Após a Artemis II, Brasil reforça parceria com a Nasa e aposta em produção de alimentos para a nova era das viagens tripuladas à Lua
A Artemis II já voltou à Terra, mas o impacto da missão da Nasa continua abrindo espaço para o Brasil dentro da próxima etapa das viagens tripuladas à Lua. O país não participou com astronautas no voo que deu a volta no satélite entre 1º e 10 de abril, mas integra desde 2021 os Acordos Artemis, base internacional que sustenta a cooperação civil do programa, e tenta transformar essa posição em contribuição concreta com produção de alimentos, ciência lunar e desenvolvimento tecnológico.
A Artemis II passou, e o Brasil quer entrar no que vem depois
A missão Artemis II marcou o primeiro voo tripulado ao redor da Lua em mais de 50 anos, durou 9 dias, 1 hora e 32 minutos e serviu como teste decisivo para as próximas fases do programa Artemis.
No meio dessa nova corrida lunar, o Brasil aparece como signatário dos Acordos Artemis, que já reúnem 61 países e definem princípios de cooperação para exploração pacífica, transparente e sustentável da Lua, de Marte e de outros destinos espaciais.
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O ponto central para Brasília agora é sair do papel diplomático e ganhar função real no esforço internacional.
Em texto publicado em 17 de abril, o próprio Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação disse que a participação brasileira no Artemis avança por meio de duas frentes já em andamento: o Space Farming, liderado pela Embrapa com apoio da Agência Espacial Brasileira, e o nanossatélite SelenITA, desenvolvido no ITA para futuras missões de pesquisa lunar.
Produção de alimentos virou a carta mais forte do Brasil
É na produção de alimentos que o Brasil tenta fincar uma bandeira mais forte dentro do universo da Nasa e das futuras viagens tripuladas à Lua.
A Embrapa descreve a agricultura espacial como uma oportunidade brasileira no âmbito dos Acordos Artemis, com foco em criar sistemas de produção capazes de funcionar em condições de radiação elevada, baixa gravidade e ausência de solo.
A proposta é atacar um dos gargalos mais difíceis da permanência humana fora da Terra: como alimentar astronautas de forma estável, segura e contínua longe do planeta.
Esse movimento pesa porque a missão Artemis não foi desenhada para um voo isolado. A Nasa trata o programa como uma ponte para presença humana de longo prazo na Lua e, depois, em Marte.
Nesse cenário, produzir alimentos no espaço deixa de ser uma curiosidade de laboratório e vira peça-chave para sustentar bases, reduzir dependência logística da Terra e ampliar o tempo de permanência das tripulações.
SelenITA leva o Brasil para o coração da pesquisa lunar
A outra frente que coloca o Brasil mais perto da Nasa e da Artemis II no pós-missão é o SelenITA. Liderado pelo ITA em parceria com a AEB, a Finep e instituições internacionais, o projeto prevê um pequeno satélite científico em órbita da Lua para estudar campos magnéticos, poeira lunar e fenômenos ligados à região do polo sul, justamente uma das áreas mais visadas pelas futuras operações humanas. Em junho de 2025, o projeto passou por uma revisão internacional e foi aprovado para seguir adiante.
A escolha desse foco não é casual. O polo sul lunar concentra boa parte da atenção estratégica do programa Artemis por causa do interesse em recursos, ciência e presença humana sustentada.
Ao mirar essa região com o SelenITA e, ao mesmo tempo, apostar em produção de alimentos com o Space Farming, o Brasil tenta ocupar dois terrenos que podem ganhar muito peso conforme as viagens tripuladas à Lua deixarem de ser exceção e passarem a fazer parte de uma rotina espacial mais ambiciosa.
O desafio brasileiro agora é transformar assinatura em capacidade
A assinatura dos Acordos Artemis colocou o Brasil na mesa certa, mas o salto de verdade depende de capacidade própria. O país ainda vê no Centro de Lançamento de Alcântara um ativo estratégico, com posição privilegiada a 2°18′ ao sul da Linha do Equador, enquanto busca fortalecer sua base industrial e científica para não ficar apenas como apoiador lateral da nova economia espacial.
Em paralelo, a AEB já firmou contrato de R$ 189 milhões com um consórcio empresarial para o desenvolvimento de veículos lançadores, em uma tentativa de empurrar a autonomia nacional no acesso ao espaço.
A Artemis II já entrou para a história da Nasa. Para o Brasil, ela funcionou como um aviso claro de que a nova corrida lunar deixou de ser promessa distante.
Quem quiser espaço nesse ciclo precisará entregar tecnologia, ciência e soluções úteis. Hoje, a aposta brasileira passa por produção de alimentos, pesquisa lunar e uma tentativa de amadurecer o próprio setor espacial antes que a próxima fase das viagens tripuladas à Lua acelere de vez.
Você acha que o Brasil pode conquistar um papel mais relevante ao lado da Nasa nas próximas viagens tripuladas à Lua? Compartilhe este artigo com quem acompanha espaço, ciência e tecnologia brasileira.

