Estudo do MIT analisou dados de milhares de CEPs dos Estados Unidos e concluiu que carros elétricos reduzem emissões entre 40% e 60% na maior parte dos locais avaliados. A pesquisa mostra que matriz elétrica, clima, congestionamento, distância percorrida e frequência de uso influenciam o resultado final
Pesquisa do MIT analisou dados de milhares de CEPs dos Estados Unidos e concluiu que carros elétricos reduzem emissões na maior parte das regiões, sem custo total maior que modelos a gasolina comparáveis. O estudo foi publicado no dia 12 de março na revista Environmental Research Letters.
Os carros elétricos reduzem entre 40% e 60% das emissões na maior parte dos locais analisados nos Estados Unidos, segundo estudo do MIT que mostra que o comportamento do motorista pode pesar tanto quanto a matriz elétrica regional.
O dado importa porque a vantagem ambiental de um veículo elétrico não depende apenas de onde a eletricidade é gerada. Frequência de uso, distância percorrida, congestionamento, tipo de carro, clima e preços de energia também alteram emissões e custo total de propriedade.
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Comportamento do motorista muda o resultado dos carros elétricos
A pesquisa foi conduzida por Marco Miotti, pesquisador sênior da ETH Zurich que realizou o trabalho enquanto era aluno de pós-graduação no Institute for Data, Systems, and Society do MIT, e por Jessika Trancik, professora do IDSS.
O estudo foi publicado na revista Environmental Research Letters e buscou responder uma pergunta mais específica do que simplesmente saber se veículos elétricos são melhores. A análise investigou para quem eles são melhores e em quais condições isso acontece.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores reuniram informações de milhares de CEPs dos Estados Unidos. O modelo considerou clima, duração e distância das viagens, preços de combustíveis, tarifas de eletricidade, congestionamento, composição da matriz elétrica regional e padrões individuais de direção.
A equipe também usou preços médios de combustíveis ao longo do tempo, evitando que oscilações pontuais distorcessem os resultados. A análise foi finalizada entre o fim de 2024 e o início de 2025.

Matriz elétrica não é o único fator decisivo
Os resultados indicam que todos os fatores avaliados têm peso relevante na redução de emissões dos carros elétricos em comparação com veículos a combustão. A matriz elétrica limpa ajuda, mas não explica sozinha a diferença entre os casos.
As maiores reduções aparecem em regiões com eletricidade mais limpa, tráfego mais denso, maiores distâncias anuais percorridas e clima ameno. Dentro de cada local, a vantagem cresce para motoristas que dirigem com mais frequência, usam veículos maiores e enfrentam mais congestionamentos.
Essa conclusão muda a forma de olhar para o tema. Um motorista que roda muito, fica preso no trânsito com frequência ou dirige um modelo maior pode ter um ganho ambiental diferente de outro motorista no mesmo CEP.
O estudo também incluiu veículos elétricos a bateria, que operam apenas com eletricidade, e híbridos plug-in, que combinam motor elétrico e motor a combustão para otimizar o consumo.
Frio reduz desempenho, mas não elimina o benefício
Um ponto analisado pelo MIT foi a influência do clima frio. Relatos sobre veículos elétricos em baixas temperaturas costumam destacar perda de autonomia, mas os pesquisadores avaliaram o impacto anual nas emissões.
Em uma área fria como Dakota do Norte, a eficiência de um carro elétrico a bateria pode cair até 50% em uma noite muito gelada. Mesmo assim, o efeito sobre o benefício anual de emissões foi considerado mínimo no modelo.
A equipe também fez um estudo de sensibilidade para verificar cenários muito desfavoráveis. Segundo Miotti, mesmo nessas condições, os veículos elétricos ainda reduzem emissões de forma substancial.
Custo total é competitivo na maior parte dos locais
Além das emissões, o estudo avaliou o custo total de propriedade. A conclusão foi que, na maioria das regiões dos Estados Unidos, os carros elétricos são competitivos com modelos a combustão comparáveis ao longo da vida útil, mesmo sem créditos tributários para veículos limpos.
Nas áreas onde a eletricidade é relativamente mais barata, os veículos elétricos a bateria tendem a custar menos que híbridos plug-in ou carros com motor a combustão. A análise, porém, não apresenta promessa de economia individual para todos os motoristas.
A pesquisa foi usada para atualizar o Carbon Counter, ferramenta pública criada anteriormente pelos pesquisadores. O site permite comparar emissões de ciclo de vida e custo total de propriedade de quase qualquer carro disponível no mercado.
Próximos passos da pesquisa
Os pesquisadores pretendem ampliar o modelo para incluir uma dimensão temporal. A ideia é considerar como mudanças nos preços de veículos, combustíveis e eletricidade podem alterar emissões e custos ao longo do tempo.
Miotti destaca que a matriz elétrica ainda é um grande fator de variação espacial, mas a rede está passando por descarbonização. Com isso, as diferenças regionais podem diminuir, enquanto as diferenças entre motoristas devem continuar relevantes.
O estudo também poderá ser usado futuramente para avaliar regiões fora dos Estados Unidos ou incluir dados sobre veículos híbridos que não podem ser recarregados na tomada.
Este artigo foi elaborado com base em informações divulgadas por MIT News, publicados na revista Environmental Research Letters. O conteúdo contou com apoio de ferramentas de IA na organização editorial e passou por revisão humana antes da publicação.

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