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Após 18 anos de desenvolvimento, Bridgestone coloca pneu sem ar AirFree, que dispensa calibragem e não sofre furos, em serviço diário no Japão e começa por veículos autônomos de até 20 km/h, usado no transporte de pessoas idosas

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Escrito por Geovane Souza Publicado em 10/07/2026 às 11:15 Atualizado em 10/07/2026 às 11:21
Bridgestone inicia operação regular de pneu sem ar em veículo autônomo usado no transporte de idosos no Japão
Bridgestone inicia operação regular de pneu sem ar em veículo autônomo usado no transporte de idosos no Japão
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Tecnologia que dispensa calibragem e não sofre furos começou a operar em uma rota pública de 4,8 km, usada principalmente por idosos de uma região montanhosa. A estreia comercial ocorre em baixa velocidade e ainda está distante dos carros particulares, mas permitirá medir desgaste, conforto e custos fora do laboratório.

A Bridgestone iniciou no Japão a primeira operação regular de seu pneu sem ar AirFree. A tecnologia passou a equipar um pequeno veículo elétrico autônomo que transporta moradores entre comunidades rurais de Higashiomi, na província de Shiga.

O serviço começou em 8 de julho de 2026, após uma cerimônia realizada no dia anterior. Diferentemente das demonstrações temporárias promovidas nos últimos anos, os pneus agora fazem parte da rotina normal do transporte municipal.

A escolha do local tem uma razão prática. No distrito montanhoso de Okueigenji, mais de 60% da população é idosa, enquanto a falta de motoristas e operadores dificulta a manutenção de linhas convencionais.

De acordo com o comunicado conjunto da Bridgestone e da prefeitura de Higashiomi, o AirFree foi instalado no veículo autônomo “Okueigenji Keiryu Car” para reduzir paradas causadas por furos, eliminar a calibragem periódica e facilitar a manutenção da frota.

O primeiro uso comercial começa onde um pneu furado pode interromper um serviço essencial

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Os pneus AirFree estão sendo lançados comercialmente em veículos autônomos no Japão. (Foto: Seiya Ota)

O veículo usado na operação lembra um carrinho de golfe alongado. Ele percorre uma área com estradas locais, pequenas comunidades e poucos serviços de transporte, conectando moradores ao posto rodoviário Okueigenji Keiryu no Sato, que também concentra atividades administrativas, comerciais e de atendimento público.

Nesse tipo de operação, uma simples perfuração pode retirar o veículo de circulação e deixar parte dos passageiros sem alternativa imediata. O principal benefício do AirFree não é aumentar a velocidade, mas evitar que o transporte pare por perda de pressão.

A implantação comercial foi precedida por um acordo assinado em 15 de janeiro de 2025 entre a cidade e a fabricante. Como informou a Bridgestone naquela ocasião, o projeto buscava testar o pneu em um serviço que enfrentava problemas concretos ligados ao envelhecimento populacional, à redução da mão de obra e ao isolamento de comunidades rurais.

No lugar do ar, raios de resina azul sustentam o peso do veículo

AirFree
Foto: Bridgestone

Um pneu convencional depende do ar comprimido para sustentar o veículo e absorver as irregularidades do piso. No AirFree, essa função é realizada por uma estrutura lateral formada por raios flexíveis de resina termoplástica, montados entre a roda e a faixa de borracha que toca o asfalto.

Quando o pneu recebe o peso do veículo, os raios se deformam e distribuem a carga. Como não existe uma câmara pressurizada, pregos, pedaços de vidro e pequenos cortes não provocam o esvaziamento que obrigaria a interrupção da viagem.

A resina precisou combinar resistência e flexibilidade. Uma estrutura excessivamente rígida suportaria o peso, mas transmitiria os impactos do caminho aos passageiros. Um material muito macio, por outro lado, poderia deformar além do necessário e comprometer estabilidade e durabilidade.

Segundo a página técnica da fabricante, a banda de borracha poderá ser recapada, enquanto os raios poderão ser triturados, derretidos e novamente moldados. A cor azul, chamada de Empowering Blue, foi escolhida para aumentar a visibilidade do conjunto entre o dia e o entardecer.

A rota de 4,8 km ajuda a entender por que a estreia ficou restrita a baixa velocidade

O Keiryu Car percorre aproximadamente 4,8 quilômetros por viagem de ida e volta. O serviço funciona todos os fins de semana e também em determinados dias úteis, conforme o calendário divulgado pelo município.

A passagem custa 150 ienes por trecho, 300 ienes pela ida e volta e 350 ienes no bilhete diário. A prefeitura também oferece passe mensal e transporte de pequenas cargas, o que amplia o uso do veículo para moradores que precisam buscar compras ou levar objetos entre as comunidades.

O AirFree foi instalado em um serviço classificado no Japão como “mobilidade verde e lenta”. O Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo define essa categoria como um transporte de pequeno porte, movido a eletricidade e autorizado a circular em vias públicas abaixo de 20 km/h.

Essa limitação reduz aquecimento, vibração, esforço lateral e deformações prolongadas nos raios de resina. Também permite que a Bridgestone acompanhe o comportamento do pneu em uma rotina previsível, com rota conhecida, baixa carga e manutenção centralizada.

Dezoito anos de ajustes mudaram o material, o desenho e o conforto

A fabricante trabalha no conceito desde 2008. A primeira geração, desenvolvida até 2012, concentrou-se em descobrir como sustentar o peso do veículo sem utilizar ar e, ao mesmo tempo, conservar a possibilidade de reciclagem.

Entre 2013 e 2022, a empresa passou a estudar estruturas capazes de distribuir melhor a deformação. O objetivo era reduzir a rigidez percebida pelos passageiros e aproximar o comportamento do conjunto daquele encontrado em pneus pneumáticos.

A terceira geração surgiu em 2023 com simulações mais avançadas, novos materiais e um desenho capaz de controlar onde cada raio deve se flexionar. A forma dos componentes também passou a ser otimizada com técnicas de aprendizado de máquina.

Os testes em vias públicas foram ampliados a partir de 2024. Antes da implantação em Higashiomi, a tecnologia passou por experiências em locais como Toyama, Kurume, Suginami e áreas próximas à cidade de Kodaira.

A operação regular ainda não coloca o AirFree perto dos carros particulares

A estreia comercial representa um avanço, mas não significa que o pneu esteja pronto para rodar em automóveis comuns. Um carro de passeio enfrenta velocidades maiores, curvas mais rápidas, frenagens intensas, buracos, longas viagens e variações amplas de temperatura e carga.

Nos pneus sem ar, a estrutura exposta também precisa controlar vibrações e ruídos provocados pela repetição dos raios durante o movimento. Estudos sobre pneus não pneumáticos apontam que durabilidade, rigidez e vibração em alta velocidade continuam entre os principais desafios do desenvolvimento para veículos de passageiros.

A própria aplicação escolhida mostra a estratégia da empresa. Em vez de tentar substituir imediatamente milhões de pneus convencionais, a Bridgestone começou por uma frota pequena, lenta, monitorada e com percursos repetitivos.

A publicação especializada European Rubber Journal classificou a operação em Higashiomi como a primeira implantação comercial do AirFree no Japão. O projeto deixa para uma etapa posterior mercados mais exigentes, como automóveis particulares e veículos que circulam em rodovias.

Manutenção e reciclagem serão avaliadas junto com o desgaste do pneu

Os pneus instalados no veículo japonês usam banda de rodagem para o verão. Uma versão para todas as estações poderá ser desenvolvida caso a operação mostre demanda, mas ainda não existe confirmação de produção em grande escala.

Conforme relatou o site japonês Car Watch, a estrutura central de resina pode ser reaproveitada e a parte de borracha admite recapagem. Isso permitiria substituir a superfície desgastada sem descartar todo o conjunto, desde que o processo se mostre técnica e economicamente viável no uso diário.

Os próximos resultados deverão mostrar quanto tempo os raios mantêm a elasticidade, como o pneu reage às mudanças de temperatura e qual é o custo real por quilômetro. Também será necessário comparar a economia obtida com calibragem e reparos ao preço de fabricação e reciclagem do novo conjunto.

O AirFree começa pequeno, rodando devagar e em apenas uma comunidade japonesa. Mesmo assim, a operação diária fornecerá dados que um protótipo parado em uma feira ou usado durante poucos dias não consegue produzir.

Você usaria um pneu sem ar no seu carro ou ainda prefere a estrutura convencional? Deixe seu comentário e conte se a ausência de furos compensaria possíveis limitações de preço, conforto e velocidade.

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Geovane Souza

Especialista em criação de conteúdo para internet, SEO e marketing digital, com atuação focada em crescimento orgânico, performance editorial e estratégias de distribuição. No CPG, cobre temas como empregos, economia, vagas home office, cursos e qualificação profissional, tecnologia, entre outros, sempre com linguagem clara e orientação prática para o leitor. Universitário de Sistemas de Informação no IFBA – Campus Vitória da Conquista. Se você tiver alguma dúvida, quiser corrigir uma informação ou sugerir pauta relacionada aos temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: gspublikar@gmail.com. Importante: não recebemos currículos.

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