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Cientistas descobrem que pneus estão soltando microplásticos invisíveis no ar das cidades e o dado acende alerta sobre o que respiramos todos os dias

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 25/05/2026 às 14:28
Atualizado em 25/05/2026 às 14:45
Maycon
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Estudo realizado em Leipzig identificou microplásticos transportados pelo ar em concentrações relevantes, com cerca de 65% do total associado ao desgaste dos pneus, ampliando o debate sobre qualidade do ar, mobilidade urbana, carros elétricos e riscos ainda pouco regulados à saúde pública.

A poluição do ar urbano ganhou um componente invisível em Leipzig, na Alemanha: pesquisadores detectaram que partículas plásticas liberadas pelo desgaste dos pneus podem responder por até 4% do material particulado respirado nas ruas.

Pneus aparecem como fonte central da poluição do ar

A investigação foi conduzida pelo Instituto Leibniz de Pesquisa Troposférica, TROPOS, sob direção do químico atmosférico Hartmut Herrmann. O trabalho analisou o ar de uma das principais artérias urbanas de Leipzig durante duas semanas.

Coletores de grande volume captaram material particulado em diferentes tamanhos. Depois, técnicas de pirólise, cromatografia gasosa e espectrometria de massa permitiram separar partículas plásticas de fuligem, pólen e poeira mineral.

O resultado mostrou concentração média de 0,6 micrograma por metro cúbico de partículas plásticas com menos de 10 micrômetros. As frações finas e grossas tiveram participação semelhante no total observado.

Entre os plásticos identificados, partículas de desgaste dos pneus dominaram a composição. Elas representaram cerca de 65% do total de plásticos transportados pelo ar, acima de polímeros como PVC, polietileno e PET.

Como o desgaste dos pneus chega ao ar respirado

A emissão ocorre no contato diário entre roda e pavimento. Acelerações, frenagens e curvas provocam abrasão contínua, soltando fragmentos de borracha e compostos sintéticos que podem ficar suspensos no ambiente urbano.

As partículas analisadas tinham tamanho inferior a 10 micrômetros. As menores, abaixo de 2,5 micrômetros, preocupam porque permanecem suspensas por mais tempo e conseguem alcançar regiões profundas do pulmão.

A exposição estimada em áreas urbanas ao ar livre, como Leipzig, chegou a aproximadamente 2,1 microgramas de partículas plásticas inaladas por dia. O estudo associa esse quadro a riscos cardiopulmonares e de câncer de pulmão.

Carros elétricos reduzem gases, mas ainda usam pneus

A descoberta amplia o debate sobre mobilidade limpa. Veículos elétricos eliminam gases de escapamento e reduzem emissões de CO₂, mas continuam produzindo partículas não relacionadas ao motor, porque também dependem de pneus.

O peso adicional das baterias pode elevar o atrito entre rodas e asfalto. Em tráfego urbano, marcado por paradas, retomadas e frenagens frequentes, essa dinâmica tende a aumentar o desgaste e a liberação de partículas.

Isso não coloca os elétricos como piores que veículos a combustão em termos globais. O ponto central é que trocar o motor não resolve toda a poluição urbana quando milhões de deslocamentos motorizados seguem concentrados nas cidades.

A União Europeia trabalha em regras para emissões não ligadas ao escapamento nas futuras normas Euro 7. Freios e pneus entram nesse debate, que ganhou importância à medida que a medição dos microplásticos avançou.

Risco ambiental vai além dos pulmões

O problema não termina quando as partículas deixam o ar. Parte do material se deposita no solo, mistura-se à poeira urbana ou é carregada pela chuva para esgotos, rios e áreas costeiras.

Ainda há incertezas científicas sobre a interação desses micro e nanoplásticos com o corpo humano. Pesquisas citadas relacionam partículas inaláveis a estresse oxidativo, citotoxicidade, inflamação crônica e possíveis doenças respiratórias.

O estudo aponta desigualdade ambiental. Quem mora perto de avenidas movimentadas, rotas logísticas e áreas de tráfego intenso tende a respirar uma mistura mais carregada de partículas plásticas e contaminantes associados.

Cidades precisam medir o que antes passava despercebido

Leipzig se soma a registros de microplásticos atmosféricos em cidades como Xangai, Kyoto e Graz, com resultados variáveis conforme tráfego, clima e metodologia. O estudo reforça a necessidade de medições regionais padronizadas.

As respostas passam por pneus com menor liberação de partículas, pavimentos menos abrasivos, manutenção das vias, transporte público, ciclovias seguras e redução da dependência do carro particular. Menos tráfego significa menos atrito e menos partículas no ar.

Estudo disponivel na Revista Nature.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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