A parceria inédita entre as duas instituições vai colocar frente a frente o público de São Paulo e de Campos do Jordão com dois automóveis que atravessaram décadas, governos e diferentes fases da indústria automobilística nacional
Poucos automóveis carregam tanto simbolismo na história do Brasil quanto o Fusca. Não à toa, dois exemplares especialmente ligados a momentos decisivos da política e da indústria nacional vão trocar de endereço temporariamente a partir de agosto. A Garagem Volkswagen e o Museu CARDE anunciaram sua primeira parceria, que promoverá o intercâmbio entre dois dos veículos mais importantes da história do país: os Fuscas que estiveram diretamente ligados aos ex-presidentes Juscelino Kubitschek e Itamar Franco.
Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, a partir do dia 3 de agosto de 2026, o departamento de memória da montadora alemã e o museu localizado em Campos do Jordão (SP) vão trocar de lugar essas duas relíquias. Nesse sentido, a iniciativa foi desenhada para celebrar duas datas importantes para o setor automotivo brasileiro neste ano: os 30 anos do fim da produção do chamado “Fusca Itamar”, encerrada em 1996, e os 40 anos do encerramento da primeira fase de fabricação do modelo no Brasil, ocorrido em 1986.
Dois carros, dois presidentes, duas fases da indústria automotiva

De um lado está o Fusca Conversível 1959, veículo utilizado pelo então presidente Juscelino Kubitschek durante a inauguração da primeira fábrica da Volkswagen fora da Alemanha, erguida em São Bernardo do Campo (SP) naquele mesmo ano. O automóvel pertence atualmente ao acervo do Museu CARDE. Do outro lado está o Fusca Itamar, de chassi 001 — o primeiro exemplar produzido durante a retomada da fabricação do modelo em 1993, apresentado ao então presidente Itamar Franco durante a cerimônia oficial que marcou o retorno das linhas de montagem na fábrica de Anchieta. Esse segundo carro é preservado pela Garagem Volkswagen.
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Enquanto isso, a lógica da troca funciona como um espelho: o Fusca Itamar deixará o ABC Paulista para ficar exposto temporariamente no Museu CARDE, em Campos do Jordão, enquanto o Fusca JK fará o caminho inverso, ocupando o espaço expositivo da Garagem Volkswagen, em São Bernardo do Campo. Por outro lado, mais do que uma simples movimentação logística entre acervos, a iniciativa representa a aproximação entre duas instituições dedicadas à preservação da memória automotiva brasileira, permitindo que públicos de regiões diferentes tenham contato direto com peças que, até então, permaneciam restritas a seus acervos originais.
Um filme para contar a história por trás da troca

Contudo, a parceria não se resume à movimentação física dos veículos. Para marcar a ocasião, as duas instituições produziram o documentário “Dois Fuscas, Dois Presidentes”, que acompanha o deslocamento simbólico dos automóveis entre seus novos destinos temporários. O filme conta com a participação de Ciro Possobom, presidente e CEO da Volkswagen do Brasil, e de Luiz Goshima, diretor do Museu CARDE.
Segundo Possobom, a parceria com o Museu CARDE mostra como a história da Volkswagen no Brasil também se confunde com a própria história do desenvolvimento do país. Ainda de acordo com o executivo, o Fusca atravessou gerações, esteve presente em momentos marcantes da indústria nacional e continua despertando conexão emocional entre as pessoas — e reunir esses dois carros históricos funciona como uma forma de preservar memória, compartilhar legado e criar novas histórias para o público brasileiro.
Ainda assim, vale destacar o significado simbólico de cada um dos automóveis dentro dessa narrativa. Enquanto o Fusca de Kubitschek remete ao nascimento da indústria automobilística nacional, no fim dos anos 1950, o Fusca de Itamar Franco representa justamente o momento em que o modelo, símbolo de uma era, ganhou uma segunda vida na década de 1990, após anos fora de produção. Juntas, as duas peças formam um retrato quase completo da trajetória do Fusca no Brasil — do início da montagem local até a nostálgica retomada que emocionou toda uma geração de brasileiros.
