Suspensão temporária das cotas tarifárias deve facilitar a entrada de carne bovina importada nos Estados Unidos, ampliar a oferta de cortes e carne moída no mercado interno, aliviar a pressão sobre os preços dos alimentos e ajudar o governo Trump a enfrentar uma das maiores crises inflacionárias do setor alimentício americano nos últimos anos
Os Estados Unidos devem anunciar uma nova medida para ampliar a entrada de carne bovina importada no país, em uma tentativa de conter a pressão sobre os preços dos alimentos.
Segundo informações do The Wall Street Journal, a Casa Branca pretende reduzir temporariamente as tarifas de importação de carne bovina a partir desta segunda-feira, 11 de maio de 2026.
A proposta prevê a suspensão da cota tarifária anual aplicada às importações, mecanismo que eleva as tarifas quando determinado volume de embarques é atingido.
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Com isso, países exportadores poderão ampliar as vendas ao mercado norte-americano pagando tarifas menores.
Dessa forma, cortes bovinos e carne moída devem entrar com mais facilidade nos Estados Unidos, em um momento de forte pressão inflacionária.
Tarifas menores reforçam demanda por carne importada
A flexibilização deve beneficiar exportadores que já vinham ampliando embarques para os Estados Unidos desde 2025.
Para o analista de mercado da Terra Investimentos, Geraldo Isoldi, o movimento já era acompanhado pelo setor.
Segundo ele, o aumento das exportações para os EUA ajudaria a compensar parte das possíveis perdas causadas pelas salvaguardas chinesas.
Nesse cenário, Isoldi afirmou que uma facilidade nas tarifas “vem de bom grado” neste momento.
O analista também destacou que o preço da carne nos Estados Unidos continua subindo de forma intensa.
Portanto, na avaliação dele, o país realmente precisa da carne importada para aliviar parte da pressão sobre o mercado interno.
Oferta restrita sustenta alta dos preços
A pressão sobre a carne bovina nos Estados Unidos está ligada diretamente à redução do rebanho norte-americano.
Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o USDA, o plantel bovino chegou ao menor nível em 75 anos.
Além do impacto da seca registrada nos últimos anos, muitos pecuaristas reduziram a capacidade de produção.
Durante a pandemia, as perdas também levaram diversos criadores a diminuir seus rebanhos.
Com menor oferta doméstica, os preços da proteína seguiram em alta mesmo após a desaceleração de outros alimentos.
Enquanto ovos e leite perderam força na inflação, a carne bovina manteve aumentos expressivos.
A carne moída, por exemplo, acumulou alta de cerca de 40% nos últimos cinco anos.
Plano também mira pecuaristas americanos
Entretanto, o plano do governo Trump não se limita à importação de carne bovina.
Segundo o The Wall Street Journal, a administração também deve anunciar medidas voltadas aos pecuaristas dos Estados Unidos.
Entre elas, estão a ampliação de linhas de crédito e a facilitação do acesso a financiamentos para produtores rurais.
Ao mesmo tempo, o governo deve reduzir algumas exigências regulatórias impostas ao setor.
Entre as mudanças discutidas estão regras mais flexíveis para identificação eletrônica do gado.
Também está em análise a revisão de medidas ambientais ligadas à proteção de lobos, tema criticado por criadores norte-americanos.
Governo busca alívio imediato e estímulo futuro
A avaliação da Casa Branca é que a ampliação das importações pode elevar a oferta de carne no curto prazo.
Enquanto isso, a redução de custos e burocracias pode estimular a pecuária doméstica nos próximos anos.
Paralelamente, o governo Trump também flexibilizou tarifas sobre alimentos, madeira e móveis.
Ainda segundo as informações divulgadas, medidas envolvendo aço e alumínio também passaram por revisão.
Assim, a estratégia combina alívio tarifário imediato com ações internas para tentar reorganizar a oferta no mercado americano.
O movimento ocorre em um momento no qual a carne bovina segue como um dos principais pontos de pressão sobre a inflação dos alimentos.
Com tarifas menores e mais carne entrando no país, os Estados Unidos conseguirão aliviar os preços ao consumidor sem prejudicar seus próprios pecuaristas?
