Morando de aluguel em Curitiba, Evandro Balmant viu o sonho da casa própria ficar caro demais e decidiu aprender etapas da construção pela internet, usando tijolo ecológico e ajuda pontual para erguer um sobrado de 200 m² no Paraná.
O caso veio a público em 28 de setembro de 2018, em reportagem da Tribuna do Paraná. Na época, o analista de sistemas Evandro Klimpel Balmant, então com 33 anos, já havia passado três anos construindo a casa e transformado pesquisas e vídeos no YouTube em um sobrado de dois pavimentos e 200 m² em Almirante Tamandaré, na região metropolitana de Curitiba.
Segundo a Tribuna do Paraná, a obra nasceu depois que ele e a esposa, Ane Caroline de Jesus Balmant, analista de marketing, então com 34 anos, receberam orçamentos considerados altos e decidiram colocar a mão na massa. O resultado foi um sobrado construído praticamente pelo próprio casal, com custo aproximado de R$ 150 mil, cerca de metade do valor estimado por profissionais.
Do aluguel em Curitiba ao terreno da família

Antes da obra, Evandro e Ane moravam de aluguel em um apartamento no Centro de Curitiba. De acordo com a Tribuna do Paraná, o imóvel era barulhento, e o casal ainda pagava um consórcio imobiliário que não havia sido contemplado.
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A mudança de rumo veio por uma situação familiar. O pai de Ane recebeu parte de um terreno em uma partilha de herança e ofereceu ao casal a possibilidade de construir no local, no distrito de Marmeleiro, em Almirante Tamandaré.
A ideia inicial era simples. Eles pensavam em fazer uma casa pequena para passar fins de semana. Mas o projeto cresceu quando a alternativa provisória começou a parecer menos vantajosa.
O orçamento de R$ 12 mil que mudou o plano
O primeiro choque financeiro apareceu logo no começo. Conforme relatado pela Tribuna do Paraná, apenas a mão de obra da fundação foi orçada em R$ 12 mil, sem incluir os materiais.
Evandro avaliou que nem juntando o décimo terceiro dele com o da esposa conseguiria pagar aquela etapa. Foi nesse ponto que a construção deixou de ser apenas um serviço contratado e virou um desafio pessoal.
Sem formação em engenharia, arquitetura ou construção civil, ele começou a pesquisar tutoriais no YouTube. Também conversou com uma tia técnica em edificações e com uma prima arquiteta, buscando orientação antes de iniciar a fundação por conta própria.
Quando percebeu que a primeira etapa havia funcionado, decidiu seguir adiante.
Tijolo ecológico ajudou a acelerar a obra
Um dos elementos centrais da construção foi a escolha pelo tijolo ecológico, comprado em uma fábrica no bairro Caximba, em Curitiba. Segundo a Tribuna do Paraná, o material era mais caro do que o tijolo comum de barro, mas tinha vantagens importantes para quem estava fazendo boa parte da obra sem equipe fixa.
O tijolo encaixava como peça de montar e dispensava o reboco completo, o que reduzia etapas e dificuldades no acabamento. Evandro também destacou benefícios de isolamento térmico e acústico, ponto relevante para uma casa na região de Curitiba, conhecida por temperaturas mais baixas no inverno.
O TecMundo e o Mega Curioso também repercutiram o caso, destacando justamente o papel dos tutoriais online e a economia de cerca de R$ 150 mil em mão de obra.
Ele não fez tudo sozinho

Apesar da força da história, o caso não foi uma obra feita sem nenhum apoio. A própria reportagem original deixa claro que Evandro contou com ajuda em etapas essenciais.
Para concreto, colunas e lajes, ele teve apoio do pai e contratou um pedreiro. A razão era prática: o concreto não poderia ser feito em partes, nem deixado secar para continuar no dia seguinte.
O telhado também teve participação do pai, que tinha conhecimento nessa etapa. Segundo Evandro, apenas a mão de obra do telhado poderia custar outros R$ 12 mil. Com essa ajuda, eles conseguiram cobrir a casa em 15 dias, durante o período de férias.
No acabamento, ele também contratou um azulejista para instalar o porcelanato. A decisão foi tomada para evitar erros visíveis em uma etapa que exige precisão.
A obra levou três anos até a mudança
A casa não ficou pronta de uma vez. Segundo a Tribuna do Paraná, o casal levou três anos até conseguir se mudar para o imóvel. Na época da entrevista, eles já viviam no local havia um ano e meio, mas a obra ainda não estava completamente finalizada.
O piso inferior já estava pronto, com cozinha, sala de estar e jantar, banheiro, dois quartos, varanda, área de serviço e garagem. O piso superior, onde ficaria a suíte do casal, ainda estava no cimento.
A construção avançava conforme entrava dinheiro. Para financiar o projeto, o casal reuniu salários, décimos terceiros, férias, empréstimos e refinanciamentos.
De casa de madeira a sobrado de 200 m²
Antes de chegar ao sobrado, Evandro chegou a considerar um kit de pinus de cerca de R$ 3 mil para montar uma casa de madeira de fim de semana. A ideia foi descartada por causa de preocupações com isolamento térmico, acústico, durabilidade, risco de fogo e telhas de eternite em caso de granizo.
Essa virada ajuda a explicar por que o caso chamou atenção também fora do Brasil. O Oddity Central publicou uma versão em inglês da história, apresentando Evandro como um profissional de TI que construiu uma casa de dois andares com apoio de tutoriais online.
Mas o ponto mais importante não é apenas a economia. A história mostra como o custo da mão de obra, o acesso à informação e as escolhas de material podem mudar completamente o caminho de uma família que busca sair do aluguel.
O caso de Evandro não transforma uma obra complexa em algo simples, nem substitui orientação técnica quando ela é necessária. Ele mostra outra coisa: quando um orçamento trava um sonho, conhecimento, planejamento e ajuda certa nas etapas críticas podem mudar o tamanho da conta e também o tamanho da casa.


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