Um prédio de dez andares montado em poucas horas na China recolocou a construção modular no centro do debate sobre produtividade, segurança, escala e o impacto desse modelo no futuro da construção civil.
A montagem de um prédio residencial de dez andares em 28 horas e 45 minutos, na cidade chinesa de Changsha, colocou a construção modular no centro do debate sobre produtividade, escala e segurança na construção civil.
O caso, associado à Broad Group e ao uso de módulos produzidos em fábrica, passou a ser citado como exemplo de um modelo que reduz o tempo de obra no canteiro.
O prazo chamou atenção pela rapidez, mas a montagem vista no local foi apenas a etapa final de um processo iniciado antes, com projeto, fabricação, inspeção, transporte e preparação da base.
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Nesse sistema, parte relevante do trabalho deixa o canteiro e passa a ser executada em ambiente industrial controlado.
Na prática, isso significa que os módulos chegam prontos para serem posicionados e conectados no terreno.
Com isso, a obra visível tende a durar menos do que em empreendimentos convencionais, nos quais estrutura, instalações e acabamentos costumam avançar de forma mais espalhada ao longo do cronograma.
Construção modular na China: o que explica a montagem em menos de 30 horas
No caso chinês, os módulos foram produzidos de forma padronizada e parafusados no local com apoio de guindastes e uma sequência previamente definida para içamento, encaixe e conexão.
A velocidade, nesse modelo, depende menos de improviso no canteiro e mais de planejamento prévio de toda a operação.
Antes da montagem, entram etapas como execução das fundações, compatibilização entre estrutura e instalações, definição da ordem de entrega das peças e organização da área de trabalho.
Por isso, o tempo divulgado para a montagem não representa sozinho o ciclo completo do empreendimento.

Essa diferença é central para entender o método.
Em vez de concentrar quase toda a produção no terreno, a construção modular distribui etapas ao longo da cadeia industrial.
Assim, o canteiro passa a funcionar mais como área de assemblagem do que como espaço principal de execução.
Segundo análises do setor, esse tipo de sistema pode trazer ganhos de produtividade, previsibilidade de prazo e redução de desperdício, sobretudo em projetos com repetição de unidades.
Ainda assim, esses resultados variam conforme o desenho do empreendimento, a escala da operação e o grau de maturidade industrial do mercado em que a obra é executada.
Módulos pré-fabricados: como funciona esse tipo de prédio
Embora a comparação com contêineres apareça com frequência na cobertura desse tipo de projeto, o sistema não se resume ao reaproveitamento de contêineres marítimos.
Em geral, o que se usa são módulos volumétricos pré-fabricados, desenvolvidos especificamente para a construção civil.
Essas unidades tridimensionais são produzidas em fábrica e transportadas até o endereço final.
No local, passam por içamento, posicionamento e conexão com outros módulos, além da integração com elementos estruturais, sistemas de vedação e redes complementares.
Esse tipo de solução já aparece em hotéis, residências estudantis, hospitais, escolas, escritórios e edifícios residenciais.
Em alguns empreendimentos, apenas partes do prédio são modularizadas.
Em outros, o edifício combina módulos completos com núcleos estruturais de concreto ou aço, responsáveis por circulação vertical e estabilidade global.
Por essa razão, a construção modular não corresponde a um único modelo fechado.
Trata-se de um conjunto de soluções industrializadas, adaptadas conforme o uso, a altura do edifício, o local da obra e as exigências técnicas do projeto.
Vantagens e desafios da construção modular em edifícios altos
Entre os pontos mais citados pelo setor estão o maior controle de qualidade em fábrica, a redução da exposição dos trabalhadores às intempéries e a diminuição de resíduos no canteiro.
Em áreas urbanas densas, o método também pode reduzir parte do ruído, da poeira e do tempo de interferência no entorno, a depender do projeto.
Ao mesmo tempo, a velocidade de montagem não elimina exigências clássicas da engenharia.
Segurança estrutural, desempenho térmico e acústico, resistência ao fogo, estanqueidade e durabilidade continuam no centro da análise técnica, como ocorre em qualquer sistema construtivo.
Nos prédios mais altos, a complexidade aumenta.
Entram em cena cargas de vento mais severas, controle de vibração, tolerâncias mais restritas na montagem e interfaces mais sensíveis entre módulos, fachada e núcleo estrutural.

Segundo estudos técnicos sobre edifícios altos modulares, esses empreendimentos costumam exigir soluções híbridas, e não apenas o empilhamento sucessivo de unidades idênticas.
A logística também pesa na conta.
Cada módulo precisa respeitar limites de transporte, condições de rota, capacidade de içamento e áreas disponíveis para operação no canteiro.
Em regiões urbanas mais adensadas, restrições de trânsito e janelas curtas para movimentação de cargas podem afetar a viabilidade operacional e econômica do sistema.
O impacto da construção industrializada no setor
O episódio de Changsha passou a ser usado como exemplo de uma mudança de método na construção civil, com maior participação da manufatura no processo produtivo.
Isso não significa substituição total da obra tradicional, mas indica a expansão de sistemas industrializados em segmentos específicos.
Em contextos de déficit habitacional, necessidade de resposta rápida após desastres ou demanda por cronogramas mais curtos, a construção modular costuma aparecer nas análises do setor como uma alternativa de interesse.
A adoção em larga escala, porém, depende de fatores como normas técnicas, cadeia de fornecedores, financiamento e aceitação do mercado.
Mais do que a velocidade exibida na montagem, o caso chinês chama atenção por mostrar uma forma diferente de organizar a produção do edifício.
Quando parte da obra sai do terreno e migra para a fábrica, mudam as exigências de planejamento, de logística e de compatibilização técnica ao longo de todo o projeto.

