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Pela primeira vez, cientistas viram o fundo do oceano se abrir em tempo real – placas se afastando dois metros em poucos dias e 160 milhões de metros cúbicos de lava surgindo no assoalho marinho

Imagem de perfil do autor Fabio Lucas Carvalho
Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 10/07/2026 às 10:48 Atualizado em 10/07/2026 às 11:11
https://www.nature.com/articles/d41586-026-02139-7
Descubra as novidades sobre o fundo do oceano e a atividade vulcânica na Dorsal do Sudeste Indiano neste estudo surpreendente.
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Pesquisadores acompanharam uma dorsal meso-oceânica no Oceano Índico se abrindo em abril de 2024, após instalar mais de 20 estações de medição em uma área de 100 quilômetros. O evento afastou partes da crosta oceânica, liberou lava e mostrou como novas rochas se formam nas profundezas do planeta.

O fundo do oceano foi observado se abrindo em tempo real, pela primeira vez, durante um evento registrado em uma dorsal meso-oceânica no Oceano Índico. A movimentação afastou partes da crosta marinha dois metros em poucos dias.

De acordo com a revista Nature, o episódio liberou cerca de 160 milhões de metros cúbicos de lava sobre o assoalho marinho. A descoberta foi descrita na revista Nature e surpreendeu os pesquisadores pela escala do deslocamento e pela intensidade da atividade vulcânica.

Fundo do oceano se abriu diante dos instrumentos

A observação ocorreu na Dorsal do Sudeste Indiano, uma estrutura submarina que corta o fundo do Oceano Índico em direção aproximada de leste a oeste. Essa cadeia separa a placa Antártica da placa Australiana.

Essas placas se afastam em torno de seis centímetros por ano. O movimento é associado principalmente ao deslocamento da placa Australiana para o norte, mas nem toda a crosta se move continuamente.

Em alguns trechos, partes da placa podem permanecer quase paradas por um período e depois liberar movimento, acompanhadas por terremotos. Foi justamente esse tipo de evento que a equipe buscava acompanhar.

Em fevereiro de 2024, os pesquisadores instalaram três tipos de instrumentos ao longo de uma região de cerca de 100 quilômetros da dorsal. A rede incluía mais de 20 estações de medição no fundo do mar.

Sinais sísmicos começaram em abril de 2024

Cinco hidrofones foram usados para captar ondas sonoras submarinas, inclusive aquelas produzidas por tremores. A equipe também instalou 15 balizas acústicas, equipamentos alimentados por bateria e posicionados sobre estruturas no fundo do mar.

Essas balizas emitem e recebem sinais sonoros. A cada quatro horas, elas trocavam informações entre si e mediam o tempo necessário para que os sinais fossem enviados e retornassem.

Com isso, os pesquisadores acompanharam mudanças de distância entre os equipamentos. Em 26 de abril de 2024, os hidrofones começaram a registrar tremores na região monitorada.

Nos dias seguintes, os dados das balizas mostraram que algumas estações tinham se afastado em pelo menos dois metros. O movimento indicava que a crosta oceânica estava se alargando naquele trecho da dorsal.

Lava, subsidência e deslocamento inesperado

Além do afastamento lateral, um sensor de pressão mediu alteração expressiva na profundidade do fundo marinho. A lava subiu a partir de baixo da crosta e se espalhou sobre o assoalho oceânico.

Esse volume teria esvaziado um reservatório de magma acumulado ao longo da zona da dorsal. Com a perda de material no interior, partes do fundo do mar afundaram.

A expectativa era registrar apenas alguns centímetros de deslocamento vertical. No entanto, a medição apontou 4,2 metros, valor muito maior do que o esperado pela equipe.

O movimento liberou o equivalente a três a seis décadas de tensão acumulada nesse segmento da dorsal. Essa tensão vinha do alongamento causado pelo deslocamento para o norte da placa Australiana.

Processo essencial da Terra foi visto ao vivo

As dorsais meso-oceânicas são responsáveis pela criação da crosta oceânica, que cobre quase dois terços do planeta. Nelas, o magma sobe, esfria e solidifica, formando novo fundo marinho.

Esse mecanismo já era compreendido em linhas gerais desde meados do século XX. Mesmo assim, ainda não havia sido observado diretamente em tempo real, com instrumentos registrando o afastamento e a erupção.

A observação oferece uma visão rara de processos que moldam a superfície da Terra longe dos continentes. Também ajuda a entender melhor a frequência, a magnitude e a dinâmica das erupções submarinas.

O caso mostra que parte importante da atividade geológica do planeta acontece longe da vista humana. No fundo do oceano, placas se afastam, terremotos ocorrem e novas rochas se formam continuamente.,

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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