Trajetória de Guilherme Temperani liga pequenos serviços no comércio de bairro, experiências em cozinha e sucessivas tentativas empreendedoras ao Vila Anália, complexo gastronômico instalado no Jardim Anália Franco, na Zona Leste de São Paulo.
Guilherme Temperani começou a empreender aos 13 anos, distribuindo panfletos pela Zona Norte de São Paulo, e anos depois passou a comandar o Vila Anália, complexo gastronômico de 4 mil metros quadrados no Jardim Anália Franco, na Zona Leste da capital paulista.
Publicada pela Folha de S.Paulo em 27 de julho de 2024, a reportagem registrou que o empresário fazia os deslocamentos a pé, de bicicleta ou de carona, além de organizar colegas para ajudar no serviço e pagar pela colaboração.
Na mesma fase, aos fins de semana, Temperani também atuava como ajudante de cozinha na lanchonete Dizzy, em Santana, estabelecimento citado pela Folha como ainda existente e ligado aos primeiros contatos dele com a rotina gastronômica.
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Primeiros trabalhos no comércio de bairro
Ainda adolescente, o futuro empresário montou uma pequena operação de distribuição de material publicitário para clientes locais, usando uma rede formada por colegas da escola estadual Paulo Egydio de Oliveira Carvalho, na Zona Norte de São Paulo.
Em vez de tratar a atividade como algo passageiro, Temperani assumia o trabalho diante dos comerciantes e mantinha uma rotina de contatos que, mais tarde, ajudaria na criação de um jornalzinho de anúncios voltado à Vila Maria.
A publicação reunia promoções de mercados, açougues, costureiras e sapateiros, em um formato simples de publicidade local, mas já mostrava uma tentativa de transformar circulação pelo bairro em produto comercial organizado.
Depois dessa experiência, outros caminhos foram testados antes da consolidação na gastronomia, entre eles uma empresa de cartuchos de impressora e iniciativas ligadas a festas e bailes nas zonas Norte e Leste da cidade.
Embora nem todos os projetos tenham seguido adiante, essa sequência formou uma base prática em venda, operação, contato com público e relacionamento com comerciantes, competências que voltariam a aparecer na gestão dos restaurantes.
Chegada aos restaurantes no Jardim Anália Franco
O avanço mais consistente no setor de alimentação ocorreu com a abertura de restaurantes no Jardim Anália Franco, região da Zona Leste que se tornou o principal eixo da atuação empresarial de Temperani e de seus sócios.
Segundo a página institucional do Vila Anália, o grupo começou em 2015 com o Macaxeira, restaurante de cozinha sertaneja, e ampliou a presença na região em 2019 com o URU Mar y Parrilla, ambos na rua Emília Marengo.
Pela apuração da Folha, Temperani abriu com investidores o Macaxeira, voltado à cozinha nordestina, e a casa de carnes Uru Mar y Parrilla antes da criação do complexo gastronômico que consolidaria sua presença no bairro.
Durante entrevista ao jornal, o empresário associou parte da trajetória às dificuldades enfrentadas desde cedo e declarou: “Tive muitas provocações em minha vida”, ao comentar o caminho percorrido até chegar ao comando de restaurantes.
Instalado na Rua Cândido Lacerda, 33, no Jardim Anália Franco, o Vila Anália marcou o salto de escala da operação, ao reunir diferentes casas e experiências gastronômicas em um mesmo endereço na Zona Leste.
Vila Anália muda a escala do negócio
Conforme a Veja São Paulo, o complexo ocupa 4 mil metros quadrados na esquina das ruas Eleonora Cintra e Cândido Lacerda, em uma área onde Tatuapé e Jardim Anália Franco se misturam na percepção de muitos frequentadores.
Apresentado pela revista em 2022, o projeto reúne restaurantes, bar, confeitaria, empório, rooftop e dois pisos de estacionamento, além de capacidade para receber até 980 clientes ao mesmo tempo.
Ainda segundo a Veja São Paulo, o investimento estimado ultrapassou R$ 14 milhões, e a construção começou no fim de 2020, depois da demolição de quatro imóveis no terreno escolhido para o empreendimento.
No conjunto gastronômico descrito pela Folha, há espaços dedicados a culinárias do Japão, da Itália, da Espanha, da Grécia e da França, além de confeitaria, dentro da proposta de concentrar diferentes experiências no mesmo local.
Com a ampliação do projeto, a rotina empresarial passou a exigir uma estrutura distante dos primeiros serviços de bairro, quando Temperani coordenava pequenos trabalhos, distribuía panfletos e mantinha contato direto com comerciantes locais.
Gestão de centenas de profissionais
A dimensão da operação aparece também na equipe, já que a Folha informou que Temperani comandava 400 profissionais em 2024, número que mostra a distância entre o início informal e a administração de um grupo gastronômico.
No contexto familiar, a reportagem também citou antepassados italianos ligados ao circo no Brasil no fim do século 19, referência que o empresário relacionou à própria inclinação para circular, adaptar ideias e criar negócios.
Ao explicar sua relação com o título de restaurateur, Temperani disse à Folha que gosta do processo de sentar à mesa, restaurar e compartilhar experiências, em referência ao sentido de convivência associado aos restaurantes.
Fora do eixo mais tradicional da alta gastronomia paulistana, a trajetória reúne serviços simples, tentativas comerciais sucessivas e consolidação no Jardim Anália Franco, bairro que se tornou parte central da expansão do grupo.
Do início em deslocamentos de bicicleta, caronas e visitas a pequenos comerciantes, o percurso chegou a uma operação de milhares de metros quadrados, centenas de profissionais e presença relevante na cena gastronômica da Zona Leste de São Paulo.
