Embraer planeja elevar produção de avião em quase 30%, impulsionada por pedidos globais e disputa direta com Airbus.
A Embraer anunciou planos para acelerar a produção de avião e ampliar as entregas de aeronave comercial nos próximos dois anos, após um salto expressivo de pedidos globais. A estratégia foi detalhada pelo CEO da Embraer Aviação Comercial, Arjan Meijer, antes da conferência Airline Economics, em Dublin, e prevê crescimento próximo de 30% no ritmo produtivo até 2026.
O movimento ocorre em meio à renovação de frotas no pós-pandemia, à melhora gradual da cadeia de suprimentos e a uma competição direta com a Airbus no segmento de jatos regionais.
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Produção em alta e foco em escala
O plano industrial da Embraer parte de um objetivo claro: recuperar o patamar histórico de cerca de 100 entregas anuais, nível observado antes da crise sanitária global.
Em 2024, a fabricante brasileira entregou 78 jatos comerciais, número que ficou dentro da projeção oficial, mas ainda abaixo do potencial de mercado identificado pela empresa.
Segundo Arjan Meijer, a meta inicial é atingir novamente a marca de 100 aeronaves por ano. No entanto, diante da demanda atual e do desempenho comercial recente, a companhia avalia que será necessário ir além desse volume.
“A primeira meta é voltar a 100 entregas, mas com a demanda que temos atualmente e os resultados de vendas… provavelmente teremos que ir além disso”, afirmou o executivo à Reuters.
Demanda aquecida impulsiona estratégia
Apesar das incertezas geopolíticas e macroeconômicas, a procura por avião regional permanece robusta.
As companhias aéreas retomaram planos de substituição de frota que haviam sido adiados durante a pandemia da Covid-19, criando uma janela favorável para fabricantes com portfólios eficientes e de menor consumo de combustível.
Nesse contexto, a Embraer registrou um desempenho comercial expressivo em 2024. Mesmo após perder uma disputa politicamente sensível na Polônia, a empresa quadruplicou as vendas da família E2, superando com folga o A220 da Airbus.
Foram 131 pedidos líquidos, incluindo encomendas relevantes de empresas como All Nippon Airways e Latam.
Cadeia de suprimentos ainda exige atenção
Embora a situação logística tenha melhorado em relação aos anos mais críticos da pandemia, a cadeia global de fornecimento segue como um ponto de atenção.
Componentes estruturais e motores continuam entre os itens mais sensíveis a atrasos, o que exige planejamento cuidadoso da produção de aeronave.
Ainda assim, Meijer destacou a evolução da Pratt & Whitney, fornecedora dos motores utilizados no E2.
De acordo com o executivo, a empresa norte-americana conseguiu superar grande parte da escassez e dos gargalos de manutenção que afetaram o setor nos últimos anos.
Motores e confiabilidade operacional
A avaliação positiva contrasta com a disputa pública entre Airbus e Pratt & Whitney em torno dos motores Geared Turbofan, usados também na família A320neo.
No caso do E2, Meijer explicou que a variante do motor apresenta menor propensão a problemas de durabilidade, já que o avião é mais leve e entrou em operação mais recentemente, evitando falhas iniciais.
Esse avanço se reflete nos números operacionais. O total de aviões imobilizados por atrasos de manutenção caiu para um dígito, depois de ter variado entre 25 e 40 unidades no pico da crise.
A expectativa da Embraer é zerar esse indicador até o fim do ano.
Índia no radar, mas sem confirmação
Questionado sobre rumores de um possível acordo histórico para montagem de aviões na Índia, Meijer preferiu não comentar.
Fontes ouvidas pela Reuters em Nova Délhi indicam que o grupo aeroespacial ligado ao bilionário Gautam Adani estuda uma parceria com a Embraer, movimento que coincide com a preparação da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país asiático.
Futuro tecnológico e cautela estratégica
Sobre novos desenvolvimentos, o CEO deixou claro que a Embraer não tem pressa para lançar um sucessor imediato da atual linha de aeronave.
A prioridade, neste momento, é aprofundar estudos tecnológicos e avaliar diferentes cenários antes de tomar uma decisão estrutural.
“Estamos analisando todas as opções. Uma nova plataforma para um fabricante é uma decisão importante e teremos que agir com calma e cuidado”, afirmou Meijer.
Assim, a Embraer sinaliza que o crescimento atual será sustentado pela eficiência operacional, pela demanda reprimida e por uma estratégia industrial focada em escala e confiabilidade.
