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Políticos americanos revelam a estratégia ideal para os EUA impedirem o fortalecimento dos BRICS, barrar a desdolarização e garantir que o dólar permaneça no topo da economia mundial

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 14/11/2025 às 15:33 Atualizado em 14/11/2025 às 15:34
Hudson Institute aponta estratégias dos EUA para enfrentar BRICS, evitar desdolarização e manter o dólar no comando da economia global
Hudson Institute aponta estratégias dos EUA para enfrentar BRICS, evitar desdolarização e manter o dólar no comando da economia global
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Análise do Hudson Institute detalha como Washington enxerga o avanço dos BRICS, alerta para riscos à centralidade do dólar e descreve medidas para preservar o poder financeiro dos EUA

O Hudson Institute, um dos mais influentes think tanks de política pública dos Estados Unidos, publicou uma análise detalhada sobre como o país deveria responder ao avanço do BRICS.

O estudo argumenta que o bloco, antes limitado a uma articulação informal entre grandes mercados emergentes, tornou-se uma ameaça direta à supremacia financeira americana.

Também aponta caminhos estratégicos para preservar a centralidade do dólar e impedir que o grupo consolide uma ordem econômica paralela.

O artigo a seguir apresenta, em linguagem jornalística, o conteúdo integral dessa análise do Hudson Institute, sem acréscimos, interpretações ou dados externos.

O alerta inicial e a origem do BRICS

Em julho de 2025, o presidente Donald Trump afirmou ao seu gabinete que o BRICS foi criado para prejudicar os Estados Unidos e desvalorizar o dólar.

Essa declaração expressa a preocupação crescente em Washington diante da rápida expansão e articulação internacional do bloco.

=Para o Hudson Institute, a criação do BRICS não ocorreu de forma aleatória. O instituto destaca que o bloco é resultado de um acúmulo histórico de sentimentos desde a Guerra Fria e das lutas pós-coloniais.

Segundo o material, o Movimento Não Alinhado, lançado em Belgrado em 1961, firmou institucionalmente o desejo dos recém independentes de escapar da escolha binária entre Estados Unidos e União Soviética. O estudo diferencia dois tipos de neutralidade.

A neutralidade a favor priorizava soberania e liberdade de ação, com exemplos como a Índia de Jawaharlal Nehru e a Iugoslávia de Josip Broz Tito.

A neutralidade contra, por outro lado, representava uma oposição indireta aos Estados Unidos, ainda que alguns governos da década de 1970 alegassem não alinhamento enquanto dependiam do apoio soviético.

Essas tendências atravessaram crises da dívida nos anos 1980, o colapso soviético em 1991 e o momento unipolar dos anos 1990.

No início dos anos 2000, segundo o instituto, a China revitalizou esse movimento ao se apresentar como defensora do mundo em desenvolvimento, expandindo laços com África, Ásia e América Latina e promovendo a multipolaridade como alternativa à dominância financeira ocidental.

As motivações dos membros do BRICS

O Hudson Institute explica que Rússia, Brasil e Índia interpretam o BRICS de maneiras distintas. A Rússia, marcada pela turbulência da década de 1990, adotou o bloco como uma estrutura de resistência, posicionando-se dentro da tradição de neutralidade contra os Estados Unidos.

Após as sanções de 2014 e 2022 impostas por Washington, Moscou passou a utilizar o BRICS como espaço para desafiar a ordem financeira liderada pelos americanos.

O instituto destaca que a criação do Novo Banco de Desenvolvimento em 2014, a expansão de acordos bilaterais de swap e a tentativa de promover comércio em yuan fazem parte dessa estratégia.

O Brasil, por sua vez, adota flexibilidade. Sua diplomacia busca influência sem romper com Washington ou Bruxelas.

Já a Índia mantém forte valorização da autonomia, herança de seu papel no Movimento Não Alinhado. Porém, sua rivalidade com a China limita sua disposição de aceitar estruturas que ampliem o poder de Pequim, embora Nova Déli invista na estrutura do BRICS.

O Hudson Institute avalia que a agenda financeira do bloco transforma antigos sentimentos de não alinhamento em uma ameaça concreta aos interesses dos Estados Unidos.

Mesmo reconhecendo que o BRICS não tem coesão para substituir o dólar por completo, o instituto alerta que o bloco pode corroer a legitimidade da ordem monetária liderada por Washington.

A centralidade do dólar e a ameaça do BRICS

O estudo afirma que o poder econômico global dos Estados Unidos repousa sobre dois pilares principais: a centralidade do dólar e o domínio da rede SWIFT.

O Hudson Institute explica que o SWIFT fornece visibilidade dos fluxos financeiros globais e permite que Washington aplique sanções, combata lavagem de dinheiro e interrompa o financiamento de atividades ilícitas.

O material compara o sistema atual à antiga estrutura hawala, um método informal de transferência de valor que opera sem registros centralizados.

Segundo o instituto, o BRICS busca criar canais financeiros resistentes à fiscalização externa, de modo semelhante ao hawala, mas com coordenação oficial entre grandes economias.

O Hudson Institute ressalta que iniciativas como o Novo Banco de Desenvolvimento, o Sistema de Pagamentos Interbancários Transfronteiriços da China e a ampliação dos swaps cambiais representam a transição de alternativas marginais para instituições formais. Isso desloca o desafio do dólar da periferia para o centro das finanças globais.

O estudo recorda que a capacidade de Washington de restringir o acesso ao SWIFT foi demonstrada nas sanções contra Irã em 2012 e Rússia em 2022. Por isso, Estados hostis buscam alternativas que preservem sua soberania financeira.

O texto cita que, após 2014, a Rússia criou o SPFS, inspirado no SWIFT, mas sua aceitação foi limitada porque poucos países estavam dispostos a manter rublos.

As possíveis alternativas ao dólar dentro do BRICS

O Hudson Institute detalha as opções que o bloco discute para reduzir a relevância da moeda americana.

Moedas nacionais alternativas

A China aposta em aumentar o comércio internacional em yuan, usando acordos de swap e o CIPS. Depois das sanções ao comércio russo, as transações bilaterais em yuan e rublo cresceram.

A Índia experimenta comércio baseado em rupias. No entanto, o instituto observa que o yuan representa apenas pequena fração das transações globais e enfrenta obstáculos como controles de capital e restrições de conversibilidade.

Acordos de escambo e compensação

Índia e Rússia já utilizam escambo e transações diretas entre rupias e rublos. O Irã depende dessas estruturas há anos para compensar a falta de moeda forte. O instituto reforça que esses sistemas servem como soluções emergenciais, mas são difíceis de ampliar.

Moedas digitais

O cenário mais disruptivo, segundo o Hudson Institute, incluiria sistemas baseados em criptomoedas. O texto menciona que stablecoins funcionam como um sistema bancário paralelo em países sancionados. Embora ampliem o alcance digital do dólar, representam brechas de supervisão.

O BRICS discute opções para eliminar essa dependência, e a China já implementa o yuan digital. Contudo, divergências internas, restrições chinesas e volatilidade de criptos impedem um avanço conjunto. O projeto BRICS Pay ainda está em fase inicial.

A segunda frente do BRICS: o Golfo

O Hudson Institute dedica extensa parte da análise ao papel estratégico do Golfo na disputa monetária. O estudo afirma que o bloco vê a região como campo de batalha crucial para minar o domínio do dólar.

A China lidera o esforço por meio de pressão para que produtores de petróleo aceitem liquidações em yuan, ampliação do papel da Huawei na infraestrutura de telecomunicações e incentivo para que fundos soberanos do Golfo invistam em plataformas denominadas em yuan e tecnologias como blockchain.

A Rússia e o Irã também buscam corroer a dependência regional do dólar, utilizando transações em rublos, riais iranianos, ouro, escambo e redes de criptomoedas.

O instituto destaca que esses sistemas demonstram aos parceiros do Golfo que o comércio pode sobreviver fora da órbita do dólar, mesmo sob forte pressão dos Estados Unidos.

A entrada dos Emirados Árabes Unidos e o avanço sobre a Arábia Saudita

Para o Hudson Institute, a adesão dos Emirados Árabes Unidos ao BRICS em 2023 representa fator de legitimidade significativo para o bloco. O documento ressalta que essa adesão não rompe a parceria com Washington, mas reflete o cálculo de que os benefícios do BRICS têm baixo custo.

A Arábia Saudita, embora ainda não tenha aderido formalmente, já participa de cúpulas, discute vendas de petróleo em yuan e firma estruturas de investimento com a China. Segundo o estudo, esses movimentos tornam mais difícil para os Estados Unidos argumentar que o bloco é marginal ou hostil.

O instituto alerta que, se Washington não responder de forma eficaz, o Golfo pode se tornar um laboratório para alternativas financeiras patrocinadas pelo BRICS.

Recomendações do Hudson Institute para os Estados Unidos

A parte final do material apresenta as recomendações estratégicas do think tank.

Proibir dupla participação

O Hudson Institute sugere que qualquer instituição financeira que opere em sistemas criados para contornar o SWIFT perca acesso a transações SWIFT e transações em dólares. Para o instituto, o cálculo seria simples: perder o sistema americano é prejuízo maior do que entrar em redes paralelas.

Fortalecer a supervisão das stablecoins

O instituto aponta que, apesar de algumas stablecoins reforçarem o dólar por serem lastreadas na moeda, outras podem ser usadas para burlar sanções. O estudo destaca o papel da Lei GENIUS, assinada por Trump, mas afirma que medidas adicionais serão necessárias conforme a tecnologia evolua.

Pressão diplomática e econômica contínua

O Hudson Institute recomenda que Washington deixe claro aos países interessados em aderir ao BRICS os custos de integrar um projeto concebido para enfraquecer os Estados Unidos. Para isso, os americanos devem oferecer alternativas reais, como investimentos e assistência em infraestrutura.

Conclusão do Hudson Institute

O think tank conclui que o dólar é um dos ativos estratégicos mais importantes dos Estados Unidos. Preservar a centralidade da moeda garante supervisão global, capacidade de impor regras e força diplomática em disputas entre grandes potências.

O Hudson Institute afirma que o BRICS ameaça essa hegemonia ao criar canais opacos de comércio e finanças. Para evitar o avanço dessa ordem paralela, Washington deve defender o SWIFT, regular stablecoins, exercer pressão diplomática e reforçar a legitimidade da supervisão financeira americana. Sem isso, o BRICS continuará a se apresentar como defensor da multipolaridade e do não alinhamento neutro, ampliando sua atratividade internacional.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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