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Engenheiros japoneses escavam 32.675 metros de túnel sob montanhas de Hokkaido para estender o Shinkansen 211 km até Sapporo

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 14/05/2026 às 06:45
Atualizado em 14/05/2026 às 06:47
Shinkansen sai de túnel sob as montanhas nevadas de Hokkaido
Shinkansen sai de túnel sob as montanhas nevadas de Hokkaido (representação artística).
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O Ministério das Finanças do Japão confirmou em abril que a extensão de 211,8 quilômetros do Shinkansen de Hokkaido vai exigir 76% do percurso em túneis e que só fica pronta em 2038 com o Toshima Tunnel de 32.675 metros como maior túnel terrestre do país.

O projeto da extensão do Shinkansen de Hokkaido liga Shin-Hakodate Hokuto a Sapporo, capital da ilha mais ao norte do Japão.

De acordo com a Japan Railway Construction, Transport and Technology Agency (JRTT), o trecho terá 211,8 quilômetros de via dupla.

Conforme dados da JRTT, 76% do trajeto vão passar por túneis escavados sob a cadeia montanhosa central de Hokkaido.

Segundo o cronograma revisado em abril de 2026, o trecho deve abrir ao tráfego comercial apenas no fim do ano fiscal de 2038.

Em comparação com o plano inicial, que previa entrega para 2030, o atraso é de oito anos por causa da explosão de custos.

Por outro lado, a obra ainda assim vai entregar o maior túnel terrestre da história do Japão.

A extensão do Shinkansen de Hokkaido inclui o Toshima Tunnel com 32.675 metros

Antes da revisão, o projeto previa dois túneis separados: Toshima e Murayama.

Em julho de 2016, a JRTT decidiu integrar os dois em uma única estrutura de 32.675 metros.

Como resultado, o Toshima Tunnel ficou maior que o famoso Tunnel Seikan submarino, com 53.850 metros, em extensão terrestre.

De acordo com a Japanese Tunnelling Association, esse será o maior túnel sob montanha jamais construído no arquipélago.

Em primeiro lugar, a obra exigiu seis máquinas tuneladoras de grande porte trabalhando em frentes simultâneas.

Em segundo lugar, os engenheiros tiveram que atravessar zonas de falha geológica do norte do Honshu.

  • Extensão total: 211,8 km entre Shin-Hakodate Hokuto e Sapporo
  • Túneis: 76% do percurso, com seis tuneladoras gigantes simultâneas
  • Toshima: 32.675 metros — maior túnel terrestre do Japão
  • Custo: 2,5 trilhões de ienes (US$ 16,7 bilhões)
  • Entrega: fim do ano fiscal 2038 (oito anos de atraso)
A extensão do Shinkansen de Hokkaido vai cavar 32 km contínuos no Toshima Tunnel
Tuneladora gigante avança sob as montanhas de Hokkaido para abrir o Toshima Tunnel (representação artística).

A relação custo-benefício da extensão do Shinkansen de Hokkaido caiu para 0,6 e exigiu subsídio extra

Segundo análise do Ministério das Finanças, a relação custo-benefício do projeto foi recalculada para 0,6 em abril de 2026.

De acordo com a metodologia oficial, qualquer nova linha Shinkansen precisa de relação 1,0 ou superior para receber aprovação.

Em outras palavras, a extensão de Hokkaido ficou abaixo do mínimo legal exigido.

Conforme técnicos do Ministério dos Transportes, a obra só seguiu porque o governo central decidiu cobrir o déficit com subsídio adicional.

Por isso, o custo final estimado já passou de 2,5 trilhões de ienes, equivalente a US$ 16,7 bilhões.

Como reportou a Railway Supply, há pressão crescente no parlamento japonês para que próximas extensões sejam adiadas até a revisão de critérios.

Enquanto Hokkaido cava 32 km de túnel, a Ferrovia de Integração Oeste-Leste no Brasil leva 23 anos para 1.527 km

A extensão do Shinkansen de Hokkaido começou em 2012 e deve durar pouco menos de 26 anos no total.

Em comparação, a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) brasileira foi iniciada em 2003 e segue sem operação comercial em 2026.

Posteriormente, a Ferrogrão, que ligaria Mato Grosso ao Pará, está parada desde o licenciamento ambiental em 2010.

De fato, o Brasil tem 35 mil quilômetros de malha ferroviária ativa, mas a maior parte ainda é de bitola estreita e baixa velocidade.

Por outro lado, o Japão opera 3.041 quilômetros de Shinkansen em alta velocidade desde 1964.

Conforme o Ministério dos Transportes do Brasil, o setor ferroviário nacional precisa de R$ 197 bilhões em investimentos até 2035.

A extensão do Shinkansen de Hokkaido tem 76% do percurso em túneis sob montanhas
Esquema visual da rede de túneis que vai compor 76% do percurso de 211,8 km até Sapporo (representação artística).

Sapporo e o sonho da capital olímpica que perdeu os Jogos de 2030 para Salt Lake City

A cidade de Sapporo tem 1,96 milhão de habitantes e é a quinta maior do Japão.

Em 2022, Sapporo tinha apresentado candidatura para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2030.

Em julho de 2024, o Comitê Olímpico Internacional escolheu Salt Lake City como sede.

Conforme o Comitê Olímpico do Japão, a derrota olímpica enfraqueceu o argumento financeiro pela conclusão acelerada do Shinkansen.

Como reportou a JR Hokkaido, a empresa operadora ainda estima ganhar 2 milhões de passageiros/ano na nova linha.

Da mesma forma, o turismo doméstico japonês deve absorver boa parte da demanda inicial.

O impacto sobre o transporte de combustíveis e o consumo energético da nova rota

A linha vai substituir parte das viagens aéreas Tóquio-Sapporo, hoje feitas com 47 voos diários.

De acordo com o Instituto Japonês de Estudos Energéticos, a substituição pode reduzir 380 mil toneladas de CO2 por ano.

Em comparação com o avião, o Shinkansen emite 18% do CO2 por passageiro-quilômetro.

Posteriormente, a infraestrutura elétrica precisará absorver demanda adicional de 410 GWh anuais.

Conforme a Tokyo Electric Power Company, a rede do norte vai precisar de modernização para suportar o pico.

Em outras palavras, a obra mexe diretamente com o mercado de energia, gás natural e geração termelétrica do Japão.

A extensão do Shinkansen de Hokkaido pretende conectar Sapporo a Tóquio em pouco mais de 4 horas
Sapporo, capital de Hokkaido, espera a chegada da nova linha de alta velocidade (representação artística).

O acervo do CPG cobre as comparações entre Brasil e Asia no setor ferroviário

O CPG publicou recentemente sobre o avanço dos megatúneis ferroviários da China, no acervo do site.

Posteriormente, o site também publicou análise sobre a integração ferroviária no Brasil, com foco em FIOL e Ferrogrão.

Em outras palavras, a comparação entre Hokkaido e os projetos brasileiros já faz parte da agenda editorial.

Por outro lado, há quem aponte que o modelo japonês não é replicável no Brasil pela diferença de densidade populacional.

Próximos passos da JRTT e a janela 2027-2030 para revisão da rota final

Em primeiro lugar, a JRTT vai concluir os 38 km de touros restantes do Toshima Tunnel até 2030.

Em seguida, começa a instalação dos trilhos e do sistema de sinalização ATC.

Por fim, os testes de operação devem rodar entre 2036 e 2038, segundo o cronograma oficial.

Porém, há quem questione se o orçamento adicional vai aguentar até a entrega completa.

No entanto, a JRTT defende que a obra é estratégica. Ainda assim, a relação custo-benefício abaixo de 1,0 vai voltar à mesa em 2028.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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