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Na China, 23 famílias passaram mais de 4 anos escavando uma estrada de 1,2 km em um penhasco gigante para sair do isolamento, abandonar trilhas estreitas de montanha e transformar a rotina de um vilarejo esquecido

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Escrito por Noel Budeguer Publicado em 05/07/2026 às 11:57 Atualizado em 05/07/2026 às 11:59
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A história da estrada de Lanying mostra como uma comunidade isolada pela montanha mudou a própria rotina ao criar uma ligação com o exterior, depois de anos dependendo de caminhos perigosos para levar alimentos, produtos agrícolas e mercadorias básicas.
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A história da estrada de Lanying mostra como uma comunidade isolada pela montanha mudou a própria rotina ao criar uma ligação com o exterior, depois de anos dependendo de caminhos perigosos para levar alimentos, produtos agrícolas e mercadorias básicas.

Em uma região montanhosa da China, 23 famílias viviam isoladas por um penhasco, trilhas estreitas e um caminho tão difícil que sair do vilarejo podia virar uma jornada de um dia inteiro. Para levar alimentos, vender produtos agrícolas ou buscar itens básicos, os moradores precisavam enfrentar passagens apertadas ao lado do precipício.

Foi nesse cenário que eles tomaram uma decisão extrema: abrir uma estrada de 1,2 km diretamente na rocha, usando martelos, cinzéis, cestos, cordas e o próprio corpo como força de trabalho.

A obra começou em setembro de 2001 e levou 4 anos e 3 meses para ficar pronta. Segundo o China Daily, um dos principais jornais em língua inglesa da China, a estrada foi aberta por 23 famílias de uma pequena comunidade ligada ao vilarejo de Lanying, em Chongqing, onde viviam pouco mais de 80 moradores.

Antes da estrada, cada saída era uma travessia perigosa

Equipe trabalha no nivelamento da base da estrada no penhasco de Laohuzui, no Grand Canyon de Lanying, em Wuxi, na China. A via de apenas 1,2 km foi aberta por 23 famílias e 83 moradores em 4 anos e 3 meses, tornando-se a única ligação de Zhoujiaping com o exterior. Antes dela, moradores precisavam escalar o paredão para entrar e sair da comunidade. Foto: Xie Zhiqiang.
Equipe trabalha no nivelamento da base da estrada no penhasco de Laohuzui, no Grand Canyon de Lanying, em Wuxi, na China. A via de apenas 1,2 km foi aberta por 23 famílias e 83 moradores em 4 anos e 3 meses, tornando-se a única ligação de Zhoujiaping com o exterior. Antes dela, moradores precisavam escalar o paredão para entrar e sair da comunidade. Foto: Xie Zhiqiang.

A rotina no vilarejo era limitada pela montanha. Para chegar ao mundo exterior, os moradores dependiam de caminhos estreitos conhecidos localmente como “maomao roads”. Em alguns trechos, essas passagens tinham menos de 40 cm de largura.

Era por ali que as famílias carregavam batatas, milho e outros produtos agrícolas. Também era por esse mesmo caminho que traziam arroz, farinha, fertilizantes e mercadorias básicas para dentro da comunidade.

O problema não era apenas a distância. O trajeto exigia equilíbrio, força física e paciência. Fontes chinesas citadas na investigação apontam que alcançar uma estrada podia levar um dia inteiro. Em rotas antigas mais longas, o percurso podia consumir até 2 dias por trajeto.

Para quem vivia ali, a montanha não era cenário bonito. Era uma barreira diária. Cada carga nas costas mostrava o quanto o isolamento influenciava o comércio, o transporte e a própria permanência das famílias no lugar.

A solução foi dividir o penhasco entre as famílias

Equipe trabalha na recuperação das bordas da estrada do penhasco de Laohuzui, no vilarejo de Lanying, na China. O trecho faz parte da via aberta na rocha que se tornou a principal ligação da comunidade com o exterior.
Equipe trabalha na recuperação das bordas da estrada do penhasco de Laohuzui, no vilarejo de Lanying, na China. O trecho faz parte da via aberta na rocha que se tornou a principal ligação da comunidade com o exterior.

Sem máquinas pesadas no início, os moradores dividiram a futura estrada em 23 trechos, um para cada família. A ideia parecia simples no papel, mas o trabalho acontecia em uma parede de pedra, diante de um vazio de mais de 1.500 metros.

Homens desciam presos por cordas, perfuravam a rocha com barras de aço, batiam com martelos, abriam espaço para explosivos e retiravam pedras em cestos. Dia após dia, a montanha começou a ganhar o contorno de uma estrada.

A imagem é forte porque não mostra uma grande obra moderna, cheia de máquinas e engenheiros. Mostra famílias comuns abrindo passagem em um lugar onde a própria geografia parecia dizer que ninguém deveria passar.

A estrada nasceu, mas deixou marcas

No fim de 2005, depois de 4 anos e 3 meses de trabalho, a estrada de 1,2 km ficou pronta. Mas o primeiro resultado ainda era bruto. Em dias secos, o caminho levantava poeira. Em dias de chuva, virava lama.

Mesmo assim, para os moradores, aquilo já mudava tudo. A estrada substituía trilhas estreitas por uma ligação real com a região ao redor.

O People’s Daily, um dos jornais mais conhecidos da China, relata que a obra também teve riscos graves. Um dos moradores, Xiang Jiagen, perdeu o olho direito após uma explosão atrasada durante os trabalhos. A investigação também cita 8 grandes deslizamentos no período da construção.

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O caminho aberto na rocha virou atração

Anos depois, entre 2017 e janeiro de 2018, a estrada recebeu reforço e pavimentação com apoio do governo local. A passagem deixou de ser apenas um caminho improvisado no penhasco e passou a permitir uma circulação mais segura.

Com a melhoria do acesso, o vilarejo também ganhou uma nova fase. Segundo o iChongqing, portal de notícias local, a região recebeu estrutura turística, incluindo plataforma de observação, trilhas, banheiros e iluminação.

A estrada que nasceu para tirar famílias do isolamento passou a atrair visitantes, fotógrafos e motoristas interessados na imagem impressionante da via talhada na montanha.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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