Ricardo Laus nasceu e cresceu na beira do rio de Tijucas, passou mais de duas décadas valorizando terrenos dos outros no litoral catarinense e agora assina sozinho o maior lançamento da história da cidade de 60 mil habitantes
O Rioparque nasceu na cidade que sempre foi conhecida por ficar no meio do caminho: Tijucas, em Santa Catarina, a cerca de 40 minutos de Florianópolis e a menos de meia hora de Balneário Camboriú e Itapema, o trecho de litoral queridinho do mercado imobiliário brasileiro, segundo a Exame, em reportagem de 4 de julho. Foi nessa cidade de quase 60 mil habitantes, tratada como passagem, que o empresário Ricardo Laus fundou a Novo Ambiente Urbanismo e lançou o Rioparque, um bairro planejado de 400.000 metros quadrados às margens do rio Tijucas, com marina e um parque linear de 2 quilômetros.
O tamanho da aposta não deixa dúvida: o empreendimento tem valor geral de vendas de R$ 1 bilhão, é o maior lançamento da história da cidade e, na primeira semana de vendas, 80% dos lotes unifamiliares da primeira fase já foram vendidos, segundo a Exame. O projeto foi lançado há cerca de 45 dias, e a segunda fase já está prevista para dali a 18 meses.
O menino da beira do rio que virou dono do maior projeto da cidade
A ligação do empresário com o terreno vem de antes do negócio. “Eu fui criado na beira do rio. Morei a vida inteira na beira do rio e era apaixonado por brincar, pescar, fazer coisa desde criança por ali”, conta Laus à Exame. O rio virou a espinha do projeto e, na visão dele, o embrião de um parque linear que a prefeitura poderia estender pela cidade inteira.
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A trajetória no mercado imobiliário começou em 1998, quando Laus tinha por volta de 17 anos e passou a trabalhar com o pai, usando o financiamento da Caixa Econômica Federal com carta de crédito do FGTS, e a dupla construiu algo entre 600 e 700 casas nesse período, segundo a Exame.
A virada de 2004: o terreno comprado com entrada e fé

O salto veio com uma negociação ousada. Em 2004, a família comprou um terreno em Tijucas de um ex-diretor da cerâmica Portobello sem ter o dinheiro do terreno inteiro, pagando uma entrada e apostando no resultado das vendas, e a área virou o loteamento Mata Atlântica e depois o Bosque da Mata, lançado em 2018, que se tornaram o bairro mais valorizado da cidade, segundo a Exame.
A primeira fase daquele projeto tinha cerca de 350 lotes, número que parecia loucura para a Tijucas da época. “O pessoal da cidade, empresários dali, achava que a gente estava louco, porque 300 e poucos lotes na cidade e a gente iria ter lote para vender para o resto da vida”, lembra Laus na entrevista. Os lotes venderam, e ao longo de três fases saíram cerca de 2.000 lotes naquele trecho. Depois de décadas participando de projetos que valorizaram Balneário Camboriú, Itapema e Porto Belo sem ser o dono, ele resume o momento atual: “Chegou nessa hora que é a minha vez, sozinho, de dar o meu passo”.
O Rioparque por dentro: 468 mil metros quadrados, marina para 90 barcos e 150 jets
Os números do Rioparque impressionam para o tamanho da cidade. O terreno tem 468.000 metros quadrados no total, dos quais cerca de 150.000 foram executados na primeira fase, dentro da malha urbana, no centro de Tijucas, com 2 quilômetros de margem de rio, segundo a Exame. A Gazeta do Povo, que também apresentou o projeto, detalha que a marina terá capacidade para 90 embarcações e 150 jets, às margens dos rios Tijucas e Oliveira, e que o Rioparque vem sendo apresentado como o primeiro bairro planejado da região com marina privativa.
Para desenhar o empreendimento, Laus reuniu escritórios que assinaram projetos conhecidos no litoral catarinense, como o Pedra Branca, em Palhoça, e o Viva Parque, em Porto Belo, segundo a Exame. A proposta segue o conceito de novo urbanismo: nenhuma casa tem muro na frente, o cabeamento de energia é subterrâneo, há regras sobre onde pode haver prédio, comércio ou casa, e a ideia é morar, trabalhar e se divertir sem depender do carro.
O argumento de venda: metro quadrado a partir de R$ 2 mil

O preço é a peça central do discurso. O metro quadrado do Rioparque começa na faixa de R$ 2 mil, o que parece barato para quem conhece os preços de Balneário Camboriú, Itapema e Porto Belo, segundo a Exame. A Gazeta do Povo registra a mesma tese com outras palavras: a aposta dos desenvolvedores é que o projeto funcione como transbordamento imobiliário de mercados vizinhos mais saturados, como Itapema e Balneário Camboriú.
A estratégia de venda foge do padrão: nada de mandar tabela e material por WhatsApp. “A gente faz com que as pessoas venham conhecer o empreendimento no local”, diz Laus à Exame, apostando que a visita ao espaço físico, a maquete e a sala de vendas é que convertem o comprador.
Quem está comprando: do gaúcho cansado do trânsito ao cliente de Boston
O perfil do comprador surpreendeu o próprio dono. Há o gaúcho e o paranaense que já buscavam a região, o morador de Balneário Camboriú ou Itapema cansado do trânsito e da verticalização, o investidor e até um movimento novo de brasileiros que moram no exterior comprando na região, segundo a Exame. “Já teve um cliente que mora em Boston”, conta Laus, explicando que alguns veem no Brasil um destino mais seguro para investir diante de incertezas nas políticas migratórias de outros países.
O pano de fundo ajuda: Santa Catarina foi um dos estados que mais receberam migrantes no Brasil nos últimos anos, e a faixa litorânea entre Garopaba e Penha concentrou boa parte da valorização imobiliária do estado, ainda de acordo com a Exame. Balneário Camboriú verticalizou primeiro, depois veio Itapema, Porto Belo explodiu quando o plano diretor liberou construções de maior porte, e Tijucas, na leitura de Laus, é o próximo elo dessa cadeia.
A carta na manga: a licença que pode destravar a náutica no rio
Existe um trunfo ainda fora do tabuleiro. Um grupo do qual Laus participa obteve recentemente a aprovação de uma licença ambiental ligada à drenagem do rio Tijucas, ainda pendente de oficialização, cuja função principal é mitigar problemas de enchente, mas que na avaliação dele também abriria espaço para explorar melhor o potencial náutico da região, segundo a Exame.
A própria reportagem lista o que não depende do empresário: a mudança de percepção do consumidor local, acostumado a outro patamar de preços, a continuidade do fluxo migratório para Santa Catarina, a oficialização da licença de drenagem e a disposição da prefeitura de estender o parque linear. Por ora, o que existe é uma primeira fase vendida em velocidade recorde.
O que a primeira semana já provou
O mercado deu a resposta inicial. Com 80% dos lotes unifamiliares vendidos na primeira semana, Laus reteve de propósito os terrenos mais estratégicos, os destinados a prédios, comércio e escritórios, para desenvolver com parceiros nas fases seguintes, segundo a Exame. É a mesma lógica do terreno de 2004: vender o que gira rápido e guardar o que mais valoriza.
Fica a observação desta redação, devidamente sinalizada: o litoral catarinense já provou esse filme algumas vezes, primeiro em Balneário Camboriú, depois em Itapema e Porto Belo, e o homem que assistiu a todos os capítulos de camarote resolveu apostar R$ 1 bilhão que o próximo se passa na cidade onde ele aprendeu a pescar.
Da beira do rio da infância ao maior lançamento da história de Tijucas, a história de Laus mostra que às vezes a melhor oportunidade está no lugar que todo mundo atravessa sem olhar.
Conta pra gente nos comentários: você mora ou já pensou em morar no litoral de Santa Catarina, e acredita que a próxima Balneário Camboriú pode nascer numa cidade de passagem?
