Falência da Serede, decretada em 19 e seguida de demissão em massa anunciada em 22, deixa 4,8 mil funcionários ligados à Oi sem rescisão definida, empurra créditos trabalhistas para a Justiça falimentar e acende alerta sobre risco a serviços essenciais de telecomunicações em todo o país e milhares de famílias.
A falência da Serede, empresa de serviços de rede ligada à Oi, foi decretada na sexta-feira, 19, com antecipação dos efeitos da liquidação e anúncio, já na segunda-feira, 22, da rescisão de todos os contratos de trabalho de cerca de 4,8 mil funcionários diretos. A companhia passou a se apresentar formalmente como Massa Falida da Serede e afirma estar legalmente impedida de manter operações fora dos limites autorizados pelo juízo responsável pelo processo.
Sem termos de rescisão formalizados nem definição clara sobre o pagamento de salários, férias, horas extras, verbas rescisórias, FGTS e acesso ao seguro-desemprego, os trabalhadores foram orientados a devolver ferramentas e equipamentos e a habilitar seus créditos na Justiça, o que, segundo sindicatos, significa empurrar as famílias para “o fim de uma fila infinita” enquanto a rede de telecomunicações da Oi segue em risco.
Falência encerra atividades e paralisa a operação da Serede
Com a decretação da falência na sexta-feira, 19, a Serede teve suas atividades empresariais oficialmente cessadas.
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A Massa Falida da Serede declara que está proibida de dispor de bens ou manter operações além do que for autorizado judicialmente, o que, na prática, paralisa a estrutura que atendia a Oi em todo o país.
O comunicado interno enviado na segunda-feira, 22, confirma a rescisão de todos os contratos.
Cerca de 4,8 mil trabalhadores diretos foram dispensados de uma só vez, em um desligamento coletivo que atinge técnicos de campo, profissionais administrativos e equipes responsáveis pela implementação e manutenção de rede.
A empresa afirma que os sindicatos serão mantidos informados e envolvidos no acompanhamento desse desligamento coletivo, mas as entidades classificam o movimento como abrupto, desorganizado e prejudicial tanto para trabalhadores quanto para a continuidade dos serviços prestados à Oi.
Demissão em massa, rescisões travadas e devolução de equipamentos
Além de perderem o emprego da noite para o dia, os trabalhadores ouviram da Massa Falida da Serede que todos os créditos trabalhistas passam a ter natureza de créditos concursais, seguindo a ordem de prioridade definida na Lei de Falências.
Entram nessa lista salários atrasados, férias, horas extras, verbas rescisórias e depósitos de FGTS não recolhidos, entre outros.
Na prática, isso significa que o ex-funcionário entra em um bolo de credores que dependerá da evolução da falência, da venda de ativos e da decisão judicial para receber o que tem direito. Nada é imediato, nada é garantido no curto prazo.
Ao mesmo tempo, a empresa exige a devolução de todos os bens sob guarda dos empregados: ferramentas de trabalho, notebooks, celulares, dispositivos eletrônicos, veículos, equipamentos de proteção individual, materiais e insumos.
Para os sindicatos, a ordem de recolher equipamentos enquanto muitos ainda atendem contratos ligados à Oi Soluções aumenta o risco de colapso operacional.
Créditos trabalhistas vão para a Justiça e alimentam “fila infinita”
No comunicado, a Massa Falida orienta os trabalhadores a habilitar seus créditos no processo de falência e procurar a Justiça do Trabalho para apuração e liquidação dos valores.
Na visão das entidades, isso equivale a transferir todo o peso da falência para quem menos pode arcar com ele: o empregado.
As federações de trabalhadores em telecomunicações apontam que essa orientação é, na prática, “empurrar o trabalhador para o fim de uma fila infinita”, já que os pagamentos dependem de etapas complexas do processo falimentar, disputas com outros credores e da própria capacidade de recuperar valores com a venda de patrimônio.
Enquanto isso, a tomadora de serviços, a Oi S.A., é acusada de assistir à situação sem assumir sua responsabilidade subsidiária imediata.
Para os sindicatos, não é razoável que uma rede essencial de telecomunicações seja mantida à custa de trabalhadores sem salário, sem verbas rescisórias e sem perspectiva de receber o que lhes é devido.
Sindicatos falam em inconsequência, desrespeito e erro estratégico
A reação sindical foi dura. Em nota conjunta, as federações nacionais FITRATELP, FENATTEL e FITTLIVRE manifestaram “profunda indignação e repúdio” ao comunicado assinado pela administradora judicial Tatiana Binato.
Segundo as entidades, o texto é uma afronta aos direitos sociais e revela uma visão burocrática que ignora o drama de quase 5 mil famílias e a estabilidade do setor de telecomunicações no Brasil.
Ao declarar a rescisão automática de todos os contratos e exigir devolução imediata de ferramentas e veículos, a administração judicial, segundo os sindicatos, desconsidera a complexidade da operação da Serede e o fato de que parte do efetivo ainda atende serviços críticos, como os prestados à Oi Soluções.
O presidente da FITRATELP, João Moura Neto, classificou a postura como inconsequente, irresponsável e desrespeitosa.
Ele denuncia que não foram entregues termos de rescisão, não houve comunicação sobre encerramento de contas de INSS e FGTS e não foram emitidas as guias do seguro-desemprego, deixando os trabalhadores sem documentos básicos para tentar se recolocar ou acessar benefícios.
Para João Moura Neto, demitir 100% do efetivo de uma vez é um “erro estratégico que trará consequências drásticas”.
Sem trabalhadores para desmobilizar patrimônio de forma organizada ou manter as operações ativas que ainda geram receita, como os contratos da Oi Soluções, a Massa Falida estaria acelerando a destruição de valor da empresa e produzindo prejuízos irreparáveis para os empregados.
Risco para a infraestrutura da Oi e serviços essenciais em todo o Brasil
Além do impacto humano, as federações destacam o risco sistêmico da falência conduzida dessa forma. A interrupção abrupta das atividades da Serede coloca em risco a manutenção da infraestrutura de telecomunicações do Grupo Oi, que atende tanto serviços públicos quanto privados considerados essenciais em todo o Brasil.
Na visão das entidades, a combinação de demissão em massa, recolhimento de equipamentos e paralisação de equipes técnicas pode provocar falhas em serviços de telefonia, dados e soluções corporativas, com potencial reflexo em órgãos públicos, empresas privadas e até serviços de emergência.
Para os sindicatos, o cenário atual expõe uma contradição: enquanto milhares de trabalhadores são mandados para a Justiça da falência para tentar receber direitos básicos, a estrutura de telecomunicações que eles ajudaram a construir e manter segue sendo fundamental para o país.
E você, como avalia essa falência da Serede e o impacto dela sobre trabalhadores e serviços de telecomunicações no Brasil?

Isso q da privatizar no Brasil. Agora todo mundo se faz de esquecido e empurra um para o outro. A responsabilidade e do governo e da oi. O Governo pq privatizou o setor de telecomunicações e a operadora oi pq assumiu a concessão. A operadora oi assumiu o setor e terceirizou o serviço. Ela e a responsável.
Faço parte destes quase 5 mil funcionários demitidos sem recisão, está sendo o pior natal de nossas vidas e não temos ninguém para nós apoiar, só Deus.
Faço parte dessa massa,e o q fizeram foi covardia com todos…
Pura covardia ,e a Oi tem que se responsabilizar e sem falar fos funcionários que estao afastados.por acidente de trabalho,os trabalha querem os seus direitos e a serede/OI tem pagar!
A Oi e VTal tem sua plena participação em tudo isso. Imagine você ter um filho uma filha pedir o que comer , e você olhar nos olhos e dizer amor papai foi desempregado e está sem dinheiro. Essa é a pior dor. Fora que os planos de saúde e odontologia foram todos bloqueados por falta de pagamento.
Trabalhamos , demos nosso melhor e agora isso.
Essa justiça falha que pune apenas a classe que mais precisa o funcionário
A Tatiane que é representante jurídica da empresa desdenha da classe trabalhadora, falta as reuniões com sindicato, apenas decretou falencia sem ao menos pensar no que estava envolvido.
Aliás isso é a justiça dos homens falha e cega.
Estamos sem salário,sem comida, sem recisão, sem direitos trabalhistas .
Maior absurdo com quem mais precisa e movimenta o Brasil a classe trabalhadora e ninguém faz nada apenas assiste