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Aos 17 anos ele transportava terra em uma carroça puxada por burro, comprou duas carroças para entrar nas obras e virou o fundador da construtora que abriu estradas para Brasília, participou de Itaipu e deixou fortuna bilionária

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 13/07/2026 às 23:06 Atualizado em 13/07/2026 às 23:39
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Trajetória de Sebastião Camargo une carroça puxada por burro, compra de máquinas e criação da Camargo Corrêa, construtora que participou de algumas das maiores obras de infraestrutura do Brasil, entre elas Brasília, Itaipu, Ponte Rio-Niterói, Tucuruí e gasoduto Brasil-Bolívia.

Antes de se tornar um dos nomes mais conhecidos da construção pesada no Brasil, Sebastião Camargo começou transportando terra retirada de obras em uma carroça puxada por burro, no interior de São Paulo, em uma rotina marcada por trabalho manual e contato direto com canteiros.

Dessa atividade inicial surgiu o caminho que levaria à criação da Camargo Corrêa, construtora que participou de obras como Brasília, Ponte Rio-Niterói, Itaipu, Tucuruí, Angra I, metrô de São Paulo e gasoduto Brasil-Bolívia, todas associadas a momentos relevantes da infraestrutura brasileira.

Sebastião Camargo saiu do interior paulista e entrou na construção civil pela terraplenagem

O contraste entre o ponto de partida e a escala alcançada décadas depois ajuda a explicar por que a trajetória chama atenção dentro da construção civil brasileira, especialmente pela passagem de serviços simples de terraplenagem para contratos ligados a grandes obras nacionais.

Filho de agricultores e com escolaridade limitada ao terceiro ano primário, Sebastião Ferraz de Camargo Penteado saiu de Jaú, no interior paulista, para construir uma carreira ligada à terraplenagem, à infraestrutura pesada e à formação de um grupo empresarial diversificado.

Segundo material publicado pelo portal Cimento.org, Camargo iniciou o transporte de terra aos 17 anos, usando uma carroça puxada por burro para atender obras em andamento e transformar um serviço braçal em porta de entrada para a construção civil.

Naquele período, o trabalho simples aproximou o jovem de estradas, canteiros, equipes e demandas por infraestrutura, em um país que ampliava obras urbanas e dependia cada vez mais de empreiteiros capazes de executar serviços de terraplenagem.

O passo seguinte veio quando a atividade começou a ganhar escala, já que Camargo comprou duas carroças e passou a atuar com mais estrutura nas obras que se multiplicavam pelo interior de São Paulo.

Com a pá nas mãos e as rédeas sob controle, ele participou de serviços ligados à abertura de estradas, acompanhou a rotina dos canteiros e aprendeu, na prática, técnicas que mais tarde seriam decisivas para sua atuação empresarial.

Compra de trator mudou a escala da futura Camargo Corrêa

Sebastião Camargo começou com uma carroça, fundou a Camargo Corrêa e participou de obras como Brasília, Itaipu e Ponte Rio-Niterói.
Sebastião Camargo começou com uma carroça, fundou a Camargo Corrêa e participou de obras como Brasília, Itaipu e Ponte Rio-Niterói.

A experiência acumulada nas frentes de obra transformou o trabalhador em pequeno empreiteiro, principalmente porque a convivência com máquinas, solo, prazos e contratação de serviços criou uma base operacional construída diretamente no ambiente dos canteiros.

Fora dos ambientes formais de engenharia, essa formação prática ajudou Camargo a compreender custos, deslocamento de equipamentos e execução de obras, fatores que seriam essenciais para a expansão do negócio nos anos seguintes.

A partir dessa vivência, a atividade deixou de depender apenas da escala individual e começou a avançar para uma estrutura empresarial, com maior capacidade de assumir serviços complexos e atender demandas de infraestrutura em crescimento.

A Camargo Corrêa nasceu como construtora após a associação de Sebastião Camargo com Sylvio Brand Corrêa e Mauro Marcondes Calasans, em uma fase de expansão da malha de transporte e da infraestrutura urbana no país.

Com sede no centro da capital paulista e capital inicial de 200 contos de réis, a empresa foi constituída em São Paulo em um período no qual obras públicas e grandes empreiteiras tinham papel central no desenvolvimento nacional.

Pouco depois da formalização da companhia, Camargo comprou um trator, equipamento que se tornaria uma vantagem importante em relação a concorrentes que ainda dependiam de métodos mais rudimentares para executar serviços de terraplenagem.

A aquisição marcou uma mudança de escala, pois a empresa deixou de se apoiar apenas em força manual e pequenos serviços para disputar contratos mais complexos, especialmente na abertura de vias e na preparação de terrenos.

Com o crescimento dos contratos, a construtora passou a ganhar presença em obras de maior porte, impulsionada não apenas por máquinas, mas também pela capacidade de organizar canteiros, deslocar equipamentos e responder a demandas em diferentes regiões.

A imagem do jovem que começou com uma carroça ficou distante da operação que, anos depois, mobilizaria centenas de equipamentos em projetos nacionais, sem perder a ligação original com a terraplenagem e a execução prática de obras.

Brasília colocou a construtora em evidência nacional

Entre os episódios mais simbólicos dessa trajetória está a participação nas obras ligadas à construção de Brasília, projeto que levou empresas de infraestrutura a atuar em uma região estratégica para a implantação da nova capital brasileira.

Durante esse processo, a Camargo Corrêa ficou associada à abertura de várias estradas que permitiram acesso ao território onde a cidade seria erguida, ampliando sua visibilidade nacional e consolidando presença no setor de infraestrutura.

A relação com Brasília também revelou o tamanho que a empresa havia atingido, especialmente quando a construtora precisou demonstrar capacidade de mobilizar máquinas suficientes para atuar em uma obra de grande escala.

Ao apresentar tratores vindos de diferentes canteiros, a companhia reforçou a capacidade logística que havia se tornado uma marca do grupo e mostrou como a operação saíra do transporte de terra em Jaú para projetos nacionais.

O que começou com uma carroça puxada por burro passou a integrar um dos maiores projetos urbanos do Brasil, em uma virada que tornou a história de Sebastião Camargo uma das mais curiosas da construção pesada.

Itaipu, Ponte Rio-Niterói e grandes obras ampliaram o alcance da empresa

A expansão continuou em obras de grande impacto, levando a Camargo Corrêa a participar da construção da Ponte Rio-Niterói, uma das ligações rodoviárias mais conhecidas do país e referência na integração entre cidades.

No setor de energia e infraestrutura, a empresa também esteve associada a projetos como a hidrelétrica de Itaipu, a Usina de Tucuruí, a hidrelétrica de Ilha Solteira, a usina nuclear Angra I e o gasoduto Brasil-Bolívia.

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Essa presença em diferentes áreas acompanhou a diversificação do grupo, que avançou para segmentos como cimento, concessões, energia, transporte, indústria e outros negócios, ampliando sua atuação além dos canteiros de obra.

Com essa ampliação, a estrutura empresarial ligada à Camargo Corrêa passou a integrar um conglomerado de presença nacional, embora a origem da trajetória permanecesse conectada ao trabalho prático que marcou o início de Sebastião Camargo.

Na construção civil, a história do fundador costuma ser lembrada pelo contraste entre formação prática e escala empresarial, já que sua reputação foi construída a partir da operação direta, da terraplenagem e da leitura de oportunidades.

Sem seguir uma carreira acadêmica tradicional, Camargo consolidou atuação em um país que demandava rodovias, usinas, pontes, túneis e sistemas urbanos, áreas nas quais a capacidade de executar grandes contratos era decisiva.

Fortuna bilionária reforça contraste entre origem simples e infraestrutura nacional

O avanço da Camargo Corrêa também esteve ligado ao contexto brasileiro de grandes obras públicas, quando a infraestrutura dependia de empresas capazes de assumir contratos extensos, deslocar máquinas por longas distâncias e manter equipes numerosas.

Nesse ambiente, a experiência de Camargo com solo, estradas e máquinas pesadas tornou-se um ativo estratégico, especialmente pela capacidade de transformar conhecimento prático em operação empresarial voltada a obras de grande escala.

A trajetória pessoal do fundador ganhou ainda mais destaque quando seu nome passou a aparecer entre os bilionários listados pela revista Forbes, com fortuna pessoal avaliada em US$ 1,3 bilhão, conforme registrado no material do Cimento.org.

Esse número reforça o contraste central da história: de um jovem que transportava terra em carroça a empresário ligado a obras decisivas da infraestrutura nacional, incluindo projetos reconhecidos dentro e fora do Brasil.

Mesmo após sua morte, o grupo empresarial associado à família Camargo permaneceu relevante em diferentes áreas, com negócios ligados à holding Morro Vermelho em setores como agricultura, siderurgia, indústria têxtil, alumínio e transporte.

Apesar da diversificação, a origem da trajetória continuou vinculada à construção civil e ao trabalho prático que levou Sebastião Camargo da terraplenagem artesanal às grandes obras brasileiras.

A história desperta curiosidade porque reúne elementos raros em uma mesma trajetória: origem rural, baixa escolaridade formal, trabalho manual pesado, aposta em máquinas, grandes contratos e participação em obras reconhecidas no Brasil e no exterior.

Também mostra como a construção civil, em determinados períodos da história brasileira, abriu espaço para empreendedores capazes de transformar pequenas frentes de serviço em operações de escala nacional.

Entre todas as imagens associadas a Sebastião Camargo, poucas são tão fortes quanto a de um jovem conduzindo uma carroça de terra antes de fundar uma empresa que décadas depois estaria ligada a Brasília, Itaipu e à Ponte Rio-Niterói.

Até que ponto histórias assim ainda seriam possíveis no mercado de infraestrutura atual?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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