Uma casa improvisada de dez andares em Guizhou virou ponto turístico após uma disputa de anos entre um morador e autoridades locais, até ser demolida em poucas horas por ordem administrativa.
A casa de dez andares construída por Chen Tianming sobre um antigo bangalô de pedra foi demolida em Xingyi, na província de Guizhou, no sudoeste da China, após anos de disputa entre o morador e autoridades locais.
A estrutura, formada por madeira, escadas, varandas e cômodos sobrepostos, havia se tornado ponto de visitação, mas foi derrubada na quarta-feira (20), depois de um aviso final emitido dois dias antes pelo governo local.
Segundo a AFP, Chen, de 43 anos, afirmou que os agentes levaram apenas algumas horas para reduzir a construção ao formato original de um pavimento.
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O imóvel partia de uma casa simples da família e havia sido ampliado ao longo de quase oito anos, com um gasto estimado pelo próprio morador em cerca de 200 mil yuan, o equivalente a aproximadamente US$ 29 mil.
“Eu não sinto arrependimento, porque o arrependimento é inútil”, disse Chen à agência de notícias.
Ele também afirmou não se culpar por não ter conseguido proteger a casa, porque, segundo relatou, a força que levou à destruição era “simplesmente poderosa demais”.
Casa de dez andares virou caso conhecido de “nail house” em Guizhou
O imóvel passou a receber atenção depois que a maior parte da vila onde Chen morava foi demolida, em 2018.
As autoridades planejavam construir um resort turístico em uma área conhecida por paisagens montanhosas e campos de arroz, mas a família do morador recusou deixar a propriedade.
Com o projeto turístico sem avanço previsto, Chen começou a erguer novos andares sobre o bangalô familiar.
A casa passou a ser citada como uma “nail house”, termo usado na China para imóveis cujos proprietários resistem à remoção em áreas destinadas a obras ou planos de desenvolvimento.
A ampliação ocorreu de forma gradual.
Reportagens da AFP publicadas por veículos internacionais informaram que Chen concluiu o quinto andar em 2019, o sexto em 2022 e o sétimo em 2023, enquanto continuava recebendo notificações de demolição.
O resultado era uma estrutura vertical com passagens estreitas, vigas, escadas, anexos de madeira e pisos sobrepostos.
A construção também passou a atrair visitantes.
De acordo com a AFP, turistas e veículos chineses compararam o visual da casa às construções fantásticas associadas aos filmes do animador japonês Hayao Miyazaki, cofundador do Studio Ghibli.

Autoridades alegaram falta de licença e risco de segurança
Apesar da visitação, o imóvel estava sob questionamento das autoridades havia anos.
O governo local afirmava que a construção não tinha as licenças necessárias e representava risco de segurança.
A casa era sustentada por elementos improvisados, incluindo madeira, vigas, andaimes de bambu, cordas e cabos.
Em agosto de 2024, autoridades classificaram a casa como construção ilegal.
Na ocasião, Chen recebeu ordem para remover tudo o que havia sido acrescentado ao imóvel original, preservando apenas o antigo bangalô de pedra.
O morador contestou a decisão, apresentou recursos e tentou levar o caso a órgãos administrativos e tribunais.
Ainda assim, as medidas não impediram a ação final de demolição, segundo as informações publicadas pela AFP.
No dia 18 de maio de 2026, o Escritório de Aplicação Administrativa Coordenada de Xingyi emitiu o último aviso.
O documento determinava que Chen e sua família deixassem a construção considerada ilegal até as 9h da quarta-feira (20), horário local.
Depois do prazo, agentes de fiscalização e integrantes do departamento de segurança pública foram ao imóvel.
Chen relatou que ele e os pais foram retirados da casa por autoridades locais, e disse que seu telefone foi confiscado durante a operação.
Imagens feitas depois da demolição mostraram pilhas de materiais espalhadas no local onde antes ficava a estrutura de dez andares.
A AFP informou que a construção foi reduzida praticamente ao primeiro pavimento, correspondente ao bangalô original.
Chen Tianming afirma que buscará ajuda jurídica
Após a derrubada, Chen afirmou à AFP que pretende buscar ajuda jurídica para tentar fazer com que a demolição forçada seja considerada ilegal.
Ele disse que ainda quer defender seus direitos, embora tenha reconhecido a dificuldade de reverter a classificação oficial da obra como construção irregular.
A casa havia acumulado diferentes usos ao longo dos anos.
Além de servir como moradia, passou a ser apresentada em reportagens como uma construção pessoal de Chen e como ponto de visitação informal para turistas que iam ao local fazer fotos.
Em entrevista anterior à AFP, Chen disse que começou a construir por necessidade prática, com a intenção de reformar e ampliar o espaço da família.

Depois, segundo relatou, a obra passou a ser também um interesse pessoal e um hobby.
O caso ocorreu em uma região onde, segundo reportagens internacionais, autoridades tinham planejado um resort turístico de 324 hectares, com teatro e lago artificial.
O projeto foi cancelado meses depois, mas parte das casas da vila já havia sido demolida, enquanto a família de Chen permaneceu no local.
Antes da derrubada, a casa se destacava visualmente em relação aos terrenos ao redor, de acordo com as descrições publicadas pela AFP.
A estrutura reunia cômodos empilhados, passagens improvisadas, madeira exposta e lanternas decorativas usadas por Chen ao anoitecer.
Para as autoridades, os elementos usados na construção reforçavam a alegação de risco de segurança.
Já moradores e visitantes citados pela AFP viam o imóvel como uma atração local; uma moradora identificada como He Diezhen afirmou, antes da demolição, que a casa era “bonita” e poderia se tornar um ponto turístico oficial caso não houvesse problemas de segurança.
Com a ação de maio de 2026, a estrutura construída ao longo de quase oito anos deixou de existir no formato que havia atraído turistas e veículos de imprensa.
Segundo Chen, caso consiga fazer a demolição ser declarada ilegal, ele poderá tentar restaurar o imóvel.
A disputa em torno da casa reuniu questões sobre remoção de moradores, projetos de desenvolvimento, segurança estrutural e limites de construções sem licença.
No caso de Chen Tianming, essas questões permaneceram concentradas em um imóvel familiar que passou de bangalô de pedra a estrutura de dez andares antes de ser derrubado por ordem administrativa.

