Em Boa Vista, a secretária de Segurança Pública de Roraima, Eliane Gonçalves, vestiu um jaleco e se passou por médica para flagrar, em junho de 2026, um técnico em radiologia que cobrava R$ 600 por ressonância magnética gratuita do SUS no Hospital Geral de Roraima. Preso, o servidor confessou.
A cena parece roteiro de filme, mas aconteceu de verdade num hospital público de Boa Vista. A própria secretária de Segurança Pública de Roraima, Eliane Gonçalves, colocou um jaleco, se passou por médica e entrou no setor de radiologia para pegar em flagrante um técnico que, segundo a investigação, cobrava R$ 600 por um exame que o SUS oferece de graça. O disfarce funcionou, o servidor foi preso e confessou na hora. O caso foi noticiado pela Folha BV.
O alvo era um esquema que se aproveitava de quem mais precisa. No Hospital Geral de Roraima Rubens de Souza Bento, o popular HGR, um técnico em radiologia cobrava por uma ressonância magnética que deveria ser totalmente gratuita. Para flagrá-lo sem que ele percebesse, a secretária de Segurança foi pessoalmente ao local, fantasiada de médica, acompanhada de agentes à paisana. A operação, no início de junho de 2026, terminou com o servidor preso e uma confissão espontânea.
O disfarce que pegou o técnico em flagrante

O plano foi montado para não levantar suspeita. Em vez de mandar uma equipe uniformizada, que assustaria o suspeito, a secretária de Segurança decidiu entrar ela mesma no setor, vestida como integrante do corpo médico.
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“Utilizei uma vestimenta como se eu fosse uma médica para ter acesso a ele sem despertar curiosidade ou alertar o acusado. Os três agentes que me acompanhavam também estavam vestidos à paisana”, contou Eliane Gonçalves.
O cuidado foi até o fim, para não prejudicar os pacientes. Segundo a secretária, a abordagem só foi concluída depois que a equipe garantiu a continuidade do atendimento.
“Nós só o retiramos do local depois de falar com a chefe dele por telefone e aguardar a chegada de um servidor para substituí-lo no guichê dos exames, para que ninguém fosse prejudicado”, explicou. Ou seja, o técnico em radiologia foi retirado sem que a fila de ressonância magnética parasse.
Esse detalhe diz muito sobre a operação. Não foi uma batida truculenta, foi uma armadilha pensada nos mínimos passos, justamente num ambiente sensível como um hospital.
A secretária de Segurança trocou o gabinete pelo jaleco e foi a campo, o que deu à história o tom cinematográfico que fez o caso repercutir.
R$ 600 por uma ressonância que é de graça
O coração do crime é simples de entender e revoltante de ouvir. O exame de ressonância magnética é um procedimento que o Sistema Único de Saúde oferece de graça a qualquer cidadão. Mesmo assim, o técnico em radiologia cobrava R$ 600 para realizar ou agilizar esse exame gratuito do SUS, transformando um direito em mercadoria.
A fraude não era um ato isolado dentro do guichê. De acordo com a investigação, o servidor contava com o apoio de dois intermediários, que abordavam os pacientes que chegavam ao hospital em busca de atendimento.
Eram essas pessoas que ofereciam o suposto atalho: pagar para furar a espera de uma ressonância magnética que, na teoria, já era um direito garantido.
A lógica do golpe se aproveitava da angústia de quem espera por um exame. Diante da demora e da aflição com a própria saúde, muita gente acaba topando pagar, mesmo sabendo que o exame gratuito do SUS não deveria ter custo nenhum.
É essa vulnerabilidade que o esquema explorava, cobrando R$ 600 de quem deveria ser atendido sem pagar um centavo.
Mais de 30 vítimas em pelo menos seis meses

A operação não pegou um deslize pontual, mas uma prática que já durava meses. Segundo informações repassadas pela secretária de Segurança, o esquema funcionava há pelo menos seis meses no Hospital Geral de Roraima.
Nesse período, o técnico em radiologia teria feito mais de 30 vítimas, número que ainda pode crescer conforme a apuração avança.
Cada uma dessas vítimas é alguém que buscava um direito básico. Pacientes do SUS, muitas vezes sem condições de pagar consultas particulares, foram levados a desembolsar R$ 600 por uma ressonância magnética que o Estado já oferecia de graça.
O exame gratuito do SUS virou, na mão do servidor, uma fonte de renda ilegal às custas dos mais pobres.
As autoridades seguem trabalhando para mapear o tamanho real do estrago. A investigação continua para identificar quantos pacientes foram afetados e quanto dinheiro passou pelas mãos do grupo.
O número de mais de 30 vítimas é o ponto de partida, não o ponto final, dessa conta.
O servidor confessou e foi preso
A reação do suspeito ajudou a fechar o caso. Abordado no flagrante, o técnico em radiologia, de 48 anos, servidor efetivo da Secretaria Estadual de Saúde, a Sesau, confessou espontaneamente a prática, segundo a secretária de Segurança. Foi preso ali mesmo, dentro do Hospital Geral de Roraima onde atuava.
A Justiça agiu em seguida. O servidor foi apresentado à Polícia Civil e, após a audiência de custódia, teve a prisão preventiva decretada, sendo encaminhado à Penitenciária Agrícola de Monte Cristo.
Pela investigação, ele responde por crimes como peculato e associação criminosa, ligados ao desvio cometido no exercício da função pública.
Vale um esclarecimento importante: até agora, apenas uma pessoa foi presa, o técnico em radiologia. Os dois intermediários que, segundo a apuração, abordavam os pacientes não haviam sido localizados, e a prisão preventiva deles também foi solicitada.
Não se trata, portanto, de uma quadrilha inteira atrás das grades, mas de um servidor preso e cúmplices ainda procurados.
Cobrar por atendimento no SUS é crime
O caso de Roraima serve de alerta nacional sobre um ponto que muita gente desconhece. O SUS é 100% gratuito, do começo ao fim.
Consulta, exame, cirurgia, remédio, nada disso pode ser cobrado do paciente dentro da rede pública. Qualquer pedido de pagamento por um exame gratuito do SUS, como a ressonância magnética desse esquema, é ilegal.
Saber disso é a melhor defesa contra golpes parecidos. Quando alguém oferece furar fila ou agilizar um exame mediante pagamento, o sinal de alerta deve acender na hora.
O cidadão pode e deve denunciar, por canais como a ouvidoria do SUS e o Disque Saúde 136, além da própria polícia, como aconteceu no Hospital Geral de Roraima.
A firmeza da resposta também importa. Ao vestir o jaleco e ir pessoalmente ao local, a secretária de Segurança mandou um recado claro de que cobrar pelo exame gratuito do SUS tem consequência.
Mais do que prender um servidor, a operação expôs como esse tipo de fraude se esconde dentro de hospitais públicos.
Por que um caso assim mexe com o brasileiro
Histórias como essa tocam num nervo exposto. O brasileiro que depende do SUS conhece a angústia de esperar por uma ressonância magnética, de torcer para o exame sair antes que a doença avance. Ver alguém lucrar R$ 600 em cima dessa aflição, dentro de um hospital público, soa como uma traição dupla, contra o paciente e contra o dinheiro público.
Por isso a reviravolta caiu tão bem. A imagem da secretária de Segurança disfarçada de médica, entrando no setor para desmascarar o técnico em radiologia, devolve uma sensação rara de justiça rápida. Num país onde muita fraude fica impune, ver o flagrante acontecer e o servidor confessar tem um peso simbólico grande.
No fim, o episódio do Hospital Geral de Roraima vai além do caso isolado. Ele lembra que o exame gratuito do SUS é um direito, que cobrar por ele é crime, e que vigilância e denúncia são o que mantém esse direito de pé. A criatividade da operação chamou atenção, mas a lição que fica é séria.
O flagrante em Boa Vista mostra que cobrar por um exame gratuito do SUS não é só antiético, é crime, e pode terminar com o responsável preso e confessando. A secretária de Segurança de Roraima provou que, às vezes, desmascarar um golpe exige sair do gabinete e vestir um jaleco.
E você, já foi vítima ou conhece alguém que teve que pagar por um atendimento que deveria ser gratuito no SUS? Conta aqui nos comentários a sua experiência e ajude outras pessoas a reconhecer e denunciar esse tipo de cobrança ilegal.
