1. Início
  2. Agronegócio
  3. Família de Santa Catarina começou em 1984 com uma única vaca vendendo queijo pra pagar a feira e agora foi eleita a melhor do mundo, superando 2.700 queijos de 30 países
Faça um comentário 7 min de leitura

Família de Santa Catarina começou em 1984 com uma única vaca vendendo queijo pra pagar a feira e agora foi eleita a melhor do mundo, superando 2.700 queijos de 30 países

Imagem de perfil do autor Bruno Teles
Escrito por Bruno Teles Publicado em 25/06/2026 às 14:36 Atualizado em 25/06/2026 às 14:39
O Reserva do Vale, queijo artesanal da família Possamai, em Santa Catarina, foi eleito o melhor queijo do mundo entre 2.700 concorrentes de 30 países.
O Reserva do Vale, queijo artesanal da família Possamai, em Santa Catarina, foi eleito o melhor queijo do mundo entre 2.700 concorrentes de 30 países.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Em Pouso Redondo, no interior de Santa Catarina, a família Possamai começou em 1984 com uma única vaca e agora tem o melhor queijo do mundo: o Reserva do Vale, um queijo artesanal que superou 2.700 concorrentes de 30 países e levou o título mundial.

Existe vitória grande e existe vitória de virar o mundo de cabeça para baixo. A da família Possamai é do segundo tipo. Um queijo feito numa pequena propriedade do interior de Santa Catarina foi eleito o melhor queijo do mundo, batendo 2.700 concorrentes de 30 países. Ele se chama Reserva do Vale, é produzido em Pouso Redondo, no Alto Vale do Itajaí, e levou o título mais cobiçado do setor. De uma vaca, lá em 1984, à melhor do planeta: é o tipo de salto que merece ser contado.

A conquista foi noticiada pelo NSC Total em abril de 2026 e colocou um queijo artesanal brasileiro no topo absoluto. No 4º Mundial do Queijo do Brasil, realizado em São Paulo, o Reserva do Vale, da Queijos Possamai, conquistou o primeiro lugar geral, eleito o melhor entre milhares de rótulos do mundo inteiro. E não veio sozinho: a família ainda faturou seis medalhas de ouro na mesma competição. “Vem uma mistura de alegria, orgulho e gratidão por tudo o que vivemos até aqui”, resumiu o proprietário Marlon Possamai.

O queijo que venceu o mundo

O Reserva do Vale, queijo artesanal da família Possamai, em Santa Catarina, foi eleito o melhor queijo do mundo entre 2.700 concorrentes de 30 países.
O tamanho do feito fica claro quando se olha a competição.

O Mundial do Queijo do Brasil, em sua quarta edição, aconteceu em São Paulo entre os dias 16 e 19 de abril de 2026 e reuniu cerca de 2.700 queijos de 30 países.

É um dos maiores concursos do setor no mundo, com jurados avaliando rótulos de produtores artesanais e industriais de todos os continentes.

Entre todos eles, um só pode ficar com o título máximo.

Foi o Reserva do Vale, da Queijos Possamai, que cravou o primeiro lugar geral e foi eleito o melhor queijo do mundo na competição.

Não foi um prêmio de categoria nem uma menção honrosa, foi o topo absoluto do pódio.

E a colheita de medalhas não parou aí.

Além do grande prêmio, a Possamai levou seis medalhas de ouro, uma de prata e duas de bronze com outros queijos, como o Tipo Gouda, o Prato e o de Coalho.

Foi uma varredura que confirmou: não venceu um queijo de sorte, venceu uma queijaria inteira.

Reserva do Vale: 12 meses e notas de amêndoa e caramelo

Vale entender o que torna esse queijo tão especial.

O Reserva do Vale passa por um período de maturação de cerca de 12 meses, tempo longo que concentra sabor e refina a textura.

O resultado é um queijo de massa cremosa, com notas marcantes de amêndoas e caramelo, descrito pelos avaliadores como equilibrado, complexo e de alta qualidade.

Esse perfil não acontece por acaso.

A receita é original da família e usa o leite produzido na própria fazenda, o que dá controle total sobre a matéria-prima, do pasto à prateleira.

No mundo do queijo artesanal, esse domínio da cadeia inteira é o que separa o bom do excepcional.

A maturação de um ano é uma aposta de paciência.

Enquanto muita queijaria gira o estoque rápido, o Reserva do Vale fica meses descansando até atingir o ponto, e é esse tempo que constrói a complexidade premiada.

Qualidade desse nível se mede em meses, não em pressa.

De uma vaca em 1984 a três gerações

A trajetória da Possamai dá ainda mais peso ao prêmio.

A produção de queijo na família começou em 1984, numa pequena propriedade rural, com uma estrutura modesta e uma única vaca.

Hoje, o negócio reúne três gerações e cerca de oito integrantes da família trabalhando diretamente na fazenda e na queijaria.

O contraste é o coração da história.

Sair de uma vaca, num cantinho de Santa Catarina, para erguer um queijo artesanal eleito o melhor do mundo é o tipo de salto que poucos negócios conseguem dar.

São 42 anos de ofício transformados em um título mundial.

Esse acúmulo de tempo é um ativo invisível.

Cada geração foi refinando a técnica, ajustando a receita e aprendendo com a anterior, num conhecimento que não se compra pronto e que está hoje cristalizado no Reserva do Vale.

Tradição, no caso da Possamai, virou vantagem competitiva.

7 mil litros por dia e 600 animais

Por trás do queijo premiado há uma operação robusta.

A propriedade da família conta com cerca de 600 animais e capacidade para processar mais de 7 mil litros de leite por dia.

Não é mais a estrutura de fundo de quintal do começo, e sim uma queijaria de porte, capaz de aliar escala e padrão artesanal.

A virada de chave veio de uma decisão estratégica.

Cerca de cinco anos atrás, a família resolveu modernizar a produção e investir pesado em queijos artesanais de maior valor agregado, em vez de apenas vender leite ou queijo comum.

Foi essa aposta na qualidade que pavimentou o caminho até o título mundial.

O equilíbrio entre volume e capricho é o trunfo do modelo.

Produzir 7 mil litros por dia sem perder o cuidado artesanal exige processo, controle e gente que entende do ofício, e é isso que a Possamai construiu.

Escala e excelência, no caso, andam juntas.

Não foi sorte: 30 medalhas e dois World Cheese Awards

O título de melhor queijo do mundo não foi um raio em céu azul.

A Queijos Possamai já acumulava mais de 30 medalhas nacionais e internacionais antes dessa consagração, incluindo dois World Cheese Awards, um ouro e uma prata.

Ou seja, a queijaria já era reconhecida no circuito mundial do queijo, e o prêmio de 2026 foi a coroação de um histórico consistente.

A formalização também ajudou a abrir portas.

O reconhecimento de queijos catarinenses por sistemas oficiais de inspeção, como apontou o Ministério da Agricultura e Pecuária, permite que a produção artesanal chegue a mais mercados com segurança sanitária garantida.

Qualidade e regularização, juntas, destravam o crescimento.

Esse currículo explica a vitória.

Quem ganha o título de melhor queijo do mundo costuma ter, por trás, anos de provas, ajustes e medalhas que vão construindo a excelência aos poucos.

A Possamai chegou ao topo porque já vinha escalando a montanha havia muito tempo.

Por que o queijo artesanal brasileiro está no topo

O caso da Possamai não é isolado, e isso é ótimo para o Brasil.

O queijo artesanal brasileiro vive um momento de ouro, com produtores de Santa Catarina, Minas Gerais e outros estados conquistando prêmios internacionais que antes pareciam inalcançáveis.

O país, conhecido lá fora por commodities, está mostrando que também faz alimento de altíssimo valor agregado.

Esse avanço tem motor econômico.

Investir em queijo artesanal premiado é transformar o leite, uma commodity de margem apertada, num produto gourmet que vende caro e ganha mercado, inclusive para exportação.

Um título mundial vira marketing impagável para um pequeno produtor de Santa Catarina.

Há também um efeito de cadeia.

Cada vitória brasileira no exterior abre espaço para outros produtores nacionais, valoriza a marca do queijo do país e atrai turismo gastronômico para regiões como o Alto Vale do Itajaí.

O Reserva do Vale virou, de uma hora para outra, embaixador do queijo artesanal nacional.

O que o caso da Possamai mostra

A maior lição é sobre transformar tradição em estratégia.

A Possamai pegou um saber de família de quatro décadas e o combinou com modernização, investimento e foco em qualidade, e foi essa soma que produziu o melhor queijo do mundo.

Não foi nostalgia, foi tradição usada como base para inovar e competir lá em cima.

Vale, claro, manter o pé no chão.

Chegar ao topo exigiu 42 anos de ofício, cinco anos de investimento concentrado e uma estrutura de 7 mil litros por dia, então não é um resultado que se replica da noite para o dia.

É excelência construída com tempo, método e capital, não um acaso reproduzível por qualquer um.

Ainda assim, o exemplo inspira o interior inteiro.

Mostra que um queijo artesanal feito numa propriedade familiar de Santa Catarina pode, sim, bater os melhores do planeta, desde que se aposte em qualidade de verdade.

De uma vaca a melhor do mundo, a Possamai provou que o teto é bem mais alto do que parece.

E você, imaginava que o melhor queijo do mundo, escolhido entre milhares de 30 países, sairia de uma pequena propriedade do interior de Santa Catarina? Conta pra gente nos comentários se você já provou um queijo artesanal brasileiro que, na sua opinião, merecia um prêmio internacional.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x