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Cientistas chineses criam material inspirado em pinguins que absorve 94,5% da energia solar no frio, reflete mais de 90% da luz no calor e ainda promete reduzir o consumo de energia em edifícios sem eletricidade extra

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 25/05/2026 às 20:42 Atualizado em 25/05/2026 às 22:07
Conheça o filme Janus inspirado em pinguins que maximiza eficiência solar, absorbendo energia e refletindo luz.
Conheça o filme Janus inspirado em pinguins que maximiza eficiência solar, absorbendo energia e refletindo luz.
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Inspirado na adaptação térmica dos pinguins, o filme Janus desenvolvido por pesquisadores chineses combina uma face capaz de absorver 94,5% da energia solar com outra que reflete mais de 90% da luz, abrindo caminho para revestimentos passivos em edifícios, veículos, eletrônicos e estruturas expostas ao gelo.

Inspirado nos pinguins, o filme Janus desenvolvido por pesquisadores chineses combina aquecimento solar, resfriamento radiativo, controle eletromagnético e resistência à água e ao gelo, com potencial para reduzir a demanda de energia em edifícios, veículos e eletrônicos sem consumo elétrico adicional.

Filme inspirado em pinguins absorve 94,5% da energia solar ou reflete mais de 90% da luz, em tecnologia chinesa experimental criada para alternar entre aquecimento e resfriamento passivos em edifícios, veículos, eletrônicos e estruturas expostas ao clima.

Material inspirado em pinguins muda de função conforme o lado usado

O desenvolvimento foi conduzido por instituições chinesas citadas na pesquisa. A proposta parte de uma dificuldade da engenharia térmica: superfícies convencionais costumam cumprir uma função.

Revestimentos que ajudam a resfriar ambientes no verão podem impedir o aproveitamento do calor solar no inverno. Materiais absorventes fazem o caminho oposto, aquecem bem, mas se tornam inadequados quando a temperatura sobe.

O novo filme tenta superar essa limitação com uma estrutura de duas faces, chamada Janus. Uma face foi projetada para captar calor. A outra foi criada para rejeitar radiação solar.

A inspiração veio dos pinguins, capazes de sobreviver em ambientes extremos com plumagem isolante, estruturas direcionais e proteção contra água. Essa combinação ajudou os cientistas a desenhar uma superfície adaptativa.

Uma face aquece, outra resfria

Nos testes, o lado voltado ao aquecimento absorveu cerca de 94,5% da energia solar recebida. Sob luz solar intensa, a superfície alcançou temperatura próxima de 87 °C em experimentos ao ar livre.

A outra face refletiu mais de 90% da radiação solar e liberou calor para o exterior por resfriamento radiativo. Com isso, ficou entre 4 °C e 12 °C abaixo da temperatura ambiente.

Esse comportamento permite imaginar fachadas, coberturas ou painéis que alternem a exposição conforme a estação. No frio, a superfície poderia favorecer o aquecimento solar. No calor, poderia reduzir a entrada de radiação.

A vantagem central está no funcionamento passivo. O material não depende de motores, baterias, plugues ou consumo elétrico adicional para executar a troca térmica entre absorver e refletir calor.

Dióxido de vanádio permite resposta térmica e eletromagnética

O componente-chave do filme é o dióxido de vanádio, conhecido pela mudança de comportamento quando a temperatura ultrapassa aproximadamente 68 °C. Em temperatura ambiente, ele atua como isolante. Acima desse ponto, passa a se comportar como metal condutor.

Os pesquisadores incorporaram esse composto em microestruturas semelhantes a fibras dentro de uma camada polimérica flexível. Quando a temperatura sobe, as partículas formam caminhos condutores e alteram a resposta eletromagnética da superfície.

Na prática, o mesmo revestimento pode permitir passagem de sinais sem fio quando está frio e bloquear ou absorver micro-ondas quando aquecido, dependendo das bandas de frequência testadas.

Durante os experimentos, a transmissão por micro-ondas caiu de 83,6% para 0,06% após o aquecimento do material em determinadas faixas. Essa característica amplia o interesse para eletrônica, comunicações, veículos inteligentes e proteção contra interferências.

Eficiência energética em edifícios entra no centro da aplicação

A aplicação em construções é uma das mais diretas. Em muitas regiões urbanas, o condicionamento térmico responde por cerca de 50% do consumo global de energia associado ao uso de edifícios.

Um revestimento capaz de reduzir o uso de ar condicionado e aquecimento convencional teria impacto sobre redes elétricas, custos operacionais e emissões. O material dialoga com a arquitetura bioclimática.

O potencial estimado de economia chega a 11 kWh por metro quadrado ao ano. Esse número depende das condições de uso, da orientação da superfície e da forma como o filme seria aplicado em escala real.

Nas cidades afetadas por ondas de calor, materiais que reduzem a temperatura interna sem eletricidade podem aliviar a demanda nos horários de pico. Em regiões frias, a face absorvente poderia ajudar a aproveitar a radiação solar disponível.

Água, gelo e uso fora dos edifícios

Além da resposta térmica, o filme apresenta comportamento superhidrofóbico. As gotas de água escorregam com facilidade, o que ajuda a manter a superfície limpa, reduz a aderência de sujeira e limita a formação de gelo.

Nos testes, o congelamento foi adiado por 812 segundos. O gelo acumulado derreteu em menos de 18 minutos sob radiação solar moderada, mesmo com temperatura externa próxima de -6 °C.

Essa propriedade interessa a infraestruturas expostas, turbinas eólicas, linhas de energia, drones e aviação, onde o gelo aumenta custos e exige manutenção.

Veículos elétricos também aparecem como possibilidade. Revestimentos adaptativos poderiam contribuir para manter baterias em faixas térmicas adequadas, especialmente em climas extremos, onde frio e calor reduzem desempenho.

Aeronáutica, satélites e eletrônicos são outros campos possíveis, pois muitos sistemas usam camadas separadas para isolamento térmico e blindagem eletromagnética. No filme Janus, essas funções aparecem integradas em uma estrutura ultrafina.

Apesar do potencial, a tecnologia segue em fase experimental. Os pesquisadores ainda trabalham para melhorar a fabricação em larga escala e avaliar resistência, durabilidade e desempenho em condições do mundo real.

O avanço mostra como a observação dos pinguins pode orientar soluções de engenharia para gastar menos energia. A promessa não está em substituir sistemas existentes de imediato, mas em abrir caminho para materiais inteligentes, multifuncionais e passivos.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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