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Startup transforma caroços de tucumã que iam para o lixo em bioplástico usado na produção de pedais de bicicleta, copos e peças para a construção civil

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Escrito por Andriely Medeiros de Araújo Publicado em 05/07/2026 às 11:33 Atualizado em 05/07/2026 às 11:37
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Bioplástico de tucumã combina resíduos de frutos amazônicos com resina e já é usado em peças para construção civil, bicicletas, copos e impressão 3D. Fonte: Divulgação.
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Bioplástico de tucumã combina resíduos de frutos amazônicos com resina e já é usado em peças para construção civil, bicicletas, copos e impressão 3D.

Caroços de tucumã que antes seguiam para descarte no setor de alimentação passaram a ser utilizados na fabricação de peças plásticas. Desenvolvido pela Fipo Biopellet com apoio do Programa Prioritário de Bioeconomia, o bioplástico de tucumã substitui parte dos polímeros de origem fóssil por resíduos agroindustriais da Amazônia.

A tecnologia combina resina plástica com um biopellet produzido a partir dos caroços. Essa composição pode reduzir em até 40% a pegada de carbono do material.

A solução já chegou a aplicações na construção civil e na indústria de duas rodas. A empresa também produz copos personalizados e trabalha no desenvolvimento de filamentos destinados a impressoras 3D.

Bioplástico de com caroço de tucumã nasceu da observação do descarte de alimentos

A ideia começou quando Antonio Kieling, sócio da Fipo Biopellet, percebeu a quantidade de caroços de tucumã eliminada diariamente pelo setor alimentício. A empresa passou então a pesquisar maneiras de transformar o resíduo em matéria-prima para processos industriais.

O trabalho resultou na criação de pellets que podem ser adicionados às resinas empregadas na fabricação de objetos plásticos. Além do tucumã, a tecnologia pode aproveitar resíduos de outros frutos amazônicos, como açaí e cupuaçu.

A proposta permite que materiais anteriormente descartados ingressem em uma nova cadeia produtiva. Em vez de depender exclusivamente de polímeros fósseis, as peças recebem uma parcela de matéria-prima originada do processamento de frutos.

O material desenvolvido pela startup é classificado como um biocomposto. Sua formulação reúne a resina plástica e partículas produzidas com os resíduos vegetais. O resultado pode ser moldado para atender a diferentes necessidades da indústria.

Bioplástico de tucumã combina resíduos de frutos amazônicos com resina e já é usado em peças para construção civil, bicicletas, copos e impressão 3D.
Bioplástico de tucumã combina resíduos de frutos amazônicos com resina e já é usado em peças para construção civil, bicicletas, copos e impressão 3D. Fonte: P. S. Sena CC 4.0.

De acordo com o projeto, o composto apresenta resistência e durabilidade compatíveis com as aplicações desenvolvidas até o momento. O bioplástico com caroço de tucumã não elimina totalmente a resina convencional. Sua função é substituir parte do polímero fóssil pelo material obtido dos caroços e de outros resíduos agroindustriais.

Essa composição amplia o aproveitamento das matérias-primas amazônicas e reduz a quantidade de componentes fósseis necessária para fabricar determinadas peças.

Resíduos utilizados na produção dos biopellets

  • caroços de tucumã;
  • resíduos de açaí;
  • resíduos de cupuaçu;
  • outros materiais agroindustriais amazônicos compatíveis com a tecnologia.

Construção civil já utiliza peças com resíduos de tucumã

Uma das aplicações atuais está na fabricação de espaçadores plásticos usados em estruturas de concreto. Conhecidos como “cadeirinhas”, esses componentes mantêm as armaduras na posição correta durante a concretagem.

As peças também ajudam a preservar a espessura planejada da camada de cobertura e evitam que os elementos metálicos se desloquem. O material está sendo utilizado nos modelos de 20/25 milímetros e 25/30 milímetros.

Bioplástico de tucumã combina resíduos de frutos amazônicos com resina e já é usado em peças para construção civil, bicicletas, copos e impressão 3D. Foto: Fipo Biopellet
Bioplástico de tucumã combina resíduos de frutos amazônicos com resina e já é usado em peças para construção civil, bicicletas, copos e impressão 3D. Foto: Fipo Biopellet

Embora sejam componentes pequenos, os espaçadores exercem uma função específica dentro da montagem das estruturas. A aplicação mostra como o composto pode entrar em produtos técnicos, e não apenas em objetos decorativos ou embalagens.

Bioplástico com caroço de tucumã chegou à indústria de duas rodas

Antes de ampliar as aplicações, a Fipo Biopellet precisou realizar pesquisas, testes e protótipos para avaliar o comportamento do material. O suporte do PPBio possibilitou o desenvolvimento das primeiras biopeças destinadas à indústria de duas rodas.

Entre os resultados desse processo está um pedal para bicicletas fabricado com o biocomposto criado pela startup. “Um dos principais resultados desse processo foi o desenvolvimento de um pedal para bicicletas fabricado com o material biocomposto criado pela startup”, destacou Genilson.

O protótipo serviu para verificar a possibilidade de transformar os pellets em uma peça submetida ao uso cotidiano. O processo também contribuiu para aproximar a tecnologia das exigências comerciais e industriais.

PPBio financiou pesquisa, testes e prototipagem

O Programa Prioritário de Bioeconomia participou da evolução do projeto por meio dos recursos da Lei de Informática. O apoio foi direcionado às etapas necessárias para que a invenção avançasse além da pesquisa inicial e chegasse à fabricação de produtos.

“Para transformar essa invenção em uma solução com potencial de aplicação industrial, eram necessários investimentos em pesquisa, desenvolvimento, testes e prototipagem”, contou Genilson.

Além do aporte financeiro, o programa ofereceu suporte ao aperfeiçoamento da tecnologia. As atividades permitiram avaliar a viabilidade técnica e comercial do bioplástico de tucumã, além de produzir as primeiras peças com o material.

Etapas apoiadas pelo programa

  • pesquisa e desenvolvimento do biocomposto;
  • realização de testes;
  • criação de protótipos;
  • aperfeiçoamento da formulação;
  • fabricação das primeiras biopeças;
  • avaliação da viabilidade técnica;
  • análise do potencial comercial.

Redução da pegada de carbono pode chegar a 40%

A substituição parcial dos polímeros fósseis está associada à redução do impacto de carbono do produto. Segundo a Fipo Biopellet, o uso do composto pode diminuir essa pegada em até 40%.

O resultado está relacionado à introdução de resíduos vegetais na formulação de peças que normalmente utilizariam uma proporção maior de resina plástica convencional.

Ao mesmo tempo, o processo oferece uma destinação para caroços e outros materiais descartados por atividades de alimentação e processamento de frutos. O bioplástico de tucumã conecta, dessa forma, duas etapas: a retirada de resíduos de uma cadeia produtiva e sua transformação em insumo para outra.

Copos personalizados ampliam as aplicações do material

A Fipo Biopellet também utiliza resíduos agroindustriais amazônicos na produção de copos sustentáveis.

Os recipientes podem ser personalizados para eventos, acrescentando uma nova aplicação ao portfólio da empresa. Nesse caso, o material deixa o campo das peças técnicas e chega a um produto de uso cotidiano.

Bioplástico de tucumã combina resíduos de frutos amazônicos com resina e já é usado em peças para construção civil, bicicletas, copos e impressão 3D.
Bioplástico de tucumã combina resíduos de frutos amazônicos com resina e já é usado em peças para construção civil, bicicletas, copos e impressão 3D. Foto: Fipo Biopellet

A fabricação dos copos também permite apresentar visualmente a presença dos resíduos amazônicos no composto, aproximando a tecnologia dos consumidores e dos organizadores de eventos.

Bioplástico de tucumã poderá ser usado na impressão 3D

Outra frente de desenvolvimento envolve a fabricação de filamentos para impressoras 3D. Os filamentos são os materiais utilizados pelas máquinas para formar objetos em sucessivas camadas. A proposta da empresa é incorporar as matérias-primas renováveis amazônicas a esse processo de fabricação digital.

A entrada nesse segmento aumentaria a variedade de formas e produtos que poderiam ser criados com o composto. A tecnologia ainda integra os próximos passos da Fipo Biopellet, ao lado da ampliação do portfólio e da expansão comercial das soluções já desenvolvidas.

Tecnologia cria nova destinação para resíduos amazônicos

O projeto utiliza materiais provenientes de atividades já existentes na Amazônia, como o processamento de tucumã, açaí e cupuaçu. Depois da retirada das partes destinadas à alimentação, os resíduos passam a fornecer matéria-prima para produtos industriais.

Entre as aplicações desenvolvidas ou planejadas estão:

  • espaçadores para estruturas de concreto;
  • pedais de bicicleta;
  • copos personalizados;
  • filamentos para impressão 3D;
  • outras peças plásticas compatíveis com o biocomposto.

A diversidade de usos permite que os pellets sejam avaliados em setores com necessidades diferentes de formato, resistência e durabilidade.

Fipo Biopellet planeja ampliar portfólio e presença no mercado

A empresa pretende continuar expandindo as aplicações do material e sua participação no mercado. O desenvolvimento de novas peças deverá ocorrer ao lado da produção já realizada para construção civil e eventos.

A criação dos filamentos para impressão 3D representa uma das etapas previstas. A empresa também busca aumentar o número de produtos fabricados com resíduos agroindustriais.

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Com o apoio recebido para pesquisa, testes e prototipagem, o bioplástico com caroço de tucumã avançou da observação de um problema de descarte para a produção de componentes utilizados em diferentes atividades.

A tecnologia mantém como base a substituição parcial de polímeros fósseis, o aproveitamento de caroços e outros resíduos amazônicos e a transformação desses materiais em peças destinadas à indústria.

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