Projeto brasileiro transforma uma Kombi Corujinha picape em veículo elétrico artesanal, com motor reaproveitado de empilhadeira, 16 baterias escondidas sob a caçamba, tomada no bocal de combustível e visual clássico preservado em uma adaptação curiosa voltada ao uso urbano.
Uma Kombi Corujinha picape passou por uma transformação rara no Brasil ao trocar o motor a combustão por um conjunto elétrico reaproveitado de empilhadeira, enquanto manteve o visual clássico por fora e concentrou boa parte da nova mecânica sob a caçamba.
Nesse projeto, o que mais chama atenção é a combinação entre um dos utilitários mais conhecidos do país e uma solução artesanal de eletrificação, formada por 16 baterias automotivas, controladora industrial e tomada instalada no lugar do antigo bocal de combustível.
Segundo reportagem da Quatro Rodas, a conversão foi feita em uma Volkswagen Kombi Corujinha picape de 1975 pertencente ao colecionador Carlos Figueiredo, conhecido como Carlão, responsável por transformar o clássico em um veículo elétrico funcional.
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Para mover a picape, o veículo recebeu um motor trifásico Jungheinrich de 92 V, usado originalmente em empilhadeiras, além de uma controladora Curtis de 96 V e 650 A, instalada para gerenciar o funcionamento do conjunto.
Em vez de transformar a Kombi em um elétrico moderno de fábrica, a adaptação buscou fazer um clássico rodar sem motor a combustão, usando componentes disponíveis, soluções personalizadas e uma montagem pensada para preservar a identidade visual da picape.
Kombi Corujinha elétrica manteve visual clássico por fora
Entre os detalhes mais curiosos da conversão, o conjunto de baterias ocupa papel central, já que a Kombi passou a carregar 16 baterias automotivas convencionais de 100 A, ligadas em série e posicionadas sob a caçamba.
Essa solução preserva a cabine e mantém a aparência externa do utilitário, enquanto concentra peso e componentes elétricos na parte traseira, sem alterar a imagem clássica que faz a Kombi ser reconhecida rapidamente pelo público brasileiro.
De acordo com a mesma reportagem, a configuração permite autonomia de até 90 km com carga completa, um alcance compatível com deslocamentos urbanos, eventos e usos controlados, sem a proposta de competir com elétricos modernos de fábrica.
Outro ponto de contraste aparece na tomada de recarga, instalada exatamente no local onde ficava o bocal de abastecimento, substituindo a função original do compartimento e reforçando a diferença entre o desenho antigo e o novo funcionamento.
Em vez de receber gasolina, aquele espaço passou a conectar o sistema elétrico, criando uma mudança discreta por fora, mas essencial para entender o projeto: a picape continua parecendo uma Kombi antiga, embora funcione de maneira bem diferente.
Motor de empilhadeira virou coração da conversão elétrica
A escolha por um motor de empilhadeira explica parte do caráter incomum da adaptação, pois esse tipo de equipamento é projetado para entregar força em baixa velocidade e suportar uso intenso em ambientes industriais.
Quando há conhecimento técnico para integrar motor, controladora, baterias e transmissão, essas características podem ser aproveitadas em conversões elétricas artesanais, especialmente em veículos antigos que recebem nova mecânica sem perder a carroceria original.
Na Kombi de Carlão, o conjunto foi instalado para mover um veículo de uso específico, ligado a eventos e demonstrações, sem objetivo de oferecer desempenho esportivo, grande autonomia ou tecnologia embarcada comparável à de um carro elétrico atual.
Também se destaca o uso de baterias de chumbo, mais pesadas e menos sofisticadas que as baterias de lítio presentes em elétricos modernos, mas escolhidas como solução mais acessível para viabilizar a montagem artesanal.
Conforme informou a Quatro Rodas, o próprio responsável pelo veículo comparou os custos e apontou diferença significativa entre as alternativas, o que ajuda a explicar por que o projeto ficou mais próximo de uma conversão personalizada do que de uma eletrificação comercial.
Baterias sob a caçamba mudaram a lógica da picape
Apesar da aparência simples, uma adaptação desse tipo exige combinação cuidadosa de peças, porque o funcionamento depende da integração entre banco de baterias, motor elétrico, controladora, cabos, fixações e estrutura original do veículo.
Dentro desse sistema, a controladora tem papel central ao administrar a entrega de energia das baterias ao motor, definindo como o conjunto elétrico responde durante o uso e substituindo parte da lógica antes assumida pelo motor a combustão.
Cabos, conexões, isolamento, distribuição de peso e pontos de fixação também passam a fazer parte da engenharia da picape, já que o veículo deixa de depender de tanque, escapamento e conjunto mecânico tradicional para funcionar.
Por si só, a Kombi Corujinha já tem forte apelo visual no Brasil, com uma imagem ligada a transporte, trabalho, comércio, viagens e colecionismo, fatores que tornam a conversão elétrica ainda mais chamativa.
Quando um veículo tão reconhecível passa a circular em silêncio, sem o ruído típico do motor traseiro refrigerado a ar, a mudança deixa de ser apenas técnica e envolve memória afetiva, curiosidade mecânica e estranhamento visual.
Clássico brasileiro ganhou uso elétrico em eventos
Na picape convertida, a eletrificação também aparece associada ao uso em eventos, já que a reportagem mostra a Kombi sendo utilizada para transportar uma réplica de um Porsche RSK 718.
Esse uso reforça o caráter de exposição e demonstração do projeto, em vez de apresentar a picape como alternativa direta a um utilitário moderno em alcance, desempenho ou tecnologia embarcada.
Mesmo com a troca completa do sistema de tração, a transformação preservou elementos que fazem a Kombi ser reconhecida à primeira vista, como a cabine, a carroceria de picape, a dianteira arredondada e o aspecto de veículo antigo.
Escondida sob a aparência original, a maior mudança está concentrada no sistema de tração elétrica e no pacote de baterias, responsáveis por criar o contraste entre um clássico brasileiro e uma solução mecânica totalmente diferente.
Conversão artesanal mostra desafios da eletrificação em carros antigos
Projetos desse tipo revelam os desafios de eletrificar veículos antigos fora de uma linha de produção, pois cada peça precisa ser adaptada ao espaço disponível, ao peso do carro e ao uso pretendido.
Em um carro elétrico de fábrica, motor, bateria, gerenciamento eletrônico, arrefecimento, freios e estrutura são pensados desde o início para trabalhar juntos, enquanto uma conversão artesanal precisa conciliar componentes de origens diferentes.
No caso da Kombi, o uso de 16 baterias sob a caçamba cria uma imagem forte porque mostra o tamanho físico da solução necessária para fazer o clássico rodar sem combustível.
Ao mesmo tempo, a autonomia informada de até 90 km evidencia um perfil de uso urbano ou de curta distância, compatível com deslocamentos controlados e apresentações, sem intenção de substituir um utilitário moderno em viagens longas.
A decisão de manter a carroceria original reforça o caráter de restomod elétrico, em que a aparência antiga convive com uma mecânica atualizada e cria interesse entre colecionadores, entusiastas e leitores curiosos por soluções de oficina.
No Brasil, esse tipo de projeto desperta atenção porque envolve carros populares ou clássicos conhecidos, peças reaproveitadas e adaptações funcionais, aproximando a eletrificação do universo de garagens, eventos e veículos preservados.
Mais do que simplesmente trocar o motor, a conversão reuniu um motor industrial, uma controladora robusta, 16 baterias comuns e uma carroceria de quase cinco décadas em um veículo que parece antigo, mas se move sem combustão.
Para quem vê de fora, a cena provoca uma pergunta inevitável: até onde carros clássicos brasileiros podem ganhar sobrevida com soluções elétricas artesanais?
