Rodovia NH-45 ganhou marcação vermelha inédita para proteger motoristas, animais selvagens e o ecossistema da Veerangana Durgavati Tiger Reserve.
Em dezembro de 2025, a Índia implantou sua primeira marcação vermelha elevada em rodovia nacional, segundo a National Highways Authority of India, ligada ao Ministério do Transporte Rodoviário e Rodovias. A iniciativa foi aplicada na NH-45, em Madhya Pradesh, em um trecho que passa pela Veerangana Durgavati Tiger Reserve.
O projeto chamou atenção porque não depende apenas de cercas, radares ou lombadas tradicionais. A solução usa uma camada vermelha de termoplástico, com 5 milímetros de espessura, aplicada sobre a pista para alertar motoristas de forma visual, tátil e sonora.
A proposta é direta: fazer o condutor perceber que entrou em um corredor sensível para a vida selvagem. Assim, a velocidade tende a ser reduzida de maneira natural, sem frenagens bruscas e sem desconforto excessivo.
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Asfalto vermelho da Índia une segurança viária e proteção da fauna
A intervenção foi instalada em um trecho de 2 km dentro de um projeto rodoviário de 11,96 km. A área foi classificada como zona de risco por causa das condições geométricas da estrada e da presença de fauna em uma região florestal sensível.
Segundo a NHAI, a marcação foi inspirada na Sheikh Zayed Road, em Dubai, e também em pesquisas e diretrizes internacionais. Ainda assim, a aplicação na NH-45 se tornou inédita em uma rodovia nacional indiana.
O vermelho forte rompe a repetição visual do asfalto comum. Dessa forma, o motorista recebe um alerta imediato e entende que precisa conduzir com mais atenção.

Como a pista vermelha faz o motorista reduzir sem perceber
A lógica da estrada vermelha combina percepção visual e resposta comportamental. Primeiramente, a cor destaca o trecho de perigo. Em seguida, a leve elevação da superfície gera uma sensação tátil e um som discreto durante a passagem do veículo.
Esse conjunto ajuda o condutor a reduzir a velocidade sem depender apenas de placas. Além disso, evita o impacto mais agressivo de dispositivos como lombadas ou ondulações fortes.
A medida também reforça três efeitos importantes:
- aumento da atenção ao volante;
- associação da cor vermelha com cautela;
- melhor identificação de áreas sensíveis à travessia de animais.
Passagens inferiores e cercas completam a proteção dos animais
A estrada vermelha não atua sozinha. Conforme a NHAI, o projeto inclui 25 passagens inferiores exclusivas para animais ao longo dos 11,96 km da rodovia.
Essas passagens acompanham o nível natural do terreno e os caminhos de drenagem. Com isso, os animais conseguem usar rotas mais seguras, sem entrar diretamente na pista.
Cercas contínuas de malha metálica seguem pelos dois lados da rodovia, exceto em áreas de corte profundo. A estrutura conduz a fauna até as passagens inferiores e reduz travessias perigosas pela pista.
Projeto também reduz impacto ambiental na reserva
A NHAI afirma que a solução busca baixo impacto ambiental. O pavimento mantém a estrutura principal da estrada, preserva o sistema de drenagem e permite melhorias futuras.
Além disso, a marcação vermelha gera menos ruído do que faixas sonoras convencionais. Linhas brancas nos acostamentos também orientam motoristas e evitam que veículos avancem sobre áreas verdes.
Câmeras em pequenas pontes ajudam a monitorar a movimentação de animais. Já a iluminação solar em pontes e cruzamentos melhora a visibilidade em pontos de conflito, sem ampliar de forma pesada a carga ambiental.
Estrada vermelha vira modelo de infraestrutura sustentável
A experiência na NH-45 mostra como uma rodovia pode atender humanos e animais ao mesmo tempo. O objetivo é reduzir acidentes, proteger a biodiversidade e preservar o ecossistema florestal.
Mais do que uma mudança estética, a estrada vermelha funciona como ferramenta de engenharia viária. A cor, a textura, as passagens de fauna e as cercas formam um sistema integrado de segurança.
Com isso, a Índia apresenta um modelo de infraestrutura que une mobilidade, conservação ambiental e inovação simples. Em vez de tratar a natureza como obstáculo, a rodovia reconhece a presença da vida selvagem no próprio desenho da estrada.
