Protótipo elétrico da Eve avança após dezenas de voos de teste, enquanto a empresa prepara uma fase decisiva para validar a transição entre voo vertical e deslocamento horizontal, etapa central para o futuro dos eVTOLs e da mobilidade aérea urbana.
A Eve Air Mobility concluiu a fase de voos pairados e em baixa velocidade do protótipo de engenharia em escala real de seu eVTOL, aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical desenvolvida dentro do ecossistema da Embraer.
Segundo a empresa, a campanha chegou a 59 voos bem-sucedidos e acumulou 2 horas, 27 minutos e 33 segundos de operação, em uma etapa considerada essencial antes dos testes de transição para o voo sustentado pelas asas.
Divulgado em 21 de maio de 2026, a partir de Melbourne, na Flórida, o anúncio detalha uma campanha realizada no centro da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo.
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Nesse ambiente de ensaios, a aeronave vem sendo usada para validar modelos de controle, cargas, aerodinâmica, propulsão e gerenciamento de energia, pontos considerados centrais para as próximas etapas do programa.
O encerramento dessa fase não significa que o modelo esteja pronto para operar comercialmente, mas indica a conclusão de um bloco específico da campanha de testes.
Com essa etapa vencida, a Eve reúne dados de voo pairado, manobras de baixa velocidade e estabilidade operacional antes de avançar para ensaios mais complexos no desenvolvimento do eVTOL.
Transição para voo horizontal do eVTOL da Eve
Na próxima fase, os preparativos em solo vão anteceder os voos de transição, quando a aeronave precisa deixar o regime vertical, sustentado pelos rotores de decolagem, e passar ao deslocamento horizontal, com apoio das asas.
A previsão informada pela Eve é iniciar esse bloco no verão do Hemisfério Norte de 2026, entre julho e agosto, período em que o programa deve ampliar o envelope de voo do protótipo.
Considerada uma das etapas mais sensíveis no desenvolvimento de aeronaves eVTOL, a transição exige coordenação precisa entre sistemas de propulsão, comandos eletrônicos e comportamento aerodinâmico em diferentes regimes de voo.
No projeto da Eve, os testes vão avaliar a sincronização entre os rotores responsáveis pela sustentação vertical e o propulsor usado no voo à frente, antes de etapas voltadas ao cruzeiro.
Para reduzir riscos técnicos, a companhia afirma adotar uma estratégia de desenvolvimento em blocos, com ampliação gradual de velocidade, altitude, comandos e complexidade em cada fase da campanha.

Essa metodologia permite comparar o comportamento real da aeronave com previsões feitas em simulações e modelos computacionais, ajustando o programa antes que o protótipo avance para manobras mais exigentes.
Testes reforçam controle, bateria e propulsão
Durante a etapa concluída, o protótipo demonstrou estabilidade em voo pairado e comportamento previsível sob comandos progressivamente mais exigentes, segundo dados divulgados pela Eve ao anunciar o encerramento do bloco.
A primeira parte dos ensaios envolveu entradas em baixa velocidade abaixo de 15 nós, cerca de 28 km/h, com foco em leis de controle, efeitos de downwash, comportamento térmico e propulsão.
Com a evolução da campanha, as operações avançaram para aproximadamente 20 nós de velocidade em relação ao solo, equivalentes a cerca de 37 km/h, ainda dentro de um envelope controlado.
Nessa fase, a aeronave realizou manobras simultâneas em quatro eixos, recurso usado para validar modelos aerodinâmicos e de cargas antes da expansão para velocidades mais altas e deflexões maiores.
Ao longo do bloco, a empresa executou mais de 100 pontos de teste de voo, número que reforça a base de dados usada para correlacionar simulações com o comportamento observado em operação.
Também dentro da etapa encerrada, o protótipo atingiu 215 pés acima do nível do solo, aproximadamente 65 metros, e registrou voo de até 3 minutos e 48 segundos.
Pouso automático e sistema fly-by-wire em avaliação
Entre os marcos técnicos destacados pela Eve, aparecem as primeiras demonstrações de pouso automático e do modo fly-by-wire simplificado, ambos avaliados dentro da campanha de engenharia do protótipo.
Esse modo atua como uma camada secundária do sistema de comandos eletrônicos, acionada quando o modo normal de controle não está disponível, ampliando a avaliação de alternativas previstas no projeto.
Conhecido na aviação por substituir ligações mecânicas tradicionais por comandos eletrônicos, o fly-by-wire transmite ordens do piloto ou do sistema de controle aos atuadores responsáveis por movimentar a aeronave.
No protótipo da Eve, a validação da camada simplificada ajuda a avaliar redundância, comportamento de controle e respostas esperadas em cenários definidos pela equipe de engenharia durante a campanha.

Os níveis de ruído observados nos ensaios ficaram alinhados às expectativas informadas pela empresa, enquanto o desempenho da propulsão e da bateria ficou acima do previsto para essa fase.
Embora relevante para um projeto elétrico, esse resultado ainda pertence a uma campanha limitada de testes, conduzida com um protótipo de engenharia e sem operação comercial de passageiros.
Executivos destacam avanço na campanha de ensaios
Johann Bordais, CEO da Eve, afirmou que o encerramento do bloco valida a disciplina da estratégia adotada pela companhia, baseada em avanços graduais e coleta de dados em condições reais.
Segundo o executivo, os 59 voos confirmaram desempenho estável em voo pairado e comportamento de controle previsível dentro do envelope avaliado, além de ampliar a compreensão técnica do programa.
Bordais também destacou que a campanha forneceu dados sobre cargas, aerodinâmica, propulsão e gerenciamento de energia, elementos apontados por ele como fundamentais para a transição e a certificação.
Na mesma linha, Marcelo Basile, chefe de testes da Eve, afirmou que os voos pairados e em baixa velocidade oferecem dados de alta confiança para refinar modelos aerodinâmicos, de propulsão e de cargas.
De acordo com Basile, a correlação entre modelos e comportamento real é o que permite expandir o envelope de voo de forma disciplinada, antes de avançar para fases de maior complexidade.
Certificação do eVTOL ainda depende de novos protótipos
Usado para amadurecer o projeto e reduzir riscos antes das fases seguintes, o protótipo atual é uma aeronave de engenharia em escala real, não a configuração final de certificação.
Para o processo regulatório, a Eve prevê usar protótipos conformes, construídos de acordo com a configuração esperada para avaliação das autoridades responsáveis pela certificação da aeronave.
Em abril de 2026, a empresa já havia informado a conclusão de 50 voos de teste desde o primeiro voo do protótipo, realizado em dezembro do ano anterior.
Na ocasião, a companhia disse que planejava iniciar em 2026 a produção de seis protótipos conformes destinados à campanha de certificação junto à Agência Nacional de Aviação Civil.
Listada na Bolsa de Nova York pelos códigos EVEX e EVEXW, a Eve também tem BDRs negociados na B3 sob o código EVEB31, ampliando sua presença nos mercados financeiros.
A companhia atua no desenvolvimento de aeronaves eVTOL, serviços de suporte e soluções de gerenciamento de tráfego aéreo voltadas à mobilidade aérea urbana, segmento ainda dependente de regulação e infraestrutura.
Operação comercial exige novas etapas regulatórias
Apesar do avanço técnico, a aeronave ainda precisa passar por fases decisivas antes de qualquer operação comercial, incluindo voos de transição, validação do cruzeiro e ensaios com protótipos conformes.
Além dos testes de voo, o desenvolvimento de eVTOLs depende de infraestrutura adequada, regras operacionais, integração ao espaço aéreo e aceitação regulatória em diferentes mercados de atuação.
Por esse motivo, os resultados divulgados pela Eve representam progresso dentro da campanha de engenharia, mas não indicam início imediato de serviço comercial com passageiros ou operação regular.
A empresa afirma que os próximos testes em solo vão preparar o protótipo para a passagem entre sustentação vertical e voo à frente, etapa prevista antes do voo sustentado pelas asas.
Com esse novo bloco, o programa deve ampliar o envelope de voo e fornecer dados adicionais para o desenvolvimento da aeronave final, mantendo a progressão técnica antes das etapas de certificação.


Carro voador? Tão de palhaçada? Isso é um helicóptero com asas. Cada uma!!!🤌🏻🤌🏻
Qdo der pra estacionar na garagem de uma residência e tiver aparecia de carro aí sim podem chamar de carro voador.