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Enquanto impõe tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros, governo Trump percorre 9 cidades do Brasil para convencer empresas a abrir operação nos EUA e transformar a pressão comercial em ofensiva para atrair investimentos, fábricas e filiais ao mercado americano

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Escrito por Ana Alice Publicado em 11/07/2026 às 19:57 Atualizado em 11/07/2026 às 19:59
Assista o vídeoSelectUSA passa por nove cidades brasileiras para atrair empresas aos EUA em meio à proposta de tarifa de 25% sobre produtos do Brasil. (Imagem: Ilustrativa)
SelectUSA passa por nove cidades brasileiras para atrair empresas aos EUA em meio à proposta de tarifa de 25% sobre produtos do Brasil. (Imagem: Ilustrativa)
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A agenda americana no Brasil ocorre em um momento de tensão comercial e reúne interesses de empresas, governos e investidores diante de mudanças que podem afetar exportações, fábricas e decisões de expansão internacional.

A Embaixada e os Consulados dos Estados Unidos no Brasil vão promover, entre julho e agosto de 2026, uma série de eventos em nove cidades brasileiras para apresentar a empresários caminhos para instalar ou ampliar operações no mercado americano.

A agenda ocorre enquanto o governo de Donald Trump avalia uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, medida que ainda estava em fase de análise pelas autoridades comerciais dos EUA.

Batizada de SelectUSA Every Day, a iniciativa reunirá representantes do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, especialistas em internacionalização e parceiros ligados ao desenvolvimento econômico.

A programação deverá abordar regras para entrada no mercado americano, aspectos tributários e operacionais, ambiente regulatório e incentivos oferecidos por estados norte-americanos.

Embora os encontros coincidam com o aumento das tensões comerciais entre Brasília e Washington, o SelectUSA não foi criado durante o atual governo Trump.

O programa existe desde 2011 e integra uma política permanente dos Estados Unidos para atrair investimentos estrangeiros, estimular a abertura de unidades produtivas e apoiar a geração de empregos no país.

SelectUSA passará por nove cidades brasileiras

O primeiro encontro do SelectUSA Every Day está previsto para 14 de julho, em Goiânia.

Na sequência, o programa passará por Uberlândia, em 15 de julho, e Uberaba, no dia seguinte.

As três cidades fazem parte de regiões com presença relevante dos setores industrial, agropecuário e de serviços.

A agenda será retomada em 27 de julho, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

São Carlos receberá o evento em 28 de julho, enquanto Londrina, no Paraná, terá uma edição no dia 29.

Em 31 de julho, será a vez de São José dos Campos, município que concentra empresas dos setores aeroespacial, tecnológico e industrial.

As duas últimas etapas anunciadas ocorrerão no Nordeste.

Fortaleza receberá o programa em 26 de agosto, e Recife encerrará o calendário divulgado no dia 27.

Segundo a representação diplomática americana, os encontros serão gratuitos e voltados a empresários, executivos e investidores interessados em conhecer as exigências para operar nos Estados Unidos.

A programação prevê informações sobre abertura e expansão de negócios, escolha de localidades, contratação de mão de obra e acesso a estruturas de apoio.

Também deverão ser apresentados aspectos relacionados a fornecedores, custos de operação e incentivos estaduais ou municipais disponíveis para projetos estrangeiros.

Resumo sobre o SelectUSA Every Day - Imagem: Arte/Ana Alice
Resumo sobre o SelectUSA Every Day – Imagem: Arte/Ana Alice

Tarifa de 25% sobre produtos brasileiros estava em análise

O roadshow ocorre em um período de incerteza para empresas brasileiras que exportam aos Estados Unidos.

Em 1º de junho de 2026, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, conhecido pela sigla USTR, apresentou uma proposta de cobrança adicional de 25% sobre produtos originários do Brasil.

A nova tarifa não havia sido formalmente implementada no momento da divulgação do programa.

O governo americano abriu um processo para receber manifestações de empresas, governos e entidades interessadas antes de tomar uma decisão definitiva.

A proposta foi apresentada com base na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos.

O mecanismo permite que o governo adote tarifas ou outras restrições quando considera que práticas de outro país prejudicam empresas ou o comércio americano.

Segundo o USTR, a investigação envolveu temas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, aplicação de normas anticorrupção e combate ao desmatamento ilegal.

Essas são conclusões e alegações do governo dos Estados Unidos, contestadas em diferentes pontos por representantes brasileiros.

O texto submetido à consulta previa a aplicação da alíquota de 25% sobre mercadorias brasileiras, mas estabelecia exceções para determinados produtos.

Entre os itens que poderiam ficar de fora estavam artigos já submetidos a tarifas setoriais, matérias-primas sem oferta suficiente nos Estados Unidos e produtos cuja taxação poderia provocar impactos mais amplos na economia americana.

Uma audiência pública foi realizada em Washington em 6 de julho de 2026.

Durante essa etapa, representantes empresariais e políticos apresentaram argumentos sobre os possíveis efeitos das tarifas nas cadeias de produção, nos preços e no comércio bilateral.

Até a conclusão do processo, a cobrança permanecia classificada oficialmente como proposta.

O protecionismo adotado por Trump utiliza tarifas de importação como instrumento para estimular a produção dentro dos Estados Unidos.

O presidente afirma que a estratégia pode levar empresas estrangeiras a instalar fábricas no país, ampliar a contratação de trabalhadores americanos e reduzir a dependência de produtos fabricados no exterior.

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Trump relaciona investimento da Toyota à política tarifária

Um dos casos usados por Trump para defender essa política foi o anúncio de um investimento de US$ 3,6 bilhões da Toyota em San Antonio, no Texas.

A montadora informou em 7 de julho de 2026 que ampliará sua unidade já existente na cidade e instalará uma segunda linha de montagem.

A nova estrutura deverá entrar em operação em 2030, acrescentar aproximadamente 150 mil veículos à capacidade anual da fábrica e criar mais de 2 mil empregos.

A companhia também planeja transferir, ao longo de cerca de quatro anos, a produção da caminhonete Tacoma realizada na unidade de Baja California, no México, para o Texas.

Após o anúncio, Trump atribuiu a decisão da empresa à política comercial de seu governo.

“A Toyota está se mudando do México para os Estados Unidos, Texas. Grande negócio. Tarifas em ação”, escreveu o presidente em uma publicação na Truth Social.

A Toyota, porém, não confirmou que a tarifa tenha sido o motivo determinante para o investimento.

Em resposta ao g1, a companhia afirmou que seus projetos seguem planejamento de longo prazo e projeções de mercado, além de objetivos estratégicos para a produção na América do Norte.

“Embora sejamos impactados pela evolução das políticas comerciais, nossos investimentos são decisões para várias décadas”, declarou a montadora.

A empresa acrescentou que a escolha de uma localidade considera fatores como disponibilidade de mão de obra, infraestrutura e proximidade de fornecedores.

O comunicado oficial da Toyota também apresenta o projeto como uma expansão da fábrica de San Antonio, e não como a construção de uma operação independente em outro endereço.

Mesmo com a transferência de parte da produção, a montadora informou que manterá a fabricação da Tacoma em Guanajuato, no México.

Programa SelectUSA foi criado pelo governo dos EUA em 2011

O SelectUSA foi instituído em 15 de junho de 2011, durante o governo de Barack Obama, por meio de uma ordem executiva.

Vinculado ao Departamento de Comércio, o programa recebeu a missão de coordenar ações federais destinadas a atrair e manter investimentos empresariais nos Estados Unidos.

Entre suas funções estão a divulgação do mercado americano, o fornecimento de informações sobre programas e incentivos públicos e a aproximação de investidores estrangeiros com autoridades estaduais e locais.

A iniciativa também atua na orientação de empresas que enfrentam dúvidas relacionadas a projetos de investimento.

De acordo com os dados divulgados pelo próprio Departamento de Comércio, o SelectUSA já facilitou mais de US$ 400 bilhões em investimentos desde sua criação.

O órgão afirma ainda que os projetos apoiados pelo programa contribuíram para criar ou preservar mais de 270 mil empregos nos Estados Unidos.

A passagem do SelectUSA por cidades brasileiras expõe duas frentes da política econômica americana: de um lado, o aumento das barreiras para determinados produtos importados; de outro, a oferta de informações e incentivos para que companhias estrangeiras transfiram parte de suas operações ao país.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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