Brasil quer ampliar fatia global em minerais críticos para 12,2% e avanço da participação brasileira na mineração promete gerar 800 mil novos empregos diretos até 2050 e investimentos bilionários no setor
O Brasil pode sair de uma fatia de 8,3% para 12,2% da produção global de minerais críticos até 2050, segundo o Plano Nacional de Mineração 2050. A projeção coloca o país em uma disputa cada vez mais estratégica, justamente no momento em que baterias, energia limpa e indústria de alta tecnologia dependem desse tipo de insumo.
O documento também mira mudanças amplas para o setor mineral como um todo. A ideia é elevar a participação da mineração no PIB de 3,3% para 4,8% em 25 anos, além de ampliar a geração de empregos e acelerar a análise de processos ligados à atividade.
Os detalhes do PNM 2050 serão apresentados nesta quinta-feira (2) aos ministros que participam da reunião do CNPM, o Conselho Nacional de Política Mineral. Segundo a agenciainfra.com, uma fonte oficial ouvida pela Agência iNFRA afirmou que novos incentivos para o setor, como os previstos no marco legal em discussão no Senado, podem ampliar ainda mais a meta de produção.
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Minerais críticos entram no centro da estratégia brasileira
O salto projetado para os minerais críticos é o dado que mais chama atenção no plano. Esses insumos são considerados essenciais para cadeias industriais ligadas à transição energética, e a ampliação da fatia brasileira indica uma tentativa de posicionar o país em uma faixa mais competitiva desse mercado.
A avaliação do governo, de acordo com o material divulgado, é que a política pública pode ganhar força com incentivos extras. A fonte oficial ouvida pela Agência iNFRA disse que esse conjunto de medidas pode “aumentar o sarrafo” da política voltada ao setor e permitir que o país vá além da meta inicial.
Mineração pode ganhar 800 mil empregos diretos até 2050
Além da produção, o plano projeta impacto direto no mercado de trabalho. A mineração pode abrir mais 800 mil empregos diretos até 2050, chegando a 2,8 milhões de postos diretos no período, de acordo com o documento estratégico.
Esse avanço reforça a aposta do governo em transformar a cadeia mineral em um dos motores de atividade econômica nos próximos anos. A projeção também vem acompanhada de uma mudança na composição do setor: a indústria de transformação mineral deve avançar de 51,5% para 65% de participação no PIB do setor.
Governo quer encurtar pela metade a análise de processos
Outro ponto central do PNM 2050 é a tentativa de reduzir a burocracia. O plano prevê cortar mais da metade do tempo médio de análise de processos minerais, reduzindo o prazo de 1.563 dias para 780 dias nos próximos 25 anos.
Na prática, a meta é destravar etapas que hoje alongam o caminho entre o pedido e a decisão final. O governo também quer reforçar os investimentos em pesquisa mineral, com aportes privados subindo de R$ 1,5 bilhão para R$ 2,7 bilhões por ano.
Plano de metas deve sair em até 180 dias
Com a nova estratégia, o governo pretende detalhar as ações em um Plano de Metas e Ações, que deve ser publicado em até 180 dias. Depois disso, o material será revisado a cada quatro anos, segundo o cronograma informado no documento.
O desenho do PNM 2050 mostra um esforço para combinar expansão produtiva, mais empregos e maior investimento, enquanto o país tenta se firmar de vez na corrida global por minerais considerados essenciais. Se o plano sair do papel no ritmo esperado, a disputa por esses recursos pode ganhar um novo peso na economia brasileira.
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