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Enquanto o Brasil concentra ferrovias bilionárias nas mãos de gigantes privadas por meio de concessão, a Argentina tenta recuperar 14 mil km de trilhos em 9 frentes, apostando em modelo que pode exigir até 7 vezes mais trens para transportar a mesma carga

Publicado em 08/05/2026 às 07:05
Atualizado em 08/05/2026 às 07:09
O governo argentino propõe dividir sua malha ferroviária em nove concessões por três corredores logísticos. O modelo de "acesso aberto" gerou ceticismo de grandes investidores, como o Grupo México, que exige mudanças radicais nas regras para participar.
O governo argentino propõe dividir sua malha ferroviária em nove concessões por três corredores logísticos. O modelo de “acesso aberto” gerou ceticismo de grandes investidores, como o Grupo México, que exige mudanças radicais nas regras para participar. (Imagem meramente ilustrativa)
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O governo argentino propõe dividir sua malha ferroviária em nove concessões por três corredores logísticos. O modelo de “acesso aberto” gerou ceticismo de grandes investidores, como o Grupo México, que exige mudanças radicais nas regras para participar.

A infraestrutura de transportes na Argentina atravessa um momento decisivo com a proposta de um novo marco para o setor de cargas. Ao contrário do Brasil, que opera com concessões centralizadas, o governo argentino planeja fatiar sua malha em nove frentes distintas através de três corredores logísticos.

O objetivo é reduzir a hegemonia do asfalto, que hoje domina 95% do transporte de mercadorias no país. No entanto, a estratégia de “acesso aberto” gera incertezas sobre a eficiência, visto que estudos apontam que modelos fragmentados podem exigir até sete vezes mais trens do que sistemas integrados para movimentar a mesma carga.

O contraste com a experiência da malha ferroviária brasileira

A discussão sobre os trilhos na Argentina ganha contornos mais nítidos quando comparada ao cenário brasileiro. No Brasil, empresas como VLI, Rumo e MRS gerenciam de forma exclusiva tanto a via quanto os vagões, o que garante previsibilidade para grandes aportes financeiros.

Vicente Abate, presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), reforça a solidez do formato adotado no território brasileiro:

“Existe no Brasil um modelo consagrado de transporte ferroviário de cargas, chamado vertical, em que a via permanente é mantida e operada por uma concessionária, que recebe a concessão da União por determinado tempo, renovável por igual período.”

Abate pondera que, embora o modelo horizontal não tenha prosperado no Brasil, ele pode encontrar espaço em solo argentino devido a fatores logísticos regionais. Segundo o executivo:

“Na Argentina, apesar das divergências, o modelo horizontal pode ser aplicado em função de características específicas da malha, como cargas por eixo menores e distâncias mais curtas.”

Capital estrangeiro impõe condições severas na Argentina

Apesar das intenções do Ministério da Desregulação de promover a concorrência, o projeto enfrenta o ceticismo de grandes investidores. O Grupo México, principal interessado em injetar cerca de US$ 3 bilhões na reconstrução da infraestrutura portenha, condicionou sua entrada a uma reformulação completa das regras.

O governo argentino propõe dividir sua malha ferroviária em nove concessões por três corredores logísticos. O modelo de "acesso aberto" gerou ceticismo de grandes investidores, como o Grupo México, que exige mudanças radicais nas regras para participar.
O governo argentino propõe dividir sua malha ferroviária em nove concessões por três corredores logísticos. O modelo de “acesso aberto” gerou ceticismo de grandes investidores, como o Grupo México, que exige mudanças radicais nas regras para participar. Imagem: Canva.

O CEO da companhia, Fernando López, foi enfático ao rejeitar o atual desenho das licitações: “Se não houver uma mudança radical na forma como a licitação está estruturada, não vamos participar.”

Para esses grandes grupos, o sistema de livre acesso dificulta a coordenação logística e dilui o retorno sobre o capital investido. Além disso, o consórcio de exportadores de grãos — que detém 85% do fluxo de carga da estatal Argentina — mantém uma postura de cautela, aguardando normas regulatórias mais claras.

O diagnóstico da malha e a urgência do plano

A necessidade de uma reforma é evidenciada pelo estado crítico da rede controlada pela estatal Trenes Argentinos Cargas.

Atualmente, o país possui:

  • Malha Total: 14 mil quilômetros de extensão.
  • Trechos Operacionais: Apenas 7,6 mil quilômetros (pouco mais da metade).
  • Dependência Rodoviária: Caminhões transportam quase a totalidade (95%) das cargas nacionais.
  • Principais Produtos: Grãos e minerais, essenciais para as exportações argentinas.

Federico Sturzenegger, ministro da Desregulação, acredita que a abertura do sistema é o caminho para baratear custos. Na mesma linha, Alejandro Núñez, presidente da estatal ferroviária, afirma que a proposta pode ampliar a eficiência do sistema.

Riscos de uma operação fragmentada na Argentina

A grande dúvida que paira sobre a Argentina é se o modelo de “Open Access” conseguirá garantir a fluidez necessária. A divisão entre quem cuida do trilho e quem opera o trem pode elevar os custos de coordenação e criar gargalos nos terminais.

Assim, o sucesso da proposta dependerá de um marco regulatório que resolva conflitos de tráfego entre diferentes operadoras.

Sem essa segurança, o plano corre o risco de não atrair os recursos necessários para modernizar uma frota e uma sinalização que hoje impedem o país de competir de igual para igual no mercado logístico global.

Com informações do site Transporte Moderno e CNN Brasil

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Andriely Medeiros de Araújo

Ensino superior em andamento. Escreve sobre Petróleo, Gás, Energia e temas relacionados para o CPG — Click Petróleo e Gás.

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