Delegada presa na Operação Serpens é suspeita de lavagem de dinheiro, vínculo com facção criminosa e atuação irregular como advogada.
Uma delegada presa na capital paulista tornou-se o centro de uma investigação de grande repercussão nesta sexta-feira (16/1).
A Polícia Civil de São Paulo prendeu Layla Lima Ayub, recém-empossada no cargo, suspeita de manter vínculos com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
A prisão ocorreu durante a Operação Serpens, que apura crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e atuação irregular como advogada, com desdobramentos em diferentes estados do país.
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Segundo as autoridades, Layla foi detida na cidade de São Paulo, juntamente com o namorado Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel.
As investigações apontam que ele seria responsável por comandar o tráfico de armas e drogas no estado de Roraima.
Assim, a operação buscou interromper uma suposta engrenagem criminosa que envolveria relações pessoais, movimentações financeiras suspeitas e uso indevido de funções públicas.
O que é a Operação Serpens e por que a delegada foi presa
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público de São Paulo deflagrou a Operação Serpens, em atuação conjunta com a Polícia Civil de São Paulo e o GAECO do Pará.
A ação teve como objetivo central apurar a atuação de uma organização criminosa e a prática de lavagem de dinheiro, crimes que, segundo os promotores, o grupo teria cometido de forma estruturada e contínua.
As autoridades cumpriram, ao todo, sete mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo e Marabá, no sudeste do Pará.
Portanto, a amplitude geográfica da operação reforça a suspeita de um esquema com ramificações interestaduais.
Suspeitas de ligação com facção criminosa
De acordo com o Ministério Público, a delegada presa é suspeita de manter relação direta com membros do PCC, considerada a maior facção criminosa do país.
As apurações indicam que o relacionamento amoroso com Dedel teria facilitado o contato com integrantes da organização criminosa, além de possibilitar a circulação de recursos de origem ilícita.
Por outro lado, os investigadores ressaltam que o vínculo pessoal, por si só, não configura crime.
Atuação irregular como advogada após posse no cargo
Um dos pontos mais sensíveis da investigação envolve a atuação irregular como advogada.
Segundo os promotores, mesmo após tomar posse como delegada da Polícia Civil, Layla teria continuado a exercer atividades privativas da advocacia.
Entre essas ações, consta a participação em audiências de custódia, nas quais ela teria atuado em defesa de presos ligados a organizações criminosas.
Essa conduta, caso confirmada, pode configurar infrações administrativas e penais, já que o exercício da advocacia é incompatível com o cargo de delegada.
Lavagem de dinheiro e movimentações suspeitas
Outro eixo central da Operação Serpens é a apuração de lavagem de dinheiro, termo usado para descrever o processo de ocultar ou disfarçar a origem de recursos obtidos de forma ilegal.
As autoridades investigam transações financeiras que indicariam a tentativa de inserir valores ilícitos no sistema econômico formal.
Conforme os investigadores, essas movimentações estariam ligadas às atividades criminosas comandadas por Dedel, especialmente no tráfico de armas e drogas em Roraima.
Dessa forma, a suspeita é que a delegada presa tenha participado, direta ou indiretamente, do esquema financeiro.
Investigações continuam e novos desdobramentos são esperados
Em nota oficial, o Ministério Público de São Paulo informou que as investigações seguem em andamento.
O objetivo é esclarecer a extensão do envolvimento da delegada com a facção criminosa, além de identificar a possível participação de outras pessoas no esquema.
Enquanto isso, a Operação Serpens permanece ativa, com análise de documentos, dispositivos eletrônicos e dados financeiros apreendidos.
As autoridades não descartam novas prisões ou medidas judiciais, à medida que surgirem novos elementos.
Assim, o caso da delegada presa levanta debates sobre controle interno, ética no serviço público e os desafios do combate à organização criminosa e à lavagem de dinheiro dentro das próprias instituições do Estado.
veja mais em: Delegada que namora líder do PCC é presa em operação

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