Projeto criado por alunos da rede pública do Ceará usa resíduos do maracujá em biocompósitos testados para retenção de umidade, controle de plantas daninhas e aplicações agrícolas de baixo custo.
Três estudantes da rede pública estadual do Ceará desenvolveram um biocompósito feito a partir de resíduos do maracujá e apresentaram resultados de retenção de umidade no solo por até 21 dias.
O projeto, chamado Sustainpoly, foi criado por Davi Oliveira Silva, João Pedro Monteiro Silva e Jordana da Silva Mendonça, alunos da E.E.M.T.I. Marconi Coelho Reis, em Cascavel, no interior do Ceará.
A pesquisa foi orientada por Francisco Augusto Oliveira Santos e coorientada por Mônica Barbosa Canuto.
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Segundo a FEBRACE, o trabalho recebeu credencial para a Regeneron International Science and Engineering Fair, a ISEF 2026, feira internacional de ciências e engenharia realizada de 9 a 15 de maio, em Phoenix, no Arizona, nos Estados Unidos.
Na etapa internacional, o Sustainpoly recebeu o 4º lugar em Environmental Engineering, com prêmio de US$ 600, conforme a lista oficial da Society for Science.
O projeto também conquistou o 1º lugar em Life Science no prêmio especial da Sigma Xi, The Scientific Research Honor Society, no valor de US$ 1.200.
Biocompósito de maracujá criado no Ceará
O Sustainpoly tem como base o aproveitamento de coprodutos do maracujá, especialmente o mesocarpo, parte presente na casca do fruto.
A partir desse material, os estudantes obtiveram o hidrogel do mesocarpo, identificado no pôster técnico como HMM, usado na produção de biocompósitos com aplicações no solo, no cultivo e na pós-colheita.
O pôster apresentado na mostra virtual da FEBRACE informa que 75% do peso total do maracujá pode virar resíduo.
A partir dessa justificativa, os alunos estruturaram a pesquisa para transformar o descarte do fruto em matéria-prima para dois materiais principais: a banda polimérica e o biofilme de exopolissacarídeo.
A proposta foi apresentada como uma plataforma polimérica multifuncional, biodegradável e economicamente viável.
A descrição consta no material técnico do projeto, que compara o Sustainpoly a polímeros convencionais e aponta diferenças relacionadas à origem do material, ao custo e à possibilidade de uso na agricultura familiar.

Retenção de umidade no solo por até 21 dias
De acordo com a FEBRACE, os materiais desenvolvidos pelos estudantes foram testados em diferentes condições e demonstraram retenção de umidade do solo por até 21 dias.
O mesmo texto informa redução de até 87% na infestação de ervas daninhas, além de ação repelente contra pragas.
No pôster técnico, o resultado de manutenção da umidade aparece associado ao biofilme de exopolissacarídeo, com índice de 96,65%.
O material também registra redução de 87,14% na infestação por capim-carrapicho em relação à área sem cobertura, dentro das condições de teste descritas pelos autores.
A pesquisa avaliou ainda efeitos ligados ao manejo de pragas.
Segundo o pôster, os ensaios envolveram moscas-das-frutas e formigas cortadeiras, com ação inseticida de 99,33% e indicação de atoxicidade para organismos não alvo.
Esses dados se referem aos experimentos apresentados na feira e não indicam, por si só, uso comercial já aprovado.
Baixo custo e agricultura familiar
O custo de produção também aparece entre os dados apresentados pelos estudantes.
Conforme o pôster da FEBRACE, a banda polimérica teve custo de R$ 0,07 por 200 gramas, enquanto o biofilme de exopolissacarídeo chegou a R$ 0,17 pela mesma quantidade.
A comparação feita pelos autores classifica o Sustainpoly como multifuncional, biodegradável, de origem local e viável para a agricultura familiar.
Já os polímeros convencionais são descritos no quadro técnico como sintéticos e de maior impacto ambiental, segundo os critérios usados no próprio projeto.
Com esses dados, a pesquisa foi apresentada como uma alternativa de baixo custo para aplicações agrícolas.
A formulação, no entanto, ainda deve ser entendida dentro do escopo de um trabalho científico estudantil, com resultados vinculados aos testes divulgados na FEBRACE e na ISEF.
Sustainpoly na Regeneron ISEF 2026
A FEBRACE informou que o Sustainpoly recebeu credencial para a ISEF 2026 na lista de projetos selecionados para representar o Brasil.
O trabalho aparece entre os projetos do Ceará credenciados para a feira, com autoria dos três estudantes de Cascavel e orientação de Francisco Augusto Oliveira Santos.
A Regeneron ISEF reúne estudantes do ensino médio selecionados por feiras afiliadas, nacionais, regionais ou locais.
Na edição de 2026, a Society for Science anunciou os prêmios principais em 15 de maio, em Phoenix, e incluiu o Sustainpoly entre os vencedores da categoria Environmental Engineering.
O prêmio especial da Sigma Xi foi divulgado em cerimônia própria.
Na lista oficial, o projeto dos estudantes cearenses aparece como vencedor do 1º lugar em Life Science, com a descrição em inglês voltada a biopolímeros baseados em hidrogel para reaproveitamento de resíduos agroindustriais e agricultura sustentável.
Aplicações no solo, cultivo e pós-colheita
Além da retenção de umidade e do controle de plantas daninhas, o Sustainpoly incluiu testes na etapa de pós-colheita.
Segundo o pôster técnico, os frutos tratados com os recobrimentos apresentaram redução média de 64,1% na perda de massa e aumento de até 350% na vida útil, nas condições avaliadas pelos autores.
Esses resultados foram apresentados em gráficos comparativos envolvendo banana, maçã e mamão.
O material da FEBRACE informa que as médias acompanhadas de letras diferentes tiveram diferença significativa pelo teste de Tukey, com p<0,05, critério estatístico usado pelos autores para avaliar os dados do experimento.
A pesquisa também menciona estabilidade térmica para uso agrícola e diferenças de propriedades tecnológicas entre os biocompósitos.
Esses pontos aparecem no painel técnico, que organiza o trabalho em três frentes: solo, cultivo e pós-colheita.
Ciência feita por estudantes da escola pública
A autoria do projeto foi registrada pela mostra virtual da FEBRACE na área de Ciência e Tecnologia de Alimentos.
A página oficial identifica os três estudantes, a escola Marconi Coelho Reis e a orientação responsável pelo trabalho.
No texto de divulgação sobre a premiação internacional, a FEBRACE afirmou que estudantes do Ceará foram premiados na Regeneron ISEF 2026 e citou o Sustainpoly entre os projetos reconhecidos.
A mesma publicação informa que a feira internacional ocorreu entre 9 e 15 de maio em Phoenix.
O caso mostra uma pesquisa escolar construída a partir de uma demanda agrícola concreta: o uso de água no solo, a presença de ervas daninhas e o reaproveitamento de resíduos do maracujá.
A relevância ambiental e agrícola dessas aplicações é apresentada pelas fontes do próprio projeto e pela FEBRACE, sem registro de adoção comercial em larga escala nas fontes oficiais consultadas.
Ao transformar a casca do maracujá em biocompósitos testados para solo, cultivo e pós-colheita, os estudantes levaram uma pesquisa desenvolvida no interior do Ceará a uma competição internacional.
Outros resíduos da produção agrícola brasileira também podem ser estudados com foco em baixo custo e aplicação no campo.

