Sistema utiliza inteligência artificial, câmeras de alta definição e sensores infravermelhos para identificar infrações nas rodovias paulistas, enquanto policiais rodoviários validam cada ocorrência antes da emissão das multas.
O uso da inteligência artificial no trânsito acaba de entrar em uma nova fase no estado de São Paulo. Após um período de testes e calibração da tecnologia, os novos radares inteligentes passaram a auxiliar oficialmente a fiscalização da Polícia Militar Rodoviária (PMRv). Agora, imagens captadas pelos equipamentos podem embasar autuações de motoristas flagrados utilizando o celular ao volante ou dirigindo sem o cinto de segurança.
A informação foi divulgada pelo Motor1.com, com base em dados oficiais da concessionária SPMAR, responsável pelos trechos Sul e Leste do Rodoanel Mário Covas. Segundo o levantamento, durante o período de testes realizado entre 12 de maio e 9 de junho de 2026, as câmeras inteligentes registraram 4.879 infrações, o equivalente a uma média de 168,2 flagrantes por dia. Desde 1º de julho de 2026, essas imagens passaram a ser utilizadas oficialmente para subsidiar a fiscalização realizada pela Polícia Militar Rodoviária.
Período de testes revelou milhares de infrações de trânsito
Os primeiros resultados chamaram a atenção das autoridades responsáveis pelo monitoramento das rodovias paulistas.
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Durante quase um mês de operação em fase de calibração, os equipamentos identificaram milhares de condutores e passageiros desrespeitando regras básicas de segurança.
Segundo os números divulgados pela SPMAR:
- 2.420 motoristas foram flagrados sem utilizar o cinto de segurança, representando 49,6% de todas as infrações registradas.
- 1.440 passageiros viajavam sem o equipamento de retenção obrigatório, correspondendo a 29,5% das ocorrências.
- 1.019 motoristas utilizavam o telefone celular durante a condução do veículo, totalizando 20,9% dos registros.
Ao todo, foram contabilizadas 4.879 infrações durante a fase inicial do projeto.
Entretanto, nesse período, nenhum motorista recebeu multa.
Isso porque a tecnologia ainda passava por um processo de calibração. Dessa forma, o monitoramento teve caráter exclusivamente educativo e técnico.
Além disso, a concessionária utilizou esse período para validar a precisão dos algoritmos antes do início oficial das autuações.
Como funcionam os radares com inteligência artificial

Ao contrário dos radares tradicionais, que monitoram apenas o excesso de velocidade, os novos equipamentos utilizam um conjunto de tecnologias avançadas.
As estruturas contam com câmeras de alta definição, sensores infravermelhos e sistemas de inteligência artificial capazes de analisar continuamente o comportamento dos motoristas.
Além disso, o monitoramento ocorre durante 24 horas por dia, independentemente das condições de iluminação.
Sempre que o algoritmo identifica um possível motorista utilizando o celular ou ocupantes sem o cinto de segurança, o sistema registra automaticamente a ocorrência.
Entretanto, a aplicação da multa não acontece de forma automática.
Assim como ocorre em outros sistemas eletrônicos de fiscalização, todas as imagens passam por uma etapa de validação humana.
Nesse processo, policiais da Polícia Militar Rodoviária analisam cada registro individualmente.
Somente após essa conferência é que a infração pode gerar uma autuação, desde que todos os requisitos previstos na legislação de trânsito sejam atendidos.
Segundo a concessionária SPMAR, a tecnologia não substitui o trabalho dos agentes. Pelo contrário, ela amplia a capacidade de fiscalização e permite identificar infrações que dificilmente seriam flagradas apenas por equipes em campo.
Onde os radares inteligentes já estão em operação
O primeiro projeto de grande porte começou a funcionar nos trechos Sul e Leste do Rodoanel Mário Covas, administrados pela SPMAR. O monitoramento teve início em maio de 2026. Posteriormente, em 1º de julho de 2026, a tecnologia passou a apoiar oficialmente a fiscalização da Polícia Militar Rodoviária.
Além disso, o sistema já opera em outra importante rodovia paulista.
Desde o início de 2026, radares equipados com inteligência artificial também funcionam no Sistema Anchieta-Imigrantes, principal ligação entre a capital paulista e a Baixada Santista.
Nesse corredor rodoviário, os equipamentos identificam diversas irregularidades, como:
- uso do celular ao volante;
- ausência do cinto de segurança;
- excesso de velocidade.
No entanto, todas as imagens continuam passando por análise de policiais antes da confirmação da autuação.
Segundo as concessionárias, a instalação desses equipamentos ocorre prioritariamente em locais com maior fluxo de veículos e histórico elevado de acidentes.
Tecnologia também identifica acidentes e situações de risco
Durante o período de testes, os radares inteligentes demonstraram outra importante função.
Além de registrar infrações de trânsito, as câmeras captaram acidentes e situações perigosas provocadas pela distração dos motoristas.
Entre os casos registrados está um caminhão que saiu da pista e parou no canteiro central.
Além disso, outro veículo de carga invadiu a faixa ao lado, provocando um capotamento.
Essas imagens ajudam as equipes operacionais a responderem com mais rapidez às ocorrências e reforçam o papel preventivo da tecnologia.
Segundo Andrew Aquino, gerente de Operações da SPMAR, a proposta é utilizar a fiscalização eletrônica como ferramenta para reduzir acidentes e conscientizar os motoristas.
De acordo com Aquino, o objetivo é incentivar os condutores a priorizarem a própria segurança antes de utilizarem o telefone celular enquanto dirigem.
Uso do celular continua entre as principais causas de distração
Os dados obtidos durante os testes confirmam uma preocupação antiga dos especialistas em segurança viária.
Segundo a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), aproximadamente 90% das ocorrências de trânsito apresentam algum fator relacionado à distração dos condutores.
Entre esses fatores estão justamente o uso do telefone celular e o descumprimento das normas básicas de circulação.
Na avaliação da Polícia Militar Rodoviária, a ampliação da fiscalização eletrônica reduz a sensação de impunidade e aumenta significativamente a capacidade de identificar infrações que poderiam passar despercebidas durante o patrulhamento convencional.
Além disso, o monitoramento permanente permite acompanhar o comportamento dos motoristas durante todo o dia, contribuindo para ações preventivas e respostas mais rápidas em caso de acidentes.
Dessa forma, a utilização da inteligência artificial no trânsito representa uma nova etapa na fiscalização das rodovias paulistas. Enquanto o Rodoanel Mário Covas inaugura oficialmente esse modelo de monitoramento, o Sistema Anchieta-Imigrantes já demonstra que a tendência é ampliar o uso dessa tecnologia em outras rodovias do estado nos próximos anos.
Você acredita que o uso da inteligência artificial na fiscalização pode reduzir acidentes e tornar as rodovias mais seguras para todos? Compartilhe sua opinião nos comentários.
