Entenda a composição nutricional, o processo de enformagem e as notas aromáticas do Queijo Taiada, receita inovadora que une queijo e formiga.
A combinação pode parecer incomum para muitos consumidores, mas vem conquistando espaço no mercado. Produzido com queijo e formiga içá, o Queijo Taiada tem registrado boa aceitação comercial e se transformou em um dos produtos mais curiosos da gastronomia artesanal brasileira. Atualmente, cada peça de 450 gramas é comercializada por R$ 90, valor que ultrapassa R$ 200 por quilo.
Segundo a mestre-queijeira Camila Almeida, proprietária da Estância Silvânia, a procura costuma aumentar em datas comemorativas como Dia das Mães e Dia dos Pais, quando consumidores buscam produtos ligados à tradição, à memória afetiva e à cultura regional.
Consumo de insetos ganha espaço na alimentação
O uso de insetos na alimentação humana não é novidade. Em diversos países asiáticos, essa prática ocorre há séculos e é valorizada pelo alto valor nutricional dos ingredientes.
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De acordo com Camila Almeida, o mercado brasileiro também começa a acompanhar essa tendência, inclusive com produtores especializados na criação de insetos para consumo humano.
A principal justificativa nutricional está na elevada concentração de proteínas, que pode superar 80% em determinadas espécies.
A ideia de criar o Queijo Taiada nasceu em 2021 com o objetivo de valorizar tradições gastronômicas regionais e impulsionar o turismo rural.
A escolha da formiga içá, também conhecida como tanajura, foi inspirada por um hábito cultural bastante presente em Caçapava, interior de São Paulo.
Segundo a produtora, o consumo da içá faz parte da identidade local, especialmente em receitas tradicionais como a farofa de tanajura.
O projeto também buscava criar um produto capaz de atrair visitantes para propriedades voltadas ao turismo rural.
Como o queijo é produzido
A receita utiliza leite A2 proveniente de vacas da raça gir leiteiro, criadas exclusivamente a pasto e ordenhadas com o bezerro ao pé.
A base do queijo leva apenas leite, coalho e sal. A inclusão das formigas ocorre em uma etapa específica do processo produtivo.

Antes de serem incorporadas à massa, as içás passam por um processo de torra. Em seguida, são adicionadas durante a enformagem, fase em que o queijo recebe seu formato final.
Segundo Camila Almeida, esse foi um dos principais desafios técnicos do desenvolvimento da receita, já que o inseto não se adapta adequadamente às demais etapas da fabricação.
Maturação e perfil sensorial
Após a prensagem, o queijo passa por um período de maturação de 60 dias.
Durante esse processo, desenvolve uma textura macia e um sabor levemente adocicado.
A presença das formigas adiciona características únicas ao produto:
- crocância marcante
- aromas que lembram amêndoas
- notas de castanha e amendoim
- leve toque de erva-doce no final da degustação
O resultado é um queijo de perfil sensorial incomum, que combina tradição rural e inovação gastronômica.
Reconhecimento internacional do Queijo Taiada
O diferencial do produto também chamou atenção fora do Brasil. Criado inicialmente para competir no Mondial du Fromage et des Produits Laitiers, realizado em Tours, na França, o Queijo Taiada conquistou a medalha de bronze na edição de 2021.
O reconhecimento abriu portas para que a marca participasse do Salon du Fromage, em Paris, no ano seguinte. Posteriormente, o produto voltou a ganhar destaque internacional durante a 3ª Copa América do Queijo, realizada no Peru.
Na competição, recebeu a distinção “Super Oro”, uma das maiores premiações do evento, após os jurados destacarem a harmonia entre textura, sabor e originalidade da proposta.
Com informações do Agro em Campo
