Estudo Nature mostra que degelo extremo da Groenlândia saltou 6 vezes — de 12,7 para 82,4 gigatoneladas por década desde 1990
Em 4 de maio de 2026, pesquisadores da Universidade de Barcelona publicaram na Nature Communications um estudo sobre o degelo da Groenlândia.
Conforme reportou a ScienceDaily, a produção de água por derretimento sextuplicou em apenas três décadas.
No período entre 1950 e 2023, o degelo médio era de 12,7 gigatoneladas por década. Por outro lado, desde 1990, o número subiu para 82,4 gigatoneladas por década.
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De acordo com o estudo publicado em Nature Communications, a área afetada por episódios extremos de derretimento cresceu 2,8 milhões de km² por década desde 1990.
Josep Bonsoms lidera estudo do grupo ANTALP da Universidade de Barcelona
O paper foi liderado por Josep Bonsoms, integrante do grupo de pesquisa Antarctic, Arctic and Alpine Environments (ANTALP). Conforme apresentação institucional, a equipe atua na Universidade de Barcelona.
Em outras palavras, o trabalho mobiliza especialistas em criosfera e clima. De fato, o grupo monitora geleiras alpinas, ártico e antártico há mais de duas décadas.
Por isso, o estudo combina séries históricas de satélites com modelagem climática. Dessa forma, oferece base sólida para projeções de elevação do nível do mar.
Eventos extremos de 2012, 2019 e 2021 não têm precedentes dinâmicos

Três eventos recentes marcaram o degelo extremo da ilha. Em agosto de 2012, julho de 2019 e julho de 2021, episódios massivos atingiram mais de 60% da superfície gelada.
Conforme aponta o paper, esses episódios não têm precedentes nas séries históricas estudadas. Naquele momento, a temperatura do ar superou marcas registradas há mais de 70 anos.
Da mesma forma, a região norte da Groenlândia desponta como novo hotspot. Em comparação com décadas anteriores, a porção setentrional sofre derretimento mais intenso e mais frequente.
Degelo da Groenlândia afeta área extra de 2,8 milhões de km² por década
O estudo registrou expansão sistemática da área afetada. Conforme dados do paper, a superfície sujeita a episódios extremos avança 2,8 milhões de km² por década.
Em outras palavras, é como se toda a área da Argentina fosse adicionada à zona de derretimento intenso a cada 10 anos.
Por consequência, regiões antes estáveis passaram a sofrer eventos sazonais.
De acordo com a Universidade de Barcelona, sete dos 10 maiores eventos de degelo registrados ocorreram após o ano 2000. Por isso, a aceleração desafia projeções climáticas anteriores.
- Degelo médio 1950-2023: 12,7 Gt/década
- Degelo desde 1990: 82,4 Gt/década
- Aumento: 6,5 vezes em 30 anos
- Área afetada por extremos: +2,8 milhões km²/década
- 7 de 10 maiores eventos: registrados após 2000
- Hotspot atual: norte da Groenlândia
Degelo da Groenlândia eleva projeções de aumento do nível do mar global

A água produzida pelo derretimento contribui para a elevação do nível do mar. Conforme dados internacionais, a Groenlândia já adiciona 0,8 mm anuais ao nível médio dos oceanos.
Por outro lado, se o ritmo atual continuar, a contribuição pode dobrar até 2050. Em outras palavras, cidades costeiras teriam menos tempo para se adaptar.
De fato, o paper conecta o degelo a temperaturas atmosféricas. Dessa forma, episódios extremos coincidem com ondas de calor cada vez mais frequentes no Atlântico Norte.
Brasil também sente impactos do degelo distante nas zonas costeiras do Nordeste
O Brasil tem litoral de mais de 7 mil quilômetros. Conforme dados do INPE, áreas como o litoral pernambucano e fluminense já registram erosão acelerada.
Em comparação com a Argentina, o país acompanha o tema por meio do CEMADEN e do Ministério do Meio Ambiente.
Outras pesquisas recentes globais incluem o lançamento do Dragon CRS-34 da SpaceX em 13 de maio, que leva instrumentos de observação climática para a ISS.
Da mesma forma, a costa brasileira recebe modelagem específica baseada em séries dos últimos 30 anos. Pesquisas recentes em outras frentes incluem o avanço de obras de infraestrutura subterrânea no Japão e nas zonas árticas.
Por isso, o degelo da Groenlândia entra direta ou indiretamente no planejamento nacional de adaptação climática.
Próximos passos: ANTALP planeja monitoramento contínuo nos próximos cinco anos

O grupo ANTALP planeja estender o monitoramento. Conforme calendário interno, a próxima publicação cobre projeções até 2050.
De acordo com os pesquisadores, satélites como o Sentinel da Agência Espacial Europeia fornecem dados em tempo quase real.
Naquele momento, a expectativa é antecipar eventos extremos com 30 a 60 dias de antecedência.
Em comparação com modelos anteriores, a nova abordagem combina inteligência artificial com séries históricas. Por consequência, a precisão das previsões deve melhorar nos próximos cinco anos.
Há limitações reconhecidas. O comportamento de massa de gelo é não linear.
Conforme aponta o paper, modelos baseados apenas em temperaturas atmosféricas subestimam o derretimento. Em outras palavras, fatores como aerossóis, albedo e dinâmica de calotas internas pesam mais do que se imaginava.
De acordo com cientistas argentinos e brasileiros consultados, a região andina pode sofrer impactos similares. Por consequência, o monitoramento conjunto da criosfera global gera valor crítico para projeções regionais.
Em comparação com 1990, o ritmo de degelo da Groenlândia hoje supera qualquer projeção feita pelo IPCC nos relatórios da época. Por isso, novas atualizações de modelos climáticos passam a incorporar esses dados imediatamente.
Será que cidades costeiras como Recife, Santos e Rio de Janeiro vão investir em infraestrutura preventiva antes que o aumento do nível do mar fique irreversível? A próxima década dará o veredicto.
De acordo com o IPCC, projeções de elevação até 2100 oscilam entre 30 cm e 1 metro. Conforme dados do paper Bonsoms, contribuição da Groenlândia pode somar entre 8 e 15 cm desse total.
Em outras palavras, cidades como Veneza, Bangkok e Recife teriam de elevar diques significativamente. Por consequência, o investimento global em adaptação climática deve dobrar até 2035.

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