Em Saudades, no oeste de Santa Catarina, Fernando Hentz trouxe da Escócia a ideia de uma casa de pedra circular, e o pai, José, ergueu pedra por pedra uma construção de parede de 97 cm que virou a Steinhaus, hoje um polo de agroturismo tocado por pai e filho.
Tem sonho que cabe na palma da mão e tem sonho que pesa toneladas. O da família Hentz é do segundo tipo. No interior de Saudades, no oeste de Santa Catarina, um pai e um filho estão erguendo, pedra por pedra, uma casa redonda com paredes que chegam a 97 centímetros de espessura. A ideia nasceu do outro lado do mundo, nas construções de pedra que o filho admirou em viagens à Escócia, e foi parar numa pequena propriedade rural catarinense, virando uma casa de pedra circular que já atrai visitantes.
A história foi contada pelo ND Mais em dezembro de 2025 e é daquelas que misturam afeto e tijolo, ou melhor, afeto e pedra. A obra, batizada de Steinhaus, que em alemão significa casa de pedra, começou em abril de 2024 e usa apenas a pedra encontrada no próprio terreno. Mais do que uma moradia rústica, ela virou o coração de um projeto de agroturismo que o pai e filho construíram juntos, transformando uma paixão em renda no campo.
Uma ideia trazida da Escócia

Fernando Hentz, zootecnista e idealizador do projeto, viajou à Escócia e a outros países europeus, onde se apaixonou pelas antigas construções de pedra.
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“Achava lindo”, resumiu ele, lembrando das casas que viu por lá.
Mas o gosto não parou na admiração.
Ao fazer cursos sobre casas ecológicas, Fernando percebeu que o material daqueles prédios europeus estava bem debaixo dos pés dele, na própria fazenda.
“Quando fiz cursos sobre casas ecológicas, percebi que tínhamos um recurso abundante aqui: a pedra”, contou.
Foi a junção perfeita entre desejo e disponibilidade.
A inspiração estrangeira encontrou a matéria-prima local, e a ideia de erguer uma casa de pedra circular no interior catarinense deixou de ser fantasia para virar projeto.
A Escócia plantou a semente, e Santa Catarina deu o chão.
Pai e filho, pedra por pedra
Se a ideia foi do filho, a mão na massa é do pai.
Quem ergue a Steinhaus é José Hentz, agricultor, que nunca tinha trabalhado com construção antes de encarar essa empreitada.
“Nunca fui pedreiro”, admitiu ele, com a sinceridade de quem aprendeu fazendo.
O método é artesanal e paciente, sem pressa.
“A gente pensa bastante, troca pedra de lugar, confere prumo”, descreveu José, resumindo o cuidado que cada pedra exige até encaixar no lugar certo.
É um trabalho de formiga, em que pai e filho avançam devagar, pedra por pedra, desde abril de 2024.
Esse esforço conjunto é o que dá alma à obra.
Não se trata de uma construtora erguendo um empreendimento, e sim de uma família levantando, com as próprias mãos, algo que vai durar gerações.
A casa de pedra circular é, antes de tudo, um projeto de pai e filho.
Uma parede de 97 cm e o formato circular
Os números da construção impressionam pela robustez.
As paredes da Steinhaus chegam a 97 centímetros de espessura, quase um metro de pedra maciça separando o dentro do fora.
O formato escolhido foi o circular, menos comum e mais desafiador de erguer do que o de uma casa retangular tradicional.
Essa combinação não é só estética.
Paredes tão grossas garantem um isolamento térmico natural, mantendo o interior fresco no calor e aquecido no frio, sem depender de ar-condicionado ou aquecedor.
A pedra crua também dispensa reboco e pintura, reduzindo a manutenção ao longo dos anos.
O resultado é uma construção que parece nascida da própria paisagem.
A casa de pedra circular, com sua parede de quase um metro e a cobertura em telhas shingle, tem a aparência de algo antigo e sólido, exatamente o charme rústico que os Hentz buscavam.
É engenharia rústica feita à mão, sem manual.
Do sonho rústico ao agroturismo

O que era um projeto pessoal se transformou no centro de um polo de agroturismo, atraindo gente que quer fugir da cidade e curtir o campo.
A propriedade já conta com dois chalés prontos e outros dois em construção, pensados para receber visitantes.
O perfil do turista é bem definido.
“Sempre gostei de chalés. Queremos que cada chalé ofereça conforto para estadias de dias ou semanas”, explicou Fernando, mirando casais e famílias em busca de sossego.
A própria Steinhaus deve ser destinada a casais que procuram privacidade e contato com a natureza.
O agroturismo da família vai além da hospedagem.
A criação de ovelhas faz parte do roteiro, e a propriedade recebe visitas técnicas, excursões escolares e grupos de estudo, somando educação e turismo no mesmo espaço.
Fernando resume a proposta: “Aqui a pegada é outra: quem vem quer silêncio, verde, flores, paisagismo.”
Pedra do próprio terreno: barato e ecológico
Um dos trunfos do projeto é a origem do material.
Toda a pedra usada na Steinhaus vem do próprio terreno da família, o que elimina o custo de comprar e transportar material de construção de fora.
Essa escolha conversa com a paixão de Fernando por casas ecológicas, que aproveitam os recursos disponíveis no lugar em vez de importá-los.
A lógica é simples e poderosa.
Quando a matéria-prima já está no chão da sua propriedade, construir vira uma questão de trabalho e tempo, não de grandes desembolsos.
A casa de pedra circular prova que dá para erguer algo imponente sem depender de uma indústria cara de materiais.
Há ainda o ganho ambiental.
Usar a pedra local reduz o impacto do transporte e dispensa concreto e acabamentos industrializados, deixando a construção mais próxima da natureza ao redor.
É barato, durável e ecológico ao mesmo tempo.
Por que casas de pedra encantam tanta gente
Construções de pedra exercem um fascínio que atravessa séculos.
Elas remetem a castelos, vilarejos antigos e a uma solidez que o tijolo comum não transmite, passando uma sensação de permanência e de história.
Por isso, histórias de gente que ergue uma casa de pedra à mão costumam viralizar e emocionar.
O diferencial da Steinhaus está em dois pontos.
Primeiro, é obra de pai e filho, uma parceria entre gerações que dá um peso afetivo extra à pedra fria.
Segundo, ela não ficou só como moradia ou troféu pessoal, virou um polo de agroturismo que gera renda e movimenta o interior catarinense.
Essa combinação é o que torna o caso especial.
Não é apenas uma casa de pedra circular bonita, é um projeto que une tradição, sustentabilidade, laço familiar e empreendedorismo rural numa coisa só.
A pedra, aqui, é meio e mensagem.
O que o caso da Steinhaus ensina
A lição mais bonita é sobre transformar paixão em propósito.
Os Hentz pegaram uma inspiração de viagem, um recurso que tinham de sobra e a vontade de trabalhar juntos, e converteram tudo isso num projeto de agroturismo com cara própria.
É a prova de que dá para criar algo único e rentável a partir do que parece simples, como pedras num terreno.
Vale, claro, manter o pé no chão.
Erguer uma casa de pedra circular pedra por pedra é lento, trabalhoso e não acontece da noite para o dia, e viver de agroturismo depende de localização, divulgação e um fluxo constante de visitantes.
Não é fórmula mágica de renda, é fruto de anos de dedicação de uma família que ama o que faz.
Ainda assim, o exemplo inspira.
A Steinhaus mostra que tradição e inovação podem caber na mesma parede de 97 centímetros, e que o interior do Brasil está cheio de gente capaz de transformar uma boa ideia em destino turístico.
Do encanto na Escócia ao sossego de Santa Catarina, pai e filho provam que sonho grande também se constrói devagar.
E você, deixaria a correria da cidade para passar uns dias numa casa de pedra circular no meio do verde, cercado de ovelhas e silêncio? Conta pra gente nos comentários se você toparia conhecer a Steinhaus ou até erguer um projeto assim na sua própria terra.
