Postagens sobre a Venezuela recolocam no centro uma sequência de declarações de Trump sobre anexação, soberania e influência americana, em meio a crises diplomáticas, respostas internacionais e novos capítulos de tensão envolvendo países e territórios estratégicos.
Donald Trump voltou a associar política externa e retórica expansionista ao comentar a vitória da Venezuela sobre os Estados Unidos no World Baseball Classic.
Depois da classificação venezuelana para a final e, em seguida, do título conquistado por 3 a 2 sobre a seleção americana, o presidente dos EUA publicou mensagens na Truth Social insinuando a ideia de “estado” para o país sul-americano.

As postagens ampliaram a lista de territórios já citados por ele em discursos ou publicações sobre anexação, compra ou incorporação à área de influência americana.
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A Venezuela venceu a Itália na semifinal por 4 a 2 e conquistou pela primeira vez o título do torneio.
As manifestações de Trump ocorreram em meio a um cenário de tensão bilateral e repercutiram porque se somam a declarações recentes sobre Groenlândia, Canadá e Cuba, todos mencionados por ele em diferentes momentos.
As mensagens sobre a Venezuela foram publicadas em um contexto de crise entre Washington e Caracas.
Em 3 de janeiro de 2026, os Estados Unidos capturaram Nicolás Maduro em uma operação militar.
Desde então, Delcy Rodríguez passou a atuar interinamente no comando do país, enquanto o governo americano elevou a pressão política e econômica sobre Caracas.
No plano esportivo, a campanha venezuelana ganhou repercussão imediata.
A seleção derrotou os Estados Unidos na final do World Baseball Classic e alcançou ampla visibilidade no torneio.
A vitória teve peso simbólico para a Venezuela também por ocorrer em meio ao agravamento da relação com Washington.
Trump, Venezuela e o discurso sobre anexação
A Venezuela não é um caso isolado na retórica recente do presidente americano.
A Groenlândia voltou ao centro das declarações de Trump desde o início de 2025, quando ele retomou a defesa da ideia de controlar a ilha sob o argumento de segurança nacional.
Em entrevistas e declarações públicas, o presidente vinculou o território ao projeto de defesa antimísseis conhecido como Golden Dome.

O tema ganhou força no começo de 2026.
Na ocasião, Trump afirmou que os Estados Unidos “precisavam” da Groenlândia e associou o território à estratégia militar americana no Ártico.
A declaração provocou reação de países europeus e ampliou a pressão diplomática sobre a Dinamarca, responsável pela política externa e de defesa da ilha.
Em resposta, Dinamarca, Alemanha, França, Suécia, Noruega, Finlândia e Holanda reforçaram a presença militar na região ártica em janeiro.
Dias depois, após reunião com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, Trump disse que havia sido criada uma “estrutura” para um possível acordo futuro sobre a Groenlândia e o Ártico.
Do lado groenlandês, a resposta pública foi de rejeição à perda de soberania.
O primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen afirmou em janeiro que a Groenlândia escolhe a Dinamarca, e não os Estados Unidos.
Mais tarde, reiterou que qualquer negociação precisa respeitar os limites da autonomia local e a soberania do território.
Canadá reage à ideia do 51º estado
O Canadá também aparece com frequência nesse discurso de Trump.
Ainda em janeiro de 2025, quando era presidente eleito, ele sugeriu o uso de “força econômica” para transformar o país vizinho no 51º estado americano.

A resposta veio do então primeiro-ministro Justin Trudeau, que afirmou não haver possibilidade de o Canadá se tornar parte dos Estados Unidos.
Ao longo dos meses seguintes, o tema voltou a ser tratado por Trump em postagens e falas públicas.
Em março de 2025, ele voltou a se referir ao Canadá como futuro “querido 51º estado”, em meio à escalada tarifária entre os dois países.
A declaração gerou nova reação em Ottawa e reforçou o tom de tensão nas relações bilaterais.
Já em maio, o presidente americano associou o debate ao Golden Dome.
Segundo Trump, a participação canadense no sistema custaria US$ 61 bilhões caso o país permanecesse como uma nação independente.
Na mesma manifestação, afirmou que esse custo deixaria de existir se o Canadá aceitasse a anexação.
Mark Carney, que assumiu o governo canadense, confirmou que seu país discutia a possibilidade de aderir ao projeto de defesa antimísseis.
Ao mesmo tempo, rejeitou de forma direta qualquer hipótese de anexação.
Em visita à Casa Branca, disse que o Canadá “nunca estará à venda”, em uma resposta que marcou a posição oficial de Ottawa sobre o tema.
Cuba entra na mesma linha de pressão
Nos últimos dias, Cuba também passou a ocupar espaço semelhante no discurso do presidente americano.
Em 16 de março de 2026, Trump afirmou que acreditava que teria a “honra” de “tomar Cuba de alguma forma” e declarou que poderia fazer “o que quisesse” em relação à ilha.
A fala ocorreu em meio à crise econômica e energética enfrentada pelo país.
Ao mesmo tempo, o endurecimento da retórica convive com uma frente diplomática aberta.
Em 13 de março, Miguel Díaz-Canel confirmou em pronunciamento na TV estatal que Cuba havia iniciado conversas com os Estados Unidos.
Segundo ele, o objetivo era buscar soluções por meio do diálogo para as diferenças bilaterais, com respeito à soberania e à autodeterminação de cada país.
Até então, o governo cubano evitava reconhecer publicamente encontros oficiais em andamento.
Do lado americano, a Casa Branca confirmou a existência de contatos, mas não indicou avanço concreto nas negociações.
Autoridades dos dois países mantêm diferenças relevantes sobre política, economia e sanções.
Apesar das declarações de Trump, integrantes da área militar dos Estados Unidos procuraram afastar a hipótese de uma ação imediata.
Nesta semana, o chefe do Comando Sul afirmou ao Senado que as Forças Armadas não estão se preparando para uma invasão ou ocupação de Cuba.
Segundo ele, o foco atual está na proteção da embaixada americana, da base de Guantánamo e no monitoramento de possíveis fluxos migratórios.

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