Um avião comercial aposentado ganhou novo destino nos Estados Unidos ao ser convertido em casa por Bruce Campbell, que instalou a aeronave em uma área cercada por árvores e manteve boa parte da estrutura original, criando uma das moradias mais curiosas do Oregon.
Mas, nas mãos de Bruce Campbell, um ex-engenheiro elétrico do Oregon, nos Estados Unidos, um Boeing 727-200 aposentado ganhou outro destino. Em vez de ser desmontada, a aeronave foi levada para uma área de floresta em Hillsboro, perto de Portland, e virou a própria casa do aposentado.
A história chama atenção pelo tamanho do contraste. Um avião comercial de quase 47 metros de comprimento, feito para transportar passageiros, passou a funcionar como uma moradia cercada por árvores. Dentro dele, Campbell manteve elementos originais como cockpit, assentos, controles de voo, lavatórios e escadas.
Segundo a Reuters, Campbell comprou o Boeing em 1999 por cerca de US$ 100 mil. A reportagem também informou que o projeto completo chegou a aproximadamente US$ 220 mil. O terreno, com 10 acres, havia sido comprado por ele quando ainda estava na casa dos 20 anos, por cerca de US$ 23 mil.
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O avião saiu da Grécia antes de virar casa no meio da floresta

A transformação não começou no Oregon. De acordo com informações publicadas no site AirplaneHome.com, mantido pelo próprio Bruce Campbell, o Boeing estava na Grécia antes de chegar aos Estados Unidos.
A aeronave foi levada do Aeroporto Internacional de Atenas até o aeroporto de Hillsboro, que fica a cerca de 20 quilômetros do terreno onde seria instalada. Depois disso, começou a parte mais complicada do projeto: tirar um avião comercial de um aeroporto e colocá-lo dentro de uma área de mata.
Para que o transporte fosse possível, motores e alguns sistemas foram retirados. Partes das asas, da cauda e do radome também precisaram ser removidas. O fuselagem foi colocada sobre equipamentos usados em mudanças de grandes estruturas e atravessou ruas com margem apertada até chegar ao local final.
O resultado parece uma cena improvável. Entre árvores altas, surge um Boeing 727 apoiado no terreno, como se tivesse pousado definitivamente no meio da floresta.
Por dentro, o Boeing ainda parece um avião de verdade

Campbell não tentou apagar a identidade da aeronave. Pelo contrário. Parte da força visual da casa está justamente no fato de ela continuar parecendo um avião por dentro.
A Reuters registrou que o espaço conserva cockpit, controles, assentos, lavatório funcional, escadas de avião e iluminação em LED. O interior mistura improviso doméstico com peças originais de aviação, criando uma moradia que não se parece com uma casa comum.
Segundo o AirplaneHome.com, o Boeing 727-200 oferece cerca de 99 m² de área habitável, somando cabine de passageiros e cockpit. O avião também possui compartimentos de carga e áreas técnicas abaixo do piso, embora esses espaços tenham altura reduzida.
A rotina dentro da aeronave é simples. A Reuters descreveu Campbell dormindo em um futon, usando micro-ondas ou torradeira para preparar alimentos e mantendo uma vida sem luxo dentro do avião. A ducha é improvisada, e visitantes são orientados a usar meias ou pantufas para não sujar o interior da aeronave.

A ideia nasceu de uma crítica ao desperdício
Para Bruce Campbell, o projeto não é apenas uma extravagância pessoal. Ele defende que aviões aposentados não deveriam ser destruídos automaticamente depois de saírem de operação.
No AirplaneHome.com, Campbell apresenta os jatos comerciais como estruturas resistentes, duráveis e tecnicamente superiores a muitas construções convencionais. Na visão dele, essas aeronaves poderiam ser reaproveitadas como casas, pequenos negócios ou até abrigos, em vez de serem trituradas como sucata.
Esse é o ponto que transforma a história em algo maior do que uma casa curiosa. O Boeing 727 no bosque funciona como uma espécie de manifesto sobre reaproveitamento extremo. Um objeto feito para cruzar continentes passou a ter outra função depois do fim da vida comercial.
A KPTV, em reportagem publicada pela Gray Media, voltou ao caso em 2026 e mostrou que a aeronave continuava instalada na floresta, ainda com cockpit, assentos e controles preservados. Na mesma abordagem, Campbell reforçou sua visão de que, um dia, aviões comerciais aposentados poderão ser reutilizados com mais frequência.
O tamanho do avião ajuda a explicar o impacto visual da casa

O Boeing 727-200 não é uma estrutura pequena. Dados técnicos da GlobalAir indicam que o modelo tem aproximadamente 46,7 metros de comprimento, 32,9 metros de envergadura e cerca de 10,4 metros de altura.
Em configuração comercial, podia transportar até 189 passageiros. Esses números ajudam a entender por que o projeto chama tanta atenção. Campbell não transformou uma cabine compacta em moradia. Ele levou para o bosque uma aeronave comercial inteira, com proporções de prédio estreito e alongado.
Por fora, o avião parece deslocado da paisagem. Por dentro, a sensação é de estar em uma casa que ainda guarda a memória de sua função original. O cockpit não virou decoração genérica. Os controles continuam ali, como marca do passado da aeronave.
Uma casa aberta à curiosidade, mas com regras
O interesse público pelo avião fez o local virar uma atração informal. No site AirplaneHome.com, Campbell informa que permite visitas externas autoguiadas durante o dia e não cobra tarifa por visitas, tours, camping ou hospedagem.
Ao mesmo tempo, ele impõe regras claras. O site cita exigências de segurança, sobriedade, respeito aos vizinhos e proibição de armas. Também alerta para riscos no terreno, como árvores mortas, superfícies escorregadias, escadas metálicas, áreas de construção e partes da aeronave sem proteção.
Essa combinação ajuda a desmontar a imagem de uma casa perfeita para redes sociais. O Boeing de Campbell é real, rústico, técnico e ainda em evolução. Não se trata de um hotel de luxo nem de uma obra cenográfica. É a casa de um homem que decidiu viver dentro de uma máquina feita para outro propósito.

