1. Início
  2. / Economia
  3. / Cartórios alertam sobre golpe que pode desviar imóveis de idosos e afetar empresas
Tempo de leitura 7 min de leitura Comentários 0 comentários

Cartórios alertam sobre golpe que pode desviar imóveis de idosos e afetar empresas

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 28/05/2026 às 14:02
Atualizado em 28/05/2026 às 15:02
Cartórios alertam empresas familiares sobre documentos falsos que podem afetar imóveis, contratos e operações após morte de sócios.
Cartórios alertam empresas familiares sobre documentos falsos que podem afetar imóveis, contratos e operações após morte de sócios.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

Crescimento dos testamentos em cartório expõe preocupação com fraudes documentais, disputas por imóveis e impactos sobre empresas familiares que dependem de galpões, áreas produtivas, equipamentos e contratos para manter operações em funcionamento.

O aumento da procura por registros formais em cartórios colocou em evidência o risco de documentos particulares usados em disputas patrimoniais após a morte de sócios, fundadores ou integrantes de famílias empresárias.

Segundo dados divulgados por entidades do setor notarial, os testamentos registrados no país cresceram 22% em 2024, movimento associado por cartórios à busca por organização patrimonial e redução de conflitos envolvendo bens familiares.

Em 2025, o volume continuou elevado, com 38.740 atos formalizados em Cartórios de Notas, maior número já informado pelo Colégio Notarial do Brasil em levantamentos divulgados pelo setor.

A preocupação dos tabelionatos envolve situações em que documentos particulares aparecem depois da morte para alterar a destinação de imóveis, participações societárias, valores financeiros e bens usados direta ou indiretamente na atividade empresarial.

Em empresas familiares dos setores de energia, indústria, logística, infraestrutura e mineração, uma disputa patrimonial pode ultrapassar o ambiente doméstico e atingir ativos essenciais para a operação, como áreas produtivas, galpões, máquinas, garantias e contratos.

Fraude documental pode afetar ativos usados na operação

O risco apontado por cartórios está relacionado ao uso de documentos atribuídos a uma pessoa falecida para tentar redirecionar bens, alterar a divisão patrimonial ou interferir no controle de ativos ligados a famílias empresárias.

A tentativa pode envolver imóveis operacionais, contas, aplicações financeiras, equipamentos, cotas de empresas e outros bens de valor, especialmente quando o patrimônio pessoal do fundador se mistura à estrutura usada pela atividade produtiva.

Nesses casos, a autenticidade do documento precisa ser discutida em uma disputa formal, que pode atrasar decisões internas, elevar custos e prolongar a administração dos bens enquanto a situação não é esclarecida.

A apuração costuma envolver análise de assinatura, localização de testemunhas, verificação das circunstâncias em que o documento foi assinado e questionamentos sobre possível pressão, falsificação ou alteração de conteúdo.

Sem registro centralizado, aumentam as dúvidas sobre origem, data e integridade do documento, principalmente quando familiares, sócios ou administradores afirmam desconhecer aquela manifestação durante a vida da pessoa falecida.

Empresas familiares podem enfrentar incerteza operacional

Em negócios familiares ligados a energia, indústria pesada, logística, infraestrutura e mineração, a ausência de organização patrimonial pode criar incerteza sobre quem responde por áreas, equipamentos, garantias e decisões administrativas após a morte de uma pessoa-chave.

Quando a destinação desses bens não está documentada de forma clara, disputas entre familiares podem afetar negociações com fornecedores, renovação de contratos, acesso a documentos internos e continuidade de decisões ligadas à rotina operacional.

No setor energético-industrial, esse tipo de impasse pode envolver ativos que sustentam contratos de fornecimento, áreas arrendadas, maquinário, instalações físicas, veículos, estruturas de armazenagem e bens usados como garantia em operações comerciais.

Especialistas em governança e planejamento patrimonial recomendam que empresas familiares mantenham registros atualizados sobre controle societário, poderes de administração, bens vinculados à operação e documentos relacionados à transição patrimonial em caso de morte.

Registro em cartório reduz dúvidas sobre a origem do documento

O testamento público é feito em Tabelionato de Notas, com participação direta de um tabelião, presença de duas testemunhas e leitura formal do conteúdo, procedimento usado para registrar a vontade declarada pela pessoa.

Essa dinâmica ajuda a demonstrar que o testador apresentou sua decisão de modo livre e consciente, sem depender apenas de um papel guardado em casa ou entregue posteriormente por alguém interessado na divisão patrimonial.

A atuação do tabelião dá fé pública ao ato, expressão usada pelos cartórios para indicar que o documento nasce com presunção de autenticidade e passa a integrar os registros mantidos pela serventia.

Conforme orientação de entidades notariais, esse formato dificulta alegações posteriores de falsificação, perda, adulteração ou desconhecimento da existência do documento por familiares, sócios ou pessoas envolvidas na administração dos bens.

Além do arquivamento no cartório, a existência do ato é comunicada à Central Notarial de Serviços Eletrônicos Compartilhados, por meio do Registro Central de Testamentos Online, sistema nacional usado para localizar documentos desse tipo.

Com esse cadastro, familiares e responsáveis pela organização patrimonial conseguem verificar se a pessoa falecida deixou testamento público ou instrumento aprovado em cartório, mesmo sem saber em qual unidade o documento foi produzido.

Testamento particular amplia questionamentos após a morte

A principal limitação apontada por especialistas para o testamento particular está na necessidade de confirmação posterior, já que o documento pode depender de verificação adicional para ser aceito na divisão dos bens.

Depois da morte, as testemunhas podem ser chamadas para reconhecer assinatura, conteúdo e circunstâncias em que a vontade foi declarada, especialmente quando algum familiar ou interessado questiona a origem ou a integridade do documento.

Quando uma testemunha morre, muda de endereço ou não se recorda do ato, a validação pode se tornar mais difícil, pois a confirmação depende de pessoas que acompanharam a assinatura do testamento.

Em patrimônios ligados a empresas familiares, essa demora pode criar efeitos práticos sobre a administração de imóveis, máquinas, contratos, participações societárias e bens usados no funcionamento de unidades produtivas.

Cartórios recomendam atenção adicional quando há dependência financeira, isolamento social, problemas de saúde ou confiança excessiva em terceiros, situações que podem aumentar o risco de assinatura de documentos sem plena compreensão dos efeitos patrimoniais.

Também são citadas como sinais de alerta mudanças bruscas no planejamento patrimonial, procurações amplas, afastamento de familiares próximos e movimentações incomuns envolvendo imóveis, sem tratar esses indícios, isoladamente, como prova de fraude.

Governança patrimonial ajuda a proteger contratos e ativos

O planejamento patrimonial não se limita a famílias com grande volume de bens, segundo representantes do setor notarial, porque também pode organizar a destinação de imóveis, equipamentos e participações ligados a negócios familiares.

Entre as situações citadas por especialistas estão empresas fundadas por parentes, galpões registrados em nome de pessoas físicas, terrenos usados na operação, máquinas financiadas e contratos que dependem da continuidade da administração familiar.

Também é possível alterar ou revogar um testamento enquanto a pessoa estiver viva e capaz de manifestar sua vontade, característica que permite adaptar o documento a mudanças patrimoniais, empresariais e familiares ao longo do tempo.

Esse ajuste pode ocorrer após aquisição de novos bens, entrada ou saída de sócios, reorganização de empresas, falecimentos, separações ou outras transformações relevantes para a estrutura patrimonial de uma família empresária.

Ainda assim, o documento não elimina todas as discussões, pois familiares ou interessados podem questionar capacidade, pressão indevida ou desrespeito a limites aplicáveis em determinadas situações de divisão patrimonial.

A diferença, de acordo com entidades notariais, é que o documento público costuma oferecer base documental mais consistente, por ter sido produzido com acompanhamento formal, arquivamento em cartório e possibilidade de localização por cadastro nacional.

Organização documental começa antes da sucessão

Antes de formalizar a destinação de bens, o interessado deve reunir informações sobre imóveis, empresas, dívidas, garantias, contratos, familiares e obrigações pessoais, porque esses dados ajudam a construir um documento mais claro.

Com essas informações, o tabelião consegue orientar o ato dentro de sua função pública, esclarecer dúvidas sobre o formato do documento e indicar quais pontos precisam ser definidos com maior precisão pela pessoa interessada.

Em empresas familiares, a organização prévia também pode envolver levantamento de bens usados na operação, identificação de quem tem poderes de administração e atualização de documentos relacionados a imóveis, contratos e participações societárias.

No caso de idosos que participam da gestão ou detêm bens usados por empresas da família, cartórios recomendam atendimento direto no Tabelionato de Notas e cautela com intermediários sem vínculo claro com o serviço.

Quando surgem dúvidas sobre capacidade ou livre manifestação de vontade, o atendimento pode exigir mais cuidado na coleta de informações e na confirmação de que a decisão partiu da própria pessoa interessada.

O crescimento dos testamentos mostra que mais brasileiros passaram a tratar a destinação futura de bens como parte da organização patrimonial, inclusive em contextos marcados por imóveis, empresas familiares e preocupação com continuidade operacional.

Ao mesmo tempo, o alerta dos cartórios indica que a forma escolhida para registrar essa vontade pode influenciar a estabilidade de patrimônios familiares usados em atividades produtivas.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x