1. Início
  2. / Curiosidades
  3. / Estudo Nature mostra que degelo da Groenlândia saltou 6 vezes nas últimas três décadas, de 12,7 para 82,4 gigatoneladas por década
Tempo de leitura 5 min de leitura Comentários 0 comentários

Estudo Nature mostra que degelo da Groenlândia saltou 6 vezes nas últimas três décadas, de 12,7 para 82,4 gigatoneladas por década

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 16/05/2026 às 11:30
Atualizado em 16/05/2026 às 11:32
Degelo Groenlândia Nature 2026 sextuplica 82 gigatoneladas
Degelo extremo da Groenlândia: estudo Nature 2026 mostra aumento de 6,5 vezes em três décadas.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

Estudo Nature mostra que degelo extremo da Groenlândia saltou 6 vezes — de 12,7 para 82,4 gigatoneladas por década desde 1990

Em 4 de maio de 2026, pesquisadores da Universidade de Barcelona publicaram na Nature Communications um estudo sobre o degelo da Groenlândia.

Conforme reportou a ScienceDaily, a produção de água por derretimento sextuplicou em apenas três décadas.

No período entre 1950 e 2023, o degelo médio era de 12,7 gigatoneladas por década. Por outro lado, desde 1990, o número subiu para 82,4 gigatoneladas por década.

De acordo com o estudo publicado em Nature Communications, a área afetada por episódios extremos de derretimento cresceu 2,8 milhões de km² por década desde 1990.

Josep Bonsoms lidera estudo do grupo ANTALP da Universidade de Barcelona

O paper foi liderado por Josep Bonsoms, integrante do grupo de pesquisa Antarctic, Arctic and Alpine Environments (ANTALP). Conforme apresentação institucional, a equipe atua na Universidade de Barcelona.

Em outras palavras, o trabalho mobiliza especialistas em criosfera e clima. De fato, o grupo monitora geleiras alpinas, ártico e antártico há mais de duas décadas.

Por isso, o estudo combina séries históricas de satélites com modelagem climática. Dessa forma, oferece base sólida para projeções de elevação do nível do mar.

Eventos extremos de 2012, 2019 e 2021 não têm precedentes dinâmicos

Degelo da Groenlândia geleira 82,4 gigatoneladas por década
Degelo extremo de uma geleira na Groenlândia. Pesquisadores registram aumento de 6 vezes na água produzida em três décadas. Imagem: Representação editorial.

Três eventos recentes marcaram o degelo extremo da ilha. Em agosto de 2012, julho de 2019 e julho de 2021, episódios massivos atingiram mais de 60% da superfície gelada.

Conforme aponta o paper, esses episódios não têm precedentes nas séries históricas estudadas. Naquele momento, a temperatura do ar superou marcas registradas há mais de 70 anos.

Da mesma forma, a região norte da Groenlândia desponta como novo hotspot. Em comparação com décadas anteriores, a porção setentrional sofre derretimento mais intenso e mais frequente.

Degelo da Groenlândia afeta área extra de 2,8 milhões de km² por década

O estudo registrou expansão sistemática da área afetada. Conforme dados do paper, a superfície sujeita a episódios extremos avança 2,8 milhões de km² por década.

Em outras palavras, é como se toda a área da Argentina fosse adicionada à zona de derretimento intenso a cada 10 anos.

Por consequência, regiões antes estáveis passaram a sofrer eventos sazonais.

De acordo com a Universidade de Barcelona, sete dos 10 maiores eventos de degelo registrados ocorreram após o ano 2000. Por isso, a aceleração desafia projeções climáticas anteriores.

  • Degelo médio 1950-2023: 12,7 Gt/década
  • Degelo desde 1990: 82,4 Gt/década
  • Aumento: 6,5 vezes em 30 anos
  • Área afetada por extremos: +2,8 milhões km²/década
  • 7 de 10 maiores eventos: registrados após 2000
  • Hotspot atual: norte da Groenlândia

Degelo da Groenlândia eleva projeções de aumento do nível do mar global

Elevação nível do mar Groenlândia degelo impacto litoral mundial
O degelo extremo da Groenlândia alimenta projeções mais altas para a elevação do nível do mar nas próximas décadas. Imagem: Representação editorial.

A água produzida pelo derretimento contribui para a elevação do nível do mar. Conforme dados internacionais, a Groenlândia já adiciona 0,8 mm anuais ao nível médio dos oceanos.

Por outro lado, se o ritmo atual continuar, a contribuição pode dobrar até 2050. Em outras palavras, cidades costeiras teriam menos tempo para se adaptar.

De fato, o paper conecta o degelo a temperaturas atmosféricas. Dessa forma, episódios extremos coincidem com ondas de calor cada vez mais frequentes no Atlântico Norte.

Brasil também sente impactos do degelo distante nas zonas costeiras do Nordeste

O Brasil tem litoral de mais de 7 mil quilômetros. Conforme dados do INPE, áreas como o litoral pernambucano e fluminense já registram erosão acelerada.

Em comparação com a Argentina, o país acompanha o tema por meio do CEMADEN e do Ministério do Meio Ambiente.

Outras pesquisas recentes globais incluem o lançamento do Dragon CRS-34 da SpaceX em 13 de maio, que leva instrumentos de observação climática para a ISS.

Da mesma forma, a costa brasileira recebe modelagem específica baseada em séries dos últimos 30 anos. Pesquisas recentes em outras frentes incluem o avanço de obras de infraestrutura subterrânea no Japão e nas zonas árticas.

Por isso, o degelo da Groenlândia entra direta ou indiretamente no planejamento nacional de adaptação climática.

Próximos passos: ANTALP planeja monitoramento contínuo nos próximos cinco anos

Monitoramento satélite Groenlândia ANTALP Barcelona degelo
O monitoramento da ANTALP usa séries de satélites combinadas com modelagem climática para projetar próximos eventos. Imagem: Representação editorial.

O grupo ANTALP planeja estender o monitoramento. Conforme calendário interno, a próxima publicação cobre projeções até 2050.

De acordo com os pesquisadores, satélites como o Sentinel da Agência Espacial Europeia fornecem dados em tempo quase real.

Naquele momento, a expectativa é antecipar eventos extremos com 30 a 60 dias de antecedência.

Em comparação com modelos anteriores, a nova abordagem combina inteligência artificial com séries históricas. Por consequência, a precisão das previsões deve melhorar nos próximos cinco anos.

Há limitações reconhecidas. O comportamento de massa de gelo é não linear.

Conforme aponta o paper, modelos baseados apenas em temperaturas atmosféricas subestimam o derretimento. Em outras palavras, fatores como aerossóis, albedo e dinâmica de calotas internas pesam mais do que se imaginava.

De acordo com cientistas argentinos e brasileiros consultados, a região andina pode sofrer impactos similares. Por consequência, o monitoramento conjunto da criosfera global gera valor crítico para projeções regionais.

Em comparação com 1990, o ritmo de degelo da Groenlândia hoje supera qualquer projeção feita pelo IPCC nos relatórios da época. Por isso, novas atualizações de modelos climáticos passam a incorporar esses dados imediatamente.

Será que cidades costeiras como Recife, Santos e Rio de Janeiro vão investir em infraestrutura preventiva antes que o aumento do nível do mar fique irreversível? A próxima década dará o veredicto.

De acordo com o IPCC, projeções de elevação até 2100 oscilam entre 30 cm e 1 metro. Conforme dados do paper Bonsoms, contribuição da Groenlândia pode somar entre 8 e 15 cm desse total.

Em outras palavras, cidades como Veneza, Bangkok e Recife teriam de elevar diques significativamente. Por consequência, o investimento global em adaptação climática deve dobrar até 2035.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Tags
Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x