa de aproximadamente 100 m² construída por Ed Mauro Morbidelli em Extrema, Minas Gerais, usando cerca de 11 mil garrafas PET, das quais 90% teriam sido recolhidas pelo próprio pai pela cidade.
Casa de aproximadamente 100 m² construída por Ed Mauro Morbidelli em Extrema, Minas Gerais, usando cerca de 11 mil garrafas PET, das quais 90% teriam sido recolhidas pelo próprio pai pela cidade.

O número de garrafas chama atenção, mas o elemento mais forte da história está na participação do pai. Ele teria recolhido 90% das 11 mil unidades usadas na construção, circulando pela cidade e contando também com a ajuda de conhecidos, vizinhos e amigos.

Esse detalhe muda completamente o peso da narrativa. Não se tratava apenas de juntar material reciclável. Era uma operação familiar, quase diária, para transformar descarte em parede, lixo em estrutura e esforço coletivo em moradia.

A imagem é poderosa: enquanto milhares de garrafas poderiam desaparecer no fluxo comum do lixo urbano, elas foram reunidas uma a uma para formar a casa do filho. A obra ganhou, assim, um valor que vai além do preço dos materiais.

Garrafas no lugar de tijolos e uma construção fora do comum

Na prática, a proposta foi substituir parte dos materiais tradicionais por garrafas PET preenchidas, combinadas com elementos de construção convencional. A base da casa não deixou de usar materiais comuns, como cimento, pedra e estrutura de apoio. O diferencial estava principalmente nas paredes.

Anos depois, em relato ao Instituto Claro, Ed Mauro explicou que buscava uma casa sustentável e decidiu estudar a técnica antes de colocá-la em prática. A construção levou cerca de dois anos até ficar pronta, tempo que revela o tamanho do desafio.

Outro ponto citado por fontes sobre o caso é o conforto térmico. A estrutura com garrafas preenchidas ajudaria a manter a casa mais agradável, com sensação de frescor nos dias quentes e retenção de calor nos dias frios. Esse tipo de resultado, porém, depende da execução, do projeto e das condições da obra.

Por isso, o caso chama atenção, mas não deve ser tratado como receita simples para qualquer construção. Para sair do improviso e entrar em um projeto seguro, uma casa alternativa precisa de avaliação técnica, respeito às normas locais e acompanhamento profissional.

Economia, reaproveitamento e uma pergunta incômoda

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Algumas republicações atribuídas ao G1 citam que a construção teria custado menos de R$ 15 mil, com uso de materiais doados e reaproveitados. Mesmo sendo um valor de época e não comparável diretamente aos custos atuais, ele ajuda a entender por que a história viralizou.

O projeto também reaproveitou outros materiais, como portas, janelas e itens vindos de demolição. Assim, a casa não ficou marcada apenas pelas garrafas, mas por uma lógica mais ampla de reuso, economia e redução de desperdício.

E é justamente aí que surge a pergunta que prende o leitor: quantas outras coisas descartadas todos os dias poderiam ter uma segunda vida se fossem vistas como recurso, e não apenas como lixo?

Por que essa história volta a importar agora

O tema continua atual porque o Brasil ainda enfrenta um enorme desafio com embalagens plásticas. Dados divulgados pela Agência Brasil mostram que o país reciclou 410 mil toneladas de embalagens PET em 2024, volume 14% maior que o registrado em 2022.

O avanço é relevante, mas não apaga a dimensão do problema. Garrafas PET continuam aparecendo em ruas, terrenos, córregos e lixões, especialmente onde a coleta seletiva não chega com eficiência. Nesse cenário, histórias como a de Ed Mauro ganham novo fôlego porque mostram, de forma visual e concreta, o que a reciclagem pode significar fora das estatísticas.

A casa feita com 11 mil garrafas PET não é apenas uma curiosidade de construção sustentável. É uma história sobre família, persistência e criatividade diante de um problema urbano que continua presente.

No fim, o que impressiona não é só o número de garrafas. É imaginar que quase todas foram recolhidas pelo pai, uma por uma, até que aquilo que muitos viam como lixo se transformasse em parede, abrigo e símbolo de uma ideia simples: às vezes, a solução começa exatamente onde a maioria só enxerga descarte.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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