1. Início
  2. Curiosidades
  3. Uma pequena baía cercada por falésias em Fernando de Noronha foi eleita sete vezes a praia mais bonita do mundo, não permite venda de comida na areia e exige descida de 208 degraus cravados na rocha
PE
Faça um comentário 7 min de leitura

Uma pequena baía cercada por falésias em Fernando de Noronha foi eleita sete vezes a praia mais bonita do mundo, não permite venda de comida na areia e exige descida de 208 degraus cravados na rocha

Imagem de perfil do autor Felipe Alves da Silva
Escrito por Felipe Alves da Silva Publicado em 05/07/2026 às 11:36 Atualizado em 05/07/2026 às 11:39
Assista o vídeoBaía cercada por falésias verdes com água turquesa e areia dourada, sem quiosques ou infraestrutura visível
A Baía do Sancho, em Fernando de Noronha, já foi eleita sete vezes a melhor praia do mundo. Imagem: Divulgação
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

No arquipélago pernambucano, a Baía do Sancho superou destinos badalados do Caribe e das Maldivas em rankings internacionais, mantendo-se praticamente intocada graças a regras rígidas de preservação ambiental

Existem praias feitas para fotos de cartão-postal. E existem praias que parecem ter sido desenhadas antes mesmo de existir gente para fotografá-las. A Baía do Sancho, escondida entre falésias no arquipélago de Fernando de Noronha, é do segundo tipo. Para chegar até ali, o visitante precisa suar a camisa — literalmente — descendo uma escadaria vertical encravada na rocha. E é exatamente essa dificuldade, somada a décadas de preservação rigorosa, que transformou o Sancho na praia mais premiada do planeta.

Segundo a própria página oficial da Baía do Sancho no TripAdvisor, a praia carrega o selo “Travelers’ Choice Best of the Best” — a mais alta distinção da plataforma, concedida apenas a locais que ficam entre o 1% mais bem avaliados do mundo. Ao longo da última década, a baía já conquistou esse título de melhor praia do planeta em sete edições do ranking, um feito que nenhuma outra praia brasileira conseguiu igualar em consistência, superando destinos disputadíssimos do Caribe e das Maldivas.

A joia marinha que carrega mais de 500 anos de história

A Baía do Sancho, em Fernando de Noronha, já foi eleita sete vezes a melhor praia do mundo. Imagem: Divulgação
A Baía do Sancho, em Fernando de Noronha, já foi eleita sete vezes a melhor praia do mundo. Imagem: Divulgação

Localizada a cerca de 354 quilômetros da costa de Pernambuco, a Baía do Sancho faz parte de um arquipélago descoberto ainda em 1503. Ao longo dos séculos, Fernando de Noronha teve usos bem diferentes do turismo: já serviu como posto de vigilância militar e, durante o Estado Novo, funcionou como presídio político. Hoje, restam dessa época estruturas preservadas na Vila dos Remédios, núcleo urbano histórico que ainda mantém o traçado do século 18.

Em 2001, o arquipélago recebeu da UNESCO o título de Patrimônio Mundial Natural, reconhecimento que reforçou a necessidade de proteção da área. Nesse sentido, o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, criado em 1988, hoje abrange cerca de 70% de todo o território, garantindo a preservação de praias, trilhas e piscinas naturais que atraem viajantes do mundo inteiro.

Sete vezes campeã: o que fez o Sancho superar Caribe e Maldivas

Por outro lado, o reconhecimento internacional não vem apenas da beleza cênica. Com mais de 8.700 avaliações cinco estrelas registradas em sua própria página no TripAdvisor, a Baía do Sancho integra o seleto grupo de 1% das atrações mais bem avaliadas entre os 8 milhões de locais listados na plataforma. Além disso, segundo levantamento divulgado pelo Portal de Prefeitura em celebração ao Dia Mundial dos Oceanos, em 10 de junho de 2026, o Sancho apareceu entre as 10 melhores praias do planeta em um ranking com as 100 mais bem avaliadas do mundo — sendo, mais uma vez, a única representante de Pernambuco na lista.

Suas águas cristalinas, que variam do verde-esmeralda ao azul-turquesa, chegam a oferecer visibilidade de até 50 metros durante a estação seca. Cercada por falésias cobertas de vegetação nativa, a baía funciona também como santuário reprodutivo de tartarugas marinhas e abriga um dos points de mergulho livre mais concorridos do Brasil, principalmente no canto direito da praia, onde as rochas concentram grande diversidade de vida marinha.

Uma praia sem infraestrutura — de propósito

Talvez o detalhe mais surpreendente do Sancho seja justamente aquilo que não existe por lá: não há quiosques, vendedores ambulantes nem guarda-sóis para alugar na areia. Segundo o site oficial do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, gerido em conjunto com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a ausência total de comércio é proposital e faz parte da estratégia de preservação da unidade de conservação, que também limita o número diário de visitantes em diversas trilhas e praias, exigindo ainda o uso de guias certificados em determinados trechos.

Por isso, quem pretende passar o dia na baía precisa se planejar com antecedência: é preciso levar a própria água e lanches leves em recipientes reutilizáveis, além de recolher todo o lixo produzido antes de deixar o local. A experiência gastronômica completa fica reservada para depois do passeio, na Vila dos Remédios ou nos restaurantes espalhados pela ilha, onde pratos como a peixada noronhense e preparações à base de tubarão salgado e seco — o chamado tubalhau — reforçam a identidade culinária local.

A aventura de descer até a areia mais premiada do mundo

Para chegar à praia mais premiada do mundo, o visitante enfrenta 208 degraus cravados na rocha, em uma escadaria vertical com cerca de 50 metros de desnível
Para chegar à praia mais premiada do mundo, o visitante enfrenta 208 degraus cravados na rocha, em uma escadaria vertical com cerca de 50 metros de desnível. Imagem: Divulgação

Chegar ao Sancho, aliás, é parte da experiência. Após desembarcar no Aeroporto de Fernando de Noronha (FEN), o visitante deve se dirigir ao Posto de Informação e Controle (PIC) Golfinho-Sancho, ponto de entrada obrigatório mediante apresentação do ingresso do Parque Nacional Marinho.

O acesso principal acontece por uma trilha suspensa, com passarelas de madeira que levam até os mirantes — trecho, inclusive, acessível para pessoas com mobilidade reduzida. A partir dali, no entanto, a aventura se intensifica: para descer até a praia, é necessário enfrentar cerca de 208 degraus distribuídos em duas escadarias verticais cravadas na fenda entre as falésias, em um desnível de aproximadamente 50 metros. O próprio ICMBio organiza intervalos específicos para subida e descida, evitando aglomerações no trecho mais estreito.

Enquanto isso, quem prefere evitar o esforço físico da escadaria tem uma alternativa: contratar um dos passeios de barco autorizados, que ancoram diretamente na baía e permitem o banho na água sem a necessidade de pisar na areia.

O que mais fazer no arquipélago além do Sancho

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

O roteiro de Fernando de Noronha, contudo, vai muito além da praia mais premiada. Entre as atrações que costumam compor o passeio pelo arquipélago, destacam-se:

  • Baía dos Porcos: piscinas naturais de tom esmeralda com vista privilegiada para o Morro Dois Irmãos, um dos cartões-postais mais fotografados do Brasil;
  • Mirante da Baía dos Golfinhos: ponto de observação de golfinhos-rotadores logo ao amanhecer, a partir das 6h30 — Fernando de Noronha abriga a maior concentração dessa espécie em todo o Oceano Atlântico;
  • Praia do Sueste: point de mergulho com snorkel em águas rasas, ideal para nadar ao lado de tartarugas marinhas.

Quando ir: as duas estações do paraíso brasileiro

O arquipélago tem clima tropical oceânico, com duas estações bem definidas, e a escolha da época certa depende do tipo de experiência que o visitante busca. Entre agosto e janeiro, praticamente sem chuvas, o mar se transforma em um imenso aquário natural — a janela ideal para mergulho e snorkel, com visibilidade que pode chegar a 50 metros. Já entre fevereiro e junho, as chuvas tornam a água um pouco mais turva, mas compensam com um mar mexido, perfeito para o surfe, e com a formação de duas cachoeiras temporárias que descem diretamente das falésias até a areia da baía.

Como chegar e quanto custa visitar a praia mais premiada do mundo

O acesso a Fernando de Noronha acontece por voos regulares a partir de Recife, com cerca de 1h10 de duração, ou de Natal, com aproximadamente 1 hora de voo. Já para visitar a Baía do Sancho especificamente, é necessário estar em dia com duas cobranças distintas. A primeira é o ingresso do Parque Nacional Marinho, obrigatório apenas para acessar as áreas protegidas como o Sancho, a Baía dos Porcos e a Praia do Sueste: segundo comunicado oficial do próprio Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, com base na Portaria ICMBio nº 4.423, de 14 de outubro de 2025, o valor passou a ser de R$ 384 para estrangeiros e R$ 192 para brasileiros — que têm direito a 50% de desconto — a partir de 1º de novembro de 2025, com validade de 10 dias consecutivos.

A segunda cobrança é a Taxa de Preservação Ambiental (TPA), essa sim obrigatória para todo visitante do arquipélago, independentemente de pretender visitar ou não as áreas do parque nacional. Calculada por dia de permanência na ilha, a TPA parte de R$ 105,79 para uma diária e aumenta progressivamente conforme o tempo de estadia — um detalhe importante para quem está organizando o orçamento da viagem, já que as duas taxas são cobradas separadamente e de formas diferentes.

Ainda assim, para quem já fez a viagem, o esforço — físico e financeiro — costuma ser descrito como plenamente recompensador. Afinal, não é todo lugar do mundo que oferece a chance de mergulhar em uma baía que, sete vezes seguidas, foi considerada a mais bonita do planeta — e que, justamente por resistir à tentação do turismo de massa, segue intocada como há séculos.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x