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Adeus cimento: empresa no Japão constrói casa de 100 m² impressa em 3D com terra ao invés de concreto. A casa gera a própria energia, pode reduzir custos, resíduos e emissões; conheça a Lib Earth House

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Escrito por Andriely Medeiros de Araújo Publicado em 03/07/2026 às 21:27 Atualizado em 03/07/2026 às 21:29
Casa impressa em 3D com terra foi construída no Japão com materiais naturais, energia solar e componentes que podem retornar ao solo após o uso.
Casa impressa em 3D com terra foi construída no Japão com materiais naturais, energia solar e componentes que podem retornar ao solo após o uso. (imagem meramente ilustrativa gerada por IA).
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Casa impressa em 3D com terra foi construída no Japão com materiais naturais, energia solar e componentes que podem retornar ao solo após o uso.

Uma residência de 100 metros quadrados construída na província de Kumamoto, no Japão, propõe uma alternativa às estruturas impressas com concreto. Batizada de Lib Earth House, a casa impressa em 3D com terra utiliza uma combinação de solo, cal e fibras naturais, além de produzir a própria energia por meio de painéis solares.

Desenvolvido pela empresa japonesa Lib Work em parceria com a companhia de engenharia Arup e a fabricante italiana de impressoras WASP, o Modelo B foi projetado para reduzir tanto o impacto da construção quanto o volume de resíduos gerado no futuro.

A proposta não deve ficar restrita à primeira unidade. Os responsáveis pelo projeto estabeleceram a meta de entregar mais 10 mil casas até o fim de 2040, apoiados pela futura automatização de todas as etapas construtivas.

Casa impressa em 3D com terra substitui o concreto por composto natural

Grande parte das construções produzidas com impressoras 3D utiliza o concreto como elemento principal. Na Lib Earth House, essa base foi trocada por um composto desenvolvido com materiais naturais e biodegradáveis.

A mistura reúne terra, cal e fibras naturais, formando as paredes da residência sem depender do cimento. A seleção de componentes locais também reduz a necessidade de transportar matérias-primas industriais por grandes distâncias.

O projeto considera não apenas a origem dos materiais, mas o destino que eles poderão receber quando a casa deixar de ser utilizada.

Boa parte da estrutura poderá ser reintegrada ao solo, diminuindo os resíduos associados à demolição. O mesmo princípio poderá ser aplicado quando uma reforma exigir a retirada de paredes ou de outras partes da edificação.

Casa impressa em 3D com terra foi construída no Japão com materiais naturais, energia solar e componentes que podem retornar ao solo após o uso.
Casa impressa em 3D com terra foi construída no Japão com materiais naturais, energia solar e componentes que podem retornar ao solo após o uso. Fonte: Libwork.

Construção segue um modelo digital aplicado em camadas

A primeira fase da obra é conduzida por uma impressora 3D, que deposita sucessivas camadas da mistura de terra conforme as informações do projeto digital. Esse processo forma a estrutura principal da casa. Depois da impressão, uma equipe assume os serviços que completam a residência, incluindo a instalação de portas, vidros, cobertura e acessórios.

As marcas deixadas pela sobreposição das camadas não foram escondidas. Elas continuam visíveis nas paredes internas e passam a integrar o desenho da construção. A madeira também aparece no acabamento e na cobertura de determinadas superfícies, criando contraste com a textura formada durante a impressão.

A organização interna da Lib Earth House foi pensada para favorecer a entrada de iluminação natural. Um espaço aberto localizado no centro da residência distribui claridade pelos ambientes e ajuda a criar a sensação de amplitude.

Mesmo com o uso predominante da terra nas paredes, o interior apresenta acabamento contemporâneo. A forma orgânica da estrutura evidencia o método de fabricação sem transformar a residência apenas em uma demonstração tecnológica.

A casa impressa em 3D com terra procura, dessa maneira, combinar o aspecto natural dos materiais com soluções digitais de projeto e construção.

Casa impressa em 3D com terra produz e armazena energia

A redução do impacto ambiental também envolve o funcionamento diário da residência. Painéis solares geram a eletricidade utilizada no imóvel, enquanto um sistema de armazenamento conserva parte dessa energia. Com essa estrutura, a casa pode operar de maneira autônoma.

Diferentes funções internas foram conectadas a um sistema de controle por smartphone. O morador pode comandar a iluminação, o ar-condicionado e até recursos do banheiro pelo aparelho. A combinação entre geração própria e automação permite que o projeto acompanhe o consumo e integre equipamentos que normalmente funcionariam de forma independente.

Casa impressa em 3D com terra foi construída no Japão com materiais naturais, energia solar e componentes que podem retornar ao solo após o uso.
Casa impressa em 3D com terra foi construída no Japão com materiais naturais, energia solar e componentes que podem retornar ao solo após o uso. Fonte: Libwork.

Sensores avaliam isolamento, condensação e resistência

A primeira Lib Earth House também atua como unidade de testes para as próximas construções. Sensores instalados na residência coletam informações sobre condensação, isolamento térmico e durabilidade dos materiais.

Os resultados permitirão avaliar o comportamento da mistura de terra ao longo do tempo e identificar ajustes necessários antes da expansão do projeto. Esse acompanhamento será importante para verificar como a estrutura reage às condições ambientais e ao uso cotidiano.

Assim, a casa impressa em 3D com terra funciona simultaneamente como moradia, demonstração construtiva e fonte de dados para o desenvolvimento das futuras unidades.

Modelo aposta na economia circular

A possibilidade de devolver componentes ao solo está entre os elementos centrais do projeto.

Em uma construção convencional, reformas e demolições costumam gerar materiais que precisam ser removidos e descartados. Na Lib Earth House, a escolha por componentes naturais busca reduzir esse problema desde o início.

O ciclo proposto inclui três etapas principais:

  • utilização de materiais locais e de baixo impacto;
  • fabricação automatizada a partir de um projeto digital;
  • reaproveitamento ou reintegração de componentes ao final da vida útil.

A estratégia aproxima a construção dos princípios da economia circular, na qual os materiais permanecem em uso ou retornam ao ambiente com menor geração de resíduos.

Automação deverá reduzir etapas manuais

Apesar de a impressão produzir a estrutura principal, parte dos serviços ainda depende do trabalho de uma equipe. Portas, vidros, telhado, acabamentos e acessórios são instalados depois que as paredes ficam prontas.

O próximo objetivo da Lib Work é automatizar todo o processo, desde o início da obra até a entrega da residência concluída. Segundo a proposta, a automação integral poderá diminuir o tempo de construção e os custos envolvidos na produção das próximas unidades.

Essa etapa será decisiva para alcançar a meta de mais de 10 mil casas até o final de 2040.

Casa impressa em 3D com terra foi construída no Japão com materiais naturais, energia solar e componentes que podem retornar ao solo após o uso.
Casa impressa em 3D com terra foi construída no Japão com materiais naturais, energia solar e componentes que podem retornar ao solo após o uso. Fonte: Libwork.

Casa impressa em 3D com terra pode atender áreas rurais

A estrutura leve e adaptável é apontada como uma possibilidade para regiões rurais ou locais atingidos por emergências climáticas. No Japão, onde o projeto foi implantado, a solução também é considerada dentro de um cenário marcado pela ocorrência de desastres naturais.

A fabricação digital permite alterar projetos e adaptar dimensões antes do início da impressão. Já o uso de materiais encontrados nas proximidades pode reduzir a dependência de cadeias longas de fornecimento.

O projeto ainda está em fase de avaliação, e os dados dos sensores deverão ajudar a determinar como as próximas versões poderão ser aprimoradas.

Meta de 10 mil unidades levará projeto a uma nova escala

A Lib Earth House apresenta uma proposta que vai além da troca do concreto por terra.

O projeto reúne materiais biodegradáveis, produção local, impressão automatizada, geração solar, armazenamento de energia e monitoramento digital.

Para transformar a primeira unidade em um modelo produzido em maior quantidade, os idealizadores terão de automatizar as fases que ainda dependem de intervenção manual e incorporar os resultados obtidos pelos sensores.

Caso a meta seja alcançada, a casa impressa em 3D com terra deixará de ser apenas um protótipo construído em Kumamoto e passará a integrar uma produção planejada de milhares de residências até 2040.

Com informações do Ciclo Vivo

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Andriely Medeiros de Araújo

Ensino superior em andamento. Escreve sobre Petróleo, Gás, Energia e temas relacionados para o CPG — Click Petróleo e Gás.

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