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O Porto do Itaqui fecha o melhor primeiro semestre da história com mais de 17 milhões de toneladas e dispara como a locomotiva do Arco Norte

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 09/07/2026 às 16:43 Atualizado em 09/07/2026 às 16:45
O Porto do Itaqui fecha o melhor primeiro semestre da história com mais de 17 milhões de toneladas e dispara como a loco
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Enquanto os grandes portos do Sudeste disputam manchete, foi no Maranhão que o Brasil bateu seu recorde mais silencioso: o Porto do Itaqui fechou o primeiro semestre de 2026 com mais de 17 milhões de toneladas movimentadas, o melhor semestre da sua história, e consolidou o papel de locomotiva do Arco Norte.

O número não veio de um mês isolado de sorte. Veio de uma sequência. O Itaqui começou o ano cravando o melhor janeiro da série histórica, com salto de 44% na movimentação, e em maio bateu o recorde de granéis sólidos, com cerca de 2,7 milhões de toneladas em um único mês, sendo 2,1 milhões só de soja. Quando se soma tudo de janeiro a junho, o porto público de São Luís passou a marca dos 17 milhões de toneladas e reescreveu a própria régua.

Para entender o tamanho do feito, vale lembrar que o porto vem batendo recorde atrás de recorde. Ainda no ano passado, um único mês de julho chegou a movimentar 3,76 milhões de toneladas com 112 navios atracados, marca superada semanas depois. O que era exceção virou rotina, e a rotina agora entrega um semestre inteiro em patamar inédito.

Vista aérea do Porto do Itaqui, no Maranhão, com navios atracados
O Itaqui é o maior porto público do Arco Norte e um dos que mais cresce no país.

Por que a produção do Centro-Oeste passou a sair pelo Maranhão

A explicação está no mapa. O Itaqui fica na ponta do Arco Norte, o corredor logístico que escoa a produção do Centro-Oeste e do MATOPIBA, a fronteira agrícola que junta Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Puxada pela Ferrovia Norte-Sul e pelo corredor Centro-Oeste–Norte, a soja de Mato Grosso encontra ali um caminho mais curto para a Ásia e a Europa do que descer até Santos ou Paranaguá.

A vantagem geográfica é concreta. Saindo do Maranhão, o navio economiza dias de viagem rumo aos grandes compradores do Hemisfério Norte, o que reduz o custo do frete na exportação de grãos e na importação de fertilizantes. Não à toa, os fertilizantes cresceram cerca de 25% no acumulado do ano, o cobre avançou 12% e a celulose ganhou fôlego, movimentada pelo terminal com métodos de gestão enxuta que triplicaram a eficiência para perto de 16 mil toneladas por dia.

E não é só grão. As operações de transferência de carga entre navios, o chamado ship-to-ship, movimentaram cerca de 415 mil toneladas num único mês, o dobro do registrado um ano antes. O porto também virou um hub de combustíveis para a região Norte, com boa fatia do diesel e da gasolina importados entrando pelo cais maranhense. Fico imaginando o quanto essa diversificação protege o Itaqui de um ano ruim de safra: quando o grão cai, o combustível e o fertilizante seguram o volume.

A aposta que promete manter o porto crescendo até 2051

O recorde chega num momento de virada institucional. Em janeiro, o Ministério de Portos e Aeroportos prorrogou até 2051 a cessão do porto à EMAP, a Empresa Maranhense de Administração Portuária, dando o horizonte de longo prazo que os investidores pediam. Junto veio a promessa de R$ 1,3 bilhão em dois leilões de novas áreas portuárias ainda neste ano.

Terminal de granéis e navios no Porto do Itaqui
Novos berços devem adicionar até 10 milhões de toneladas de capacidade a partir de 2027.

A obra mais aguardada é o berço 98, previsto para o segundo semestre, que sozinho deve acrescentar de 8 a 10 milhões de toneladas de capacidade por ano a partir de 2027. Há ainda projetos para um terminal de granel vegetal voltado a trigo, milho e soja, uma área de transbordo de fertilizantes e um novo berço para granéis líquidos, que sozinho adiciona 3,5 milhões de toneladas anuais. O gargalo de infraestrutura, que sempre foi o freio do porto, começa enfim a ser atacado de frente, com obras que devem sustentar o ritmo de crescimento pela próxima década inteira.

“Realmente agora batemos o recorde de granéis sólidos, alcançando aproximadamente 2,7 milhões de toneladas”, celebrou Oquerlina Costa, presidente da EMAP, ao lembrar que o setor portuário do estado sustenta mais de 100 mil empregos diretos e indiretos. O ministro Silvio Costa Filho resumiu o clima: “O Porto do Itaqui hoje é uma referência do Nordeste e do Brasil”.

No embarque de soja, o Arco Norte já disputa de igual para igual com o Sudeste. O corredor concentra perto de 40% dos embarques da oleaginosa, fatia impensável há uma década, quando quase tudo descia para Santos e Paranaguá. O terminal de grãos do Itaqui tem expectativa de movimentar 7,5 milhões de toneladas por ano à medida que a estrutura amadurece, puxando junto toda a economia de São Luís. Hoje o Itaqui já figura entre os quatro maiores portos do Brasil em movimentação total, posição que confirma na prática o deslocamento do eixo logístico do país rumo ao Norte.

O gargalo que resta não está no cais, e sim antes dele. A capacidade de armazenagem no interior segue sendo o elo mais frágil da cadeia, com déficit estrutural que obriga o produtor a escoar o grão às pressas na época da colheita. Enquanto os silos não acompanham a safra recorde, o porto continua sendo a válvula de escape que segura a pressão de todo o sistema logístico do Centro-Oeste.

A gente costuma associar o poder logístico do país ao eixo Rio–São Paulo, mas os números do Maranhão contam outra história. O Arco Norte deixou de ser aposta de futuro e virou o presente do escoamento agrícola brasileiro, e o Itaqui é a peça que puxa esse trem. Se a expansão sair no prazo, o próximo recorde já nasce combinado, e o Nordeste ganha de vez o protagonismo que a geografia sempre prometeu.

O Arco Norte veio para tirar de vez o protagonismo dos portos do Sul e Sudeste?

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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