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Mineiro entrou como estagiário em uma empresa de tecnologia, saiu convencido de que não voltaria, criou a própria consultoria e retornou como sócio antes de assumir a presidência e levar o faturamento de R$ 25,6 milhões para mais de R$ 100 milhões

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Escrito por Noel Budeguer Publicado em 11/07/2026 às 07:48 Atualizado em 11/07/2026 às 07:50
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André Xavier assumiu o comando da BHS em 2017, quando a companhia faturava R$ 25,6 milhões e tinha 192 funcionários. Oito anos depois, a receita anual ultrapassou R$ 100 milhões, a equipe chegou a 265 pessoas e a empresa ampliou sua atuação em nuvem, segurança digital e inteligência artificial.
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André Xavier assumiu o comando da BHS em 2017, quando a companhia faturava R$ 25,6 milhões e tinha 192 funcionários. Oito anos depois, a receita anual ultrapassou R$ 100 milhões, a equipe chegou a 265 pessoas e a empresa ampliou sua atuação em nuvem, segurança digital e inteligência artificial.

Ele voltou pela porta maior.

Em 2002, André Xavier atravessou as portas de uma empresa de tecnologia de Belo Horizonte para ocupar uma vaga de estágio. Anos depois, sairia do negócio acreditando que aquela etapa havia terminado.

O caminho, porém, fez uma curva improvável. André criou a própria consultoria, aproximou-se novamente da antiga empresa e retornou não como funcionário, mas como sócio. Em 2017, assumiu a presidência da BHS, que desde então viu o faturamento avançar de R$ 25,6 milhões para mais de R$ 100 milhões.

A transformação também apareceu no tamanho da equipe. O quadro passou de 192 para 265 funcionários, enquanto a companhia afirma ter atendido mais de dois mil clientes ao longo de sua trajetória.

O estágio que mudou uma carreira ainda indefinida

André Xavier, CEO do Grupo BHS: o executivo começou como estagiário, deixou a companhia para criar a própria consultoria e retornou anos depois como sócio, até assumir o comando da empresa mineira de tecnologia. Foto: BHS/Divulgação
André Xavier, CEO do Grupo BHS: o executivo começou como estagiário, deixou a companhia para criar a própria consultoria e retornou anos depois como sócio, até assumir o comando da empresa mineira de tecnologia. Foto: BHS/Divulgação

Antes de entrar na área de tecnologia, André havia começado a estudar Engenharia de Controle e Automação. Abandonou o curso, fez testes vocacionais e ainda tentou retomar a engenharia.

A mudança aconteceu quando conseguiu uma oportunidade de estágio na área tecnológica de uma empresa de engenharia. O contato com desenvolvimento de software alterou seus planos e o levou para a computação.

Em 2002, ele entrou na BHS como estagiário. A empresa havia sido fundada em Belo Horizonte em 1994 e ainda carregava o nome Belo Horizonte Sistemas, com atuação ligada a programas, redes corporativas e tecnologias da Microsoft.

André permaneceu no negócio por cerca de dois anos. Gostava da proximidade entre funcionários e direção, mas percebeu mudanças internas que, em sua avaliação, enfraqueciam aquele ambiente. Saiu convencido de que não voltaria.

Uma consultoria própria colocou as empresas lado a lado

Depois de se formar em 2004, André abriu mão da festa de formatura e viajou pela Europa. Passou um período estudando espanhol na Espanha e percorreu o Caminho de Santiago de Compostela.

De volta ao Brasil, começou a trabalhar com gestão de projetos. Cerca de dois anos mais tarde, criou a Sotis Consultoria, especializada na implantação do Microsoft Project Server, plataforma utilizada por empresas para organizar e acompanhar projetos.

A consultoria conquistou clientes, aproximou-se da Microsoft e acabou instalada em um escritório vizinho ao da BHS. A proximidade física abriu espaço para projetos conjuntos.

O que começou como colaboração comercial avançou até uma fusão, realizada por volta de 2009. André retornou à antiga empresa como sócio e diretor, poucos anos depois de sair acreditando que aquela porta estava definitivamente fechada.

De volta como sócio, ele assumiu operações estratégicas

O primeiro grande desafio após o retorno foi comandar a operação da BHS em São Paulo. Em 2011, ele voltou a Belo Horizonte para assumir toda a área de consultoria.

A mudança decisiva ocorreu em 2016, quando o fundador da empresa decidiu deixar a administração diária e criar um conselho. André passou aproximadamente um ano no processo de transição e assumiu a presidência em 2017.

Naquele momento, a BHS registrava faturamento de R$ 25,6 milhões e tinha 192 funcionários. O negócio ainda era muito associado ao desenvolvimento de software e à infraestrutura de tecnologia.

Sob a nova direção, a empresa ampliou a atuação em computação em nuvem, terceirização de profissionais, segurança digital, dados, automação, compliance e inteligência artificial.

Segundo a Exame, a receita anual superou R$ 100 milhões em 2025. Isso representa um crescimento superior a 290% em relação ao valor registrado quando André assumiu, fazendo o faturamento quase quadruplicar.

Fusões ajudaram a ampliar serviços e mercado

A expansão não ocorreu apenas de forma orgânica. Em 2017, a BHS anunciou a união com a Axter, empresa ligada a infraestrutura, segurança, serviços administrados e computação em nuvem.

Juntas, as operações reuniam aproximadamente 200 profissionais e faturamento superior a R$ 25 milhões naquele período. André permaneceu no comando da companhia resultante da fusão.

Em 2023, a BHS também adquiriu 50% da mineira Nowcy, especializada em segurança digital. A operação reforçou uma área considerada estratégica diante do aumento da preocupação de empresas com proteção de dados, conformidade e riscos digitais.

Inteligência artificial deve sustentar o próximo salto

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Para 2026, a projeção divulgada pela companhia é alcançar entre R$ 120 milhões e R$ 125 milhões em receita, com crescimento esperado entre 20% e 25%.

A inteligência artificial deverá ter participação importante. A expectativa é que projetos relacionados à tecnologia representem entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões do faturamento do ano.

Entre as soluções desenvolvidas está uma plataforma voltada à análise de comunicações corporativas, capaz de identificar possíveis riscos regulatórios, vazamentos de informações, assédio, discriminação e descumprimento de políticas internas.

A trajetória de André Xavier vai além de uma promoção dentro da mesma companhia. Ela mostra como um estagiário que decidiu partir voltou anos depois com experiência, clientes e uma empresa própria, transformando a antiga empregadora no negócio que passaria a comandar.

Mais de duas décadas após aquela primeira vaga, a porta pela qual ele entrou como aprendiz passou a ser a entrada de uma empresa mineira que superou R$ 100 milhões e agora tenta encontrar na inteligência artificial o caminho para o próximo ciclo de crescimento.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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