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Sem dinheiro para morar no campus e pressionada pelo custo da faculdade, estudante comprou uma minivan usada pelo Facebook, arrancou os bancos, montou uma cama com almofadas e viveu quase dois anos no carro para se formar sem dívidas

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Escrito por Ana Alice Publicado em 04/07/2026 às 07:12 Atualizado em 04/07/2026 às 07:14
Estudante morou em uma minivan usada por quase dois anos para cortar custos e se formar na universidade sem dívidas. (Imagem: Ilustrativa)
Estudante morou em uma minivan usada por quase dois anos para cortar custos e se formar na universidade sem dívidas. (Imagem: Ilustrativa)
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O relato acompanha a rotina de uma universitária que reorganizou transporte, moradia e estudos em torno de uma minivan usada, em uma escolha marcada por economia, improviso e mudanças provocadas pela pandemia.

Andrea Sadowski comprou uma minivan usada por cerca de 1.000 dólares canadenses, o equivalente a aproximadamente US$ 730, e passou quase dois anos morando dentro do veículo enquanto trabalhava em tempo integral e cursava a universidade.

Segundo relato publicado no Business Insider em 7 de maio de 2026, a medida reduziu os gastos com moradia e contribuiu para que ela concluísse a graduação sem dívidas estudantis.

Minivan usada virou alternativa para moradia universitária

A decisão foi tomada quando Sadowski avaliou que sua renda permitia bancar apenas duas de três despesas centrais naquele momento: mensalidade universitária, aluguel ou veículo.

Como a moradia no campus tinha custo elevado e o aluguel comprometeria parte importante do orçamento, ela optou por comprar um carro que também pudesse servir como local para dormir.

O veículo encontrado foi uma Mazda MPV 2005, comprada no Facebook Marketplace após o carro anterior da estudante apresentar falha.

A busca, conforme a autora relata, ocorreu de forma mais rápida do que ela recomendaria, porque havia necessidade imediata de transporte.

Modelos maiores usados por pessoas que vivem em vans, como Volkswagen Vanagon ou Mercedes-Benz Sprinter, ficaram fora do orçamento, já que mesmo unidades usadas costumavam custar valores de cinco dígitos.

A minivan apresentava limitações.

Tinha menos de 300 mil quilômetros rodados, passou razoavelmente no teste de direção, mas os pneus estavam totalmente gastos e faltavam documentos úteis do veículo.

Ainda assim, de acordo com Sadowski, o preço baixo foi um dos fatores considerados na compra.

Para a estudante, o veículo reunia duas funções necessárias naquele período: transporte e abrigo.

Durante quase dois anos, enquanto concluía minha graduação, optei por morar em uma minivan que comprei por um preço baixo no Facebook Marketplace, para assim economizar dinheiro e me formar sem dívidas.  - Imagem: Andrea Sadowski
Durante quase dois anos, enquanto concluía minha graduação, optei por morar em uma minivan que comprei por um preço baixo no Facebook Marketplace, para assim economizar dinheiro e me formar sem dívidas. – Imagem: Andrea Sadowski

Adaptação da Mazda MPV exigiu soluções improvisadas

A adaptação do espaço interno passou por etapas improvisadas.

Em um primeiro momento, Sadowski montou uma cama com madeira e uma placa de compensado, mas depois abandonou a estrutura.

A solução definitiva foi retirar todos os bancos, com exceção dos assentos do motorista e do passageiro da frente, e usar o espaço livre no chão com almofadas de área externa, travesseiros e várias cobertas.

A organização dentro da minivan seguia uma lógica funcional.

As roupas ficavam em uma mala de tecido, enquanto os alimentos eram guardados em um cooler grande e em uma caixa plástica do tipo engradado.

Utensílios de cozinha e equipamentos de camping ocupavam outro recipiente.

Para ter privacidade durante a noite, ela fez coberturas removíveis para as janelas com placas de isolamento refletivo e velcro.

O tamanho da minivan também influenciava a rotina.

Por ter aparência de um carro comum, o modelo chamava menos atenção do que veículos maiores adaptados para moradia.

Isso permitia que Sadowski passasse a noite em locais variados, como ruas residenciais tranquilas, estacionamentos de centros recreativos, entradas de parques públicos e áreas mais escuras do estacionamento da universidade.

A rotina, porém, envolvia cuidados constantes.

Segundo a autora, ela foi acordada uma ou duas vezes por seguranças ou pela polícia por estacionar em locais onde não deveria.

Nos demais períodos, relatou ter enfrentado poucos incidentes e afirmou que, de modo geral, sentia-se segura vivendo no veículo.

A escolha do ponto para dormir exigia atenção ao entorno e discrição.

Adaptações feita por Sadowski
Adaptações feita por Sadowski

Campus universitário ajudava na rotina diária

No dia a dia, a estudante passou a usar intensamente a estrutura disponível no campus.

Preparava café em uma cozinha do prédio da associação estudantil, tomava banho no prédio de atletismo e estudava em áreas silenciosas da biblioteca.

Também procurava banheiros pouco movimentados para escovar os dentes com mais privacidade.

A alimentação dependia de planejamento e de acesso a espaços externos ao veículo.

Em muitos fins de semana, Sadowski preparava grandes quantidades de sopa na casa da mãe, congelava as porções em potes de vidro e levava tudo em seu cooler para consumir ao longo da semana.

Para aquecer as refeições, usava micro-ondas espalhados pelos prédios do campus.

Além das sopas, ela recorria a alimentos simples, baratos e fáceis de armazenar.

Frutas, sanduíches de pão com pasta de amendoim e geleia, macarrão instantâneo, bagels com cream cheese e macarrão com queijo de caixa entravam no cardápio.

Em alguns casos, a refeição era reforçada com salsichas cortadas, combinação mencionada pela autora no relato original em tom de humor.

O apoio de amigos também fez parte da rotina descrita por Sadowski.

Alguns permitiam que ela guardasse compras extras em geladeiras e freezers, enquanto outros ofereciam sofás nas noites de frio mais intenso.

Esses recursos ajudavam a reduzir dificuldades práticas de viver em um veículo, especialmente quando a temperatura tornava a permanência na minivan mais desconfortável.

Pandemia mudou o acesso a espaços compartilhados

Embora tenha gasto milhares de dólares ao longo dos anos com manutenção, consertos e combustível, Sadowski afirmou que o custo ainda ficou abaixo do valor necessário para alugar um imóvel.

A redução da despesa com moradia foi apontada por ela como o principal motivo para conseguir estudar, trabalhar e não acumular dívidas universitárias.

A rotina foi alterada em 2020, com a pandemia de coronavírus no Canadá.

Recursos que antes faziam parte do dia a dia, como sofás de amigos e chuveiros de uso coletivo, deixaram de estar disponíveis.

Durante o verão, ela ainda manteve parte da organização usando fogareiro de camping em mesas de piquenique, tomando banho em um lago próximo e recorrendo a banheiros químicos em parques públicos.

Com a chegada de novembro e a queda nas temperaturas, a estudante avaliou que não conseguiria enfrentar um terceiro inverno na minivan sem acesso regular a espaços internos.

Foi nesse período que decidiu alugar um quarto perto da universidade.

No relato, Sadowski afirma que conseguiu pagar a nova moradia e ressalta que viver no veículo foi uma escolha, não uma necessidade absoluta.

Experiência terminou sem dívidas estudantis

Depois disso, a Mazda MPV deixou de funcionar como moradia principal e voltou a ser usada sobretudo para deslocamento.

O espaço interno ainda serviu em algumas viagens de camping, até que a minivan precisou ser descartada.

Segundo Sadowski, a experiência trouxe dificuldades, mas também permitiu que ela concluísse a universidade sem dívidas e com alguma economia no banco.

Atualmente, a autora mora em um apartamento pequeno com o namorado e o cachorro.

Após o período em que dependia de estruturas externas para tarefas básicas, ela afirma que passou a valorizar aspectos da vida doméstica, como usar o banheiro durante a madrugada, manter uma estante com livros e receber amigos em casa.

A experiência não encerrou sua relação com vans.

Sadowski comprou outro veículo antigo, equipado com cama e caixas de suprimentos de camping.

Segundo ela, o modelo tem espaço suficiente para viagens com o namorado e o cachorro, mas ainda pode ser estacionado em frente ao prédio onde vive.

No relato, Sadowski descreve como a combinação de trabalho em tempo integral, despesas universitárias e custo de moradia levou uma estudante a transformar uma minivan usada em residência temporária.

A rotina dependeu de planejamento, apoio de conhecidos e acesso a estruturas públicas e universitárias.

O caso também evidencia os limites de uma solução baseada em infraestrutura compartilhada, sobretudo quando a pandemia reduziu o acesso a esses espaços.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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