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Brasileiro recebe R$ 18 milhões por engano e, ao invés de devolver, compra carro de luxo e ainda tranfere quantia milionária para outras contas

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 24/03/2026 às 13:22
Empresário recebe R$ 18 milhões por engano, compra Porsche e vira alvo de investigação por transferências e possível lavagem de dinheiro.
Empresário recebe R$ 18 milhões por engano, compra Porsche e vira alvo de investigação por transferências e possível lavagem de dinheiro.
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Depósito milionário por erro bancário desencadeia investigação após compra de carro de luxo e transferências suspeitas envolvendo mais de R$ 18 milhões, com apreensão de veículo e apuração policial sobre movimentações rápidas do dinheiro recebido indevidamente.

Um depósito indevido de mais de R$ 18 milhões em uma conta empresarial em Goiânia desencadeou uma investigação policial depois que parte do dinheiro foi usada na compra de um Porsche de R$ 280 mil e em transferências para outras contas.

O carro foi apreendido, e o empresário Guilherme Moreira passou a ser investigado após a Polícia Civil afirmar que ele percebeu o erro e, ainda assim, movimentou os valores.

Segundo a apuração divulgada inicialmente pela polícia, a falha ocorreu no sistema de uma instituição financeira, quando valores creditados por engano chegaram à conta vinculada a uma empresa do ramo de alimentação.

A investigação sustentou que, logo depois de notar a entrada atípica do dinheiro, o empresário tentou dispersar parte da quantia em operações bancárias sucessivas.

Transferências rápidas e movimentação de R$ 1,1 milhão

Os investigadores apontaram que as transferências somaram cerca de R$ 1,1 milhão e foram feitas em poucos minutos.

Conforme o relatório policial concluído meses depois, houve cinco movimentações, quatro delas bloqueadas e uma efetivamente concluída, justamente a usada para quitar o automóvel de luxo.

A versão consolidada no inquérito menciona o valor exato de R$ 18.666.000,90 depositado indevidamente.

Como o caso chegou à polícia

O episódio veio a público quando a apreensão do Porsche passou a simbolizar a principal suspeita dos investigadores: a de que o dinheiro recebido por engano não foi apenas mantido na conta, mas aproveitado em benefício próprio.

Naquele momento, a Polícia Civil tratava o caso como possível apropriação de coisa havida por erro e lavagem de dinheiro.

A linha de investigação partiu de um ponto simples: para a polícia, não bastava alegar surpresa diante de um crédito milionário incomum.

O que pesou foi a sequência de atos atribuída ao empresário após a constatação do depósito, com compras e remessas a outras contas em intervalo curto, o que, na avaliação do delegado responsável, indicaria tentativa de dar outra aparência ao dinheiro.

Mais adiante, com a conclusão do inquérito, a Polícia Civil informou que Guilherme Moreira foi indiciado por apropriação de coisa havida por erro, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

Pai e uma amiga também foram indiciados por falsidade ideológica, porque, segundo o relatório, teriam aparecido em registros ligados à tentativa de formalizar bens e empresas de modo incompatível com a realidade apurada.

Defesa fala em “equívoco jurídico”

Desde o início, a defesa sustentou que não houve apropriação indevida e classificou a situação como um “equívoco jurídico”.

Em nota divulgada na época, o empresário afirmou que, ao perceber o depósito, teve contas bloqueadas pelo banco, o que teria impedido a devolução imediata da quantia já utilizada em pagamentos diversos, inclusive na quitação do carro.

Na mesma manifestação, ele declarou que, depois do desbloqueio, buscou um acordo com a instituição financeira, mas a negociação não avançou por discordância em relação a juros e multas cobrados.

A defesa também afirmou que a disputa passou a ser discutida na Justiça e negou a existência de intenção de se apropriar definitivamente dos valores creditados por falha bancária.

Em depoimento citado pela investigação, Guilherme ainda disse que acreditou estar diante de um acerto financeiro relacionado à venda de parte do restaurante.

Esse argumento, porém, foi contestado pela Polícia Civil, que registrou divergência entre a cifra movimentada e o valor que, segundo outra versão colhida no caso, seria efetivamente esperado pelo empresário em negociações ligadas ao negócio.

Compra do Porsche e suspeita de lavagem de dinheiro

A compra do veículo se tornou o elemento mais visível do caso porque foi a única movimentação que, segundo a polícia, conseguiu escapar do bloqueio imediato.

O Porsche, avaliado em R$ 280 mil, acabou apreendido no curso da investigação, transformando uma operação privada em um símbolo público do que os investigadores classificaram como uso indevido de dinheiro alheio.

Os detalhes descritos no inquérito reforçaram a suspeita policial de que houve tentativa de distribuir o montante para diferentes destinos.

As remessas teriam alcançado conta do pai, contas de outras empresas e instituições financeiras distintas, cenário que levou a polícia a acrescentar ao caso a suspeita de lavagem de dinheiro, além da apropriação do valor recebido por engano.

Ainda segundo a investigação, uma amiga teria sido procurada para registrar o automóvel em nome dela.

A Polícia Civil usou esse ponto para sustentar o indiciamento por falsidade ideológica, afirmando que a documentação relacionada ao carro e a estruturas societárias examinadas no caso não refletiria, em alguns trechos, a situação real identificada pelos investigadores.

Enquadramento jurídico e possíveis crimes

Na fase inicial divulgada ao público, quando o inquérito ainda não havia sido concluído, o empresário era citado como investigado por apropriação de coisa havida por erro e lavagem de dinheiro, combinação que, conforme informado à época, podia levar a penas somadas de até 11 anos.

Essa foi a moldura jurídica apresentada nas primeiras reportagens sobre o episódio.

Com o avanço das apurações, porém, a Polícia Civil informou o indiciamento por um terceiro crime, o de falsidade ideológica.

Essa atualização mudou o retrato processual do caso em relação ao estágio inicial e ampliou o número de pessoas alcançadas pelo inquérito, embora todos, segundo as informações então divulgadas, respondessem em liberdade.

A diferença entre investigação e indiciamento ajuda a entender por que o caso ganhou novas camadas ao longo do tempo.

No primeiro momento, a polícia trabalhava com suspeitas baseadas na movimentação do dinheiro e na compra do carro. Depois, ao fechar o relatório, acrescentou elementos sobre empresas, registros formais e participação de terceiros.

O que permanece no centro do caso

De acordo com especialistas, independentemente da disputa entre a versão da defesa e a conclusão da polícia, o núcleo do caso não mudou: um crédito milionário feito por erro bancário saiu do campo do mero equívoco técnico e passou a ser examinado como possível infração penal.

Isso porque, segundo a investigação, houve uso ativo do dinheiro antes de qualquer devolução integral e espontânea.

Foi esse encadeamento — depósito indevido, transferências rápidas, compra de bem de alto valor e contestação posterior sobre a devolução — que sustentou a repercussão do episódio e levou a Polícia Civil de Goiás a formalizar o indiciamento.

A defesa, por sua vez, continuou afirmando que o empresário tentou resolver a situação, mas que a divergência com o banco empurrou a controvérsia para a esfera judicial.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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